Questão 49 — ENEM 2025Caderno azul · 1º Dia

TEXTO II
Antigo centro da economia mundo-europeia do século XV, no final do século XVII e início do século XVIII, Veneza ainda era uma cidade cosmopolita onde orientais podiam sentir-se em casa.
BRAUDEL, F. O tempo do mundo. São Paulo: Martins Fontes, 1979 (adaptado).
Qual elemento da condição cosmopolita de Veneza na Idade Moderna está explicitado nos textos?
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Idade Moderna → Comércio Mediterrâneo e Cidades-Estado Italianas
- ⚡ Nível: Médio — exige identificar o fundamento econômico do cosmopolitismo de Veneza.
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Análise da função de Veneza como centro comercial na Idade Moderna.
- 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que explica Veneza ter sido cidade cosmopolita na Idade Moderna?"
- Palavras-chave decisivas: centro da economia mundo-europeia, século XV, século XVII e XVIII, cidade cosmopolita, orientais podiam sentir-se em casa
- Armadilha típica: Marcar D (humanismo) por associar Veneza ao Renascimento, ou E (corporações de ofício) por pensar em guildas medievais — mas o texto conecta explicitamente o cosmopolitismo à posição de Veneza no comércio mundo-europeu, especialmente mediterrâneo.
- O que a resposta precisa demonstrar: Percepção de que o cosmopolitismo é consequência da integração do comércio mediterrâneo — Veneza era entrada do Oriente na Europa.
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Veneza na Idade Moderna: Cidade-Estado italiana que floresceu como principal entreposto comercial entre o Oriente (produtos da Ásia via Rota da Seda, especiarias, sedas, porcelanas) e a Europa Ocidental durante toda a Idade Média e início da Idade Moderna.
- Economia-mundo europeia (Braudel): Conceito do historiador francês Fernand Braudel — um sistema econômico com um centro hegemônico e periferias dependentes. Veneza foi centro entre os séculos XIII e XVI.
- Comércio mediterrâneo: Rede de trocas que envolvia Europa, Levante, Norte da África, Egito, Constantinopla, Alexandria, Veneza, Gênova. O Mediterrâneo era "mar do mundo".
- Cosmopolitismo comercial: Cidades que são nós de rotas comerciais tendem a abrigar populações diversas — mercadores, diplomatas, viajantes, tradutores. Essa diversidade é função direta da posição comercial.
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (TEXTO II - Braudel): "Antigo centro da economia mundo-europeia do século XV" → Veneza como hegemonia econômica regional.
- Evidência 2: "Veneza ainda era uma cidade cosmopolita onde orientais podiam sentir-se em casa" → a presença de orientais mesmo nos séculos XVII-XVIII mostra que Veneza mantinha conexões comerciais com o Levante/Oriente.
- Evidência 3 (Texto I, imagem): Provavelmente uma pintura ou gravura mostrando Veneza com figuras de várias origens — reforça visualmente o ponto.
- Síntese: O cosmopolitismo de Veneza é consequência direta de sua posição como entreposto do comércio mediterrâneo, ligando Oriente e Europa.
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a fonte do cosmopolitismo
Veneza era cosmopolita porque abrigava mercadores, diplomatas e viajantes de várias origens — orientais, árabes, cristãos ortodoxos, judeus, europeus diversos. Essa diversidade humana vinha do comércio.
Subpasso 4.2 — Identificar o tipo de comércio
O comércio que traz "orientais" a Veneza é o comércio mediterrâneo, que conecta o Levante (Constantinopla, Egito, Síria, Palestina) à Europa Ocidental via rotas marítimas.
Subpasso 4.3 — Verificação
O elemento explicitado é, portanto, a integração do comércio mediterrâneo — formulação exata da alternativa C.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Avanço do ensino laico.
❌ Incorreta: Ensino laico é característica do Iluminismo (séc. XVIII) em diante, mas não explica cosmopolitismo veneziano. Além disso, no período analisado, o ensino ainda era muito vinculado à Igreja.
B) Conquista das terras da América.
❌ Incorreta: A conquista da América deslocou o centro econômico europeu do Mediterrâneo para o Atlântico (Lisboa, Sevilha, Amsterdã) — na verdade, começou a marginalizar Veneza. Não explica seu cosmopolitismo.
C) Integração do comércio mediterrâneo.
✅ Correta: Ancorada em "centro da economia mundo-europeia", "orientais podiam sentir-se em casa". Veneza era o hub do comércio mediterrâneo, e sua cosmopolitismo vem diretamente daí.
D) Popularização do pensamento humanista.
❌ Incorreta: O humanismo floresceu em Florença (Petrarca, Boccaccio, Ficino), não especialmente em Veneza. E o humanismo não é fenômeno comercial — é cultural/intelectual. Não explica a presença de orientais na cidade.
E) Desenvolvimento das corporações de ofício.
❌ Incorreta: Corporações de ofício (guildas) são característica do comércio e artesanato medieval em cidades europeias, mas organizam a produção local. Não explicam cosmopolitismo internacional.
🏆 Gabarito Final: C
O cosmopolitismo de Veneza vem da integração do comércio mediterrâneo — a cidade era o principal entreposto entre Oriente e Europa, abrigando mercadores e viajantes de origens diversas.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa que conecta o cosmopolitismo a uma causa econômica coerente com os textos.
- Padrão de cobrança: História Moderna no ENEM cobra cidades-Estado italianas, economia-mundo, Braudel, comércio mediterrâneo. Saiba os principais polos comerciais (Veneza, Gênova, Florença, Pisa).
- Generalização: Cidades cosmopolitas na história costumam ser nós de rotas comerciais. Identificar a rota é identificar a causa do cosmopolitismo.
- Dica de eliminação rápida: Elimine alternativas culturais (D — humanismo) ou políticas (A — ensino laico) quando o fenômeno é explicitamente econômico-comercial.
- Conexões com outros temas: Renascimento, Idade Moderna, Braudel, economia-mundo, Rota da Seda, Mediterrâneo histórico.