Questão 13 — ENEM 2025Caderno azul · 1º Dia
Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2º Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
BRASIL. Lei n. 10.639/2003. Disponível em: www.gov.br/planalto. Acesso em: 5 maio 2024.
O emprego da norma-padrão é justificado nesse texto
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Sociolinguística → Variação Linguística e Gêneros Textuais
- ⚡ Nível: Médio — exige relacionar o emprego da norma-padrão às exigências do gênero "lei".
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Reconhecimento das condições que justificam a adoção da norma-padrão em textos públicos.
- 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Por que esse texto é escrito em norma-padrão?"
- Palavras-chave decisivas: Art. 26-A, § 1º, § 2º, torna-se obrigatório, BRASIL. Lei n. 10.639/2003
- Armadilha típica: Escolher alternativas sobre a importância cultural do conteúdo (relevância, grupos étnico-raciais) e atribuir-lhe o uso da norma — mas o conteúdo não determina a norma; o gênero sim.
- O que a resposta precisa demonstrar: Compreensão de que é o gênero "texto legislativo" que obriga o uso da norma-padrão.
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Norma-padrão: Variedade linguística prestigiada, padronizada por gramáticas e dicionários, exigida em contextos formais (leis, contratos, documentos oficiais, jornalismo formal, redação escolar).
- Gênero textual e variação linguística: Cada gênero impõe restrições linguísticas próprias. A lei exige norma-padrão porque é documento oficial do Estado, com valor jurídico e circulação pública.
- Texto legislativo: Gênero marcado por: numeração (artigos, parágrafos, incisos), vocabulário formal, estruturas impessoais ("torna-se obrigatório"), tempo verbal prescritivo, ausência de primeira pessoa e marcas coloquiais.
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Art. 26-A", "§ 1º", "§ 2º" → estrutura numerada típica do texto legislativo.
- Evidência 2: "torna-se obrigatório" → construção impessoal formal, sem sujeito agente.
- Evidência 3: "BRASIL. Lei n. 10.639/2003" → identifica explicitamente o gênero como lei federal.
- Síntese: O texto é uma lei federal. Leis, como gênero textual, exigem norma-padrão como condição de funcionamento.
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o gênero
O texto é explicitamente uma lei (Lei nº 10.639/2003) com sua estrutura canônica: artigo, parágrafos, linguagem prescritiva, despersonalização.
Subpasso 4.2 — Relacionar gênero × norma
Cada gênero textual tem uma norma linguística associada. Leis, decretos, contratos, sentenças e textos normativos em geral exigem a norma-padrão — não é escolha estilística do autor, é exigência do gênero.
Subpasso 4.3 — Verificação
A justificativa do emprego da norma-padrão está, portanto, nas características do gênero a que o texto pertence — o gênero "lei" / "texto legislativo". A alternativa E formula exatamente isso.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) pela especialização de seu público-alvo.
❌ Incorreta: O público-alvo da lei é amplo (estabelecimentos de ensino, sociedade civil, gestores). Não há especialização técnica exigindo norma-padrão. Além disso, "público especializado" não justifica norma-padrão (uma conversa entre especialistas pode ser informal).
B) pela relevância cultural de seu conteúdo.
❌ Incorreta: A relevância cultural do conteúdo (História e Cultura Afro-Brasileira) é alta, mas a relevância temática não determina a norma linguística. Uma conversa sobre tema relevante pode ser informal; uma lei banal ainda exige norma-padrão.
C) pelos contextos pedagógicos em que circula.
❌ Incorreta: A lei de fato regula o contexto escolar, mas o contexto regulado não é o mesmo que o contexto de escrita/circulação. A lei circula no Diário Oficial e em documentos jurídicos, não em materiais pedagógicos, e seu gênero é legislativo, não didático.
D) pela importância para os grupos étnico-raciais.
❌ Incorreta: Mesma lógica da B. A importância para grupos étnico-raciais é inegável, mas não é o que obriga o uso da norma-padrão. O tema e a norma são dimensões independentes.
E) pelas características do gênero a que pertence.
✅ Correta: Ancorada em "Art. 26-A", "§ 1º", "torna-se obrigatório", "BRASIL. Lei n. 10.639/2003". O gênero "lei" impõe norma-padrão como convenção estrutural — é a única explicação que funciona independentemente do conteúdo.
🏆 Gabarito Final: E
O uso da norma-padrão é justificado pelas características do gênero legislativo a que o texto pertence — gênero que, por convenção, exige formalidade, impessoalidade e padronização.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que conecta norma × gênero. Todas as outras confundem o conteúdo do texto (tema, público, relevância) com a forma linguística exigida (norma-padrão).
- Padrão de cobrança: O ENEM cobra com frequência a relação entre gênero textual e variação linguística. Memorize: gênero determina norma.
- Generalização: Textos legislativos, científicos, jornalísticos formais e acadêmicos exigem norma-padrão. Conversas, diários, redes sociais e mensagens coloquiais admitem variação.
- Dica de eliminação rápida: Se a alternativa fala de "relevância", "importância do tema", "público-alvo", e o comando pede justificativa para a NORMA, provavelmente está errada. Norma é matéria de forma, não de conteúdo.
- Conexões com outros temas: Variação linguística, sociolinguística, gêneros textuais, educação antirracista (conteúdo da própria lei).