Questão 9 — ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia
Texto base para as questões 6 a 10:
Saudades da secretária eletrônica
(crônica de A. Prata — veja texto integral na questão 6)
O trecho dessa crônica que reproduz uma marca linguística recorrente na oralidade de muitos brasileiros é:
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Variação Linguística + Oralidade
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer marca da língua oral em trecho escrito.
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Reconhecimento de traços da variação linguística na escrita.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual trecho reproduz uma marca típica da oralidade brasileira coloquial?"
- Palavras-chave decisivas: marca linguística recorrente, oralidade, muitos brasileiros.
- Armadilha típica: Escolher um trecho por ser "informal" em aparência sem ser de fato uma marca recorrente da fala.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o aluno identificou uma construção oral típica — no caso, o uso do pronome "te" com verbo sem a correspondência de "tu".
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Oralidade ≠ erro: é variedade linguística legítima; tem regras próprias.
- Assimetria pronominal você/te: no português brasileiro falado, é comum usar "você" como sujeito e "te" como objeto na mesma frase — fenômeno muito característico da fala.
- Marca recorrente: deve aparecer na boca de falantes de diferentes regiões e classes.
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (trecho B): "e te escrevi pra não esquecer" → a estrutura "eu te escrevi" sem sujeito "tu" explícito é típica da fala brasileira; a norma padrão formal pediria "eu lhe escrevi" ou "escrevi a você".
- Evidência 2: é uma fala direta do pai, contexto em que se espera registro oral.
- Síntese: o uso de "te" como pronome oblíquo para se dirigir a "você" é o traço oral destacado no trecho B.
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Examinar cada trecho
- A) "Eu o chamo de 'velho pai'" → usa "o" (norma padrão), não marca oral.
- B) "te escrevi pra não esquecer" → usa "te" + "pra" (contração da fala), fortíssima marca oral.
- C) "a razão de ele e tantos outros estarmos desmemoriados" → construção culta (infinitivo pessoal).
- D) "uma proposta bem razoável para minorá-lo" → ênclise culta.
- E) "assistir a todas as séries, ler todos os livros" → construção padrão.
Subpasso 4.2 — Confirmar o fenômeno O traço "te escrevi" combinado com "pra" (em vez de "para") é redundantemente oral — duas marcas num só trecho.
Subpasso 4.3 — Verificação B é o único trecho em que a marca oral é produtora de sentido e recorrente.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) "Eu o chamo de 'velho pai'". ❌ Incorreta: "eu o chamo" é norma padrão, não oralidade.
B) "e te escrevi pra não esquecer". ✅ Correta: "te" + "pra" são duas marcas claras da fala brasileira coloquial.
C) "a razão de ele e tantos outros estarmos desmemoriados". ❌ Incorreta: infinitivo pessoal é construção culta, não oral.
D) "uma proposta bem razoável para minorá-lo". ❌ Incorreta: ênclise formal ("minorá-lo") é marca da escrita cuidada.
E) "assistir a todas as séries, ler todos os livros". ❌ Incorreta: construção padrão; não há marca oral.
🏆 Gabarito: B — "te escrevi pra" reúne duas marcas típicas da oralidade brasileira.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: B é o único trecho em que marcas orais (te, pra) aparecem juntas.
- Padrão de cobrança: ENEM valoriza a oralidade como variedade legítima; a questão reconhece, não condena.
- Generalização: pronome "te" ao lado de formas de "você" = marca clássica de oralidade brasileira.
- Dica de eliminação rápida: elimine trechos com pronomes átonos "o/a/lhe" (padrão escrito) e priorize os com "te/pra/tá".
- Conexões com outros temas: sociolinguística, norma culta vs. norma coloquial.