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Questão 62ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia

TEXTO I

POST, F. Paisagem com plantação: o engenho. Óleo sobre tela, 71,5 × 91,5 cm. Boijmans van Beuningen Museum, Roterdã, Holanda, 1660. Disponível em: www.boijmans.nl. Acesso em: 18 nov. 2021.

TEXTO II

A continentalização do açúcar e o renovado estímulo à monocultura em Pernambuco permitiu a adaptação do modelo madeirense trazido pelo primeiro donatário. A primeira e talvez melhor iconografia dessa imposição da monocultura da cana-de-açúcar sobre o bioma local foi, contudo, elaborada pelos holandeses, o que dá nota à pintura de paisagem de Frans Post, artista oficial da comitiva de João Maurício de Nassau.

CHAVES JR., J. I. As capitanias de Pernambuco e a construção dos territórios e das jurisdições na América portuguesa (século XVIII). Niterói: UFF, 2017 (adaptado).

Durante o período colonial, qual foi o impacto do processo apresentado nos textos?

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História/Geografia → Brasil Colônia, economia açucareira e impactos ambientais
  • ⚡ Nível: Fácil — exige relacionar a imagem de Frans Post (canavial + engenho) ao desmatamento da Mata Atlântica
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Colonização portuguesa, monocultura açucareira e transformação da paisagem (CH4 — impactos socioambientais da ocupação territorial)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual foi o impacto da monocultura canavieira colonial apresentada nos textos?"
  • Palavras-chave decisivas: monocultura da cana-de-açúcar, bioma local, paisagem, Pernambuco, continentalização do açúcar
  • Armadilha típica: associar o engenho a manufaturas ou à poluição fluvial, ignorando o principal efeito — o desmatamento em massa
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a plantation açucareira do litoral nordestino devastou a Mata Atlântica

📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Plantation: sistema de grande propriedade, monocultura, mão de obra escrava e produção voltada ao mercado externo — base da economia colonial brasileira no açúcar
  • Mata Atlântica: bioma originalmente dominante em todo o litoral leste brasileiro, de Pernambuco ao Rio Grande do Sul, devastado progressivamente desde o século XVI para abrir espaço a canaviais, cafezais e cidades
  • Modelo madeirense: sistema de produção açucareira desenvolvido em Madeira (ilha portuguesa) e transposto para Pernambuco, exigindo desmatamento para plantio e queima de lenha nos engenhos
  • Frans Post: pintor holandês trazido por Maurício de Nassau (1637-1644) que registrou paisagens pernambucanas, mostrando engenhos, canaviais e o recuo da vegetação nativa

🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (Texto I — pintura): paisagem com plantação, casa-grande, canavial e poucos remanescentes arbóreos → registro visual do avanço da monocultura sobre a mata
  • Evidência 2 (Texto II): "imposição da monocultura da cana-de-açúcar sobre o bioma local" → explicita que o bioma (Mata Atlântica) sofreu transformação forçada
  • Síntese: a dupla evidência — icônica e textual — aponta diretamente para o desmatamento do litoral nordestino

🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconstituição do processo colonial A partir de 1530, Portugal implantou em Pernambuco e na Bahia o sistema de capitanias com engenhos de cana. Para cada engenho erguido, derrubavam-se hectares de Mata Atlântica: parte para o plantio da cana, parte para virar lenha usada no cozimento do caldo. Estima-se que, já no século XVII, o litoral pernambucano tivesse perdido a maior parte de sua cobertura vegetal primária.

Subpasso 4.2 — Leitura da iconografia A pintura de Frans Post (1660) mostra uma paisagem dominada pela casa do engenho, canavial e clareiras — a mata aparece apenas em fragmentos. Nassau, cujo séquito trouxe Post, era protagonista da ocupação holandesa de Pernambuco (1630-1654), período de intensificação açucareira. A imagem é, portanto, testemunho da devastação.

Subpasso 4.3 — Verificação A alternativa D ("Redução da vegetação nativa em áreas litorâneas") traduz exatamente esse impacto: a monocultura da cana devastou a Mata Atlântica litorânea. Confirma-se o gabarito.

✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Substituição das atividades agrícolas pelas manufaturas.Incorreta: a colônia foi especificamente impedida de desenvolver manufaturas (Alvará de 1785) e o engenho é agroindústria rural, não manufatura urbana substitutiva.

B) Estagnação da pecuária bovina em regiões interioranas.Incorreta: ocorreu o oposto — a expansão canavieira empurrou a pecuária para o sertão (São Francisco, Piauí, Ceará), fomentando-a, não estagnando-a.

C) Retração de mercados coloniais em zonas portuárias.Incorreta: o açúcar pernambucano gerou expansão (não retração) dos portos de Recife e Olinda, que se tornaram escoadouros de exportação para a Europa.

D) Redução da vegetação nativa em áreas litorâneas.Correta: a expansão do canavial sobre a Mata Atlântica litorânea, registrada pela pintura e explicitada no texto ("imposição da monocultura sobre o bioma local"), resume o principal impacto ambiental da colonização açucareira.

E) Poluição dos cursos fluviais pelos nativos.Incorreta: atribuir poluição aos "nativos" (indígenas) é um contrassenso histórico — foram os colonizadores e senhores de engenho os responsáveis pelos passivos ambientais; além disso, poluição fluvial não é o impacto principal descrito.

🏆 Gabarito: D — a monocultura canavieira, representada por Frans Post, implicou supressão maciça da Mata Atlântica litorânea.

🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas D expressa um impacto ambiental compatível com a expansão da plantation açucareira no litoral
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de associar ciclos econômicos (cana, ouro, café, soja) a impactos ambientais (Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia)
  • Generalização: monocultura colonial = desmatamento do bioma nativo + mão de obra escrava + produção para exportação
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que invertam papéis históricos (nativos poluidores) ou afirmem o contrário do processo (estagnação de pecuária, retração portuária)
  • Conexões com outros temas: Pau-brasil, ciclo do açúcar, Maurício de Nassau, Mata Atlântica como bioma mais devastado, Guerra dos Mascates, engenho e escravidão

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