Questão 61 — ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia
Em 2021, lideranças negras do Recife se reuniram e reivindicaram a criação de uma pasta dedicada especificamente à cultura negra. O termo cultura negra passou a fazer parte dos discursos do núcleo afro e popularizou-se nas plenárias e fóruns da cidade, nos espaços internos dos terreiros, nas sedes das agremiações, nas ONGs, nas escolas públicas municipais e em outros lugares onde os ativistas negros se encontravam para discutir sobre a sua história, sobre as suas religiosidades, sobre o despertar de uma consciência crítica e, principalmente, para fazer política pública.
SANTOS, M. R. A militância negra no Recife e o combate ao racismo religioso na primeira década do século XXI. In: MOURA, C. A. S.; UZUN, J. R. C. (Org.). História, religiões e educação: espaços do político. Recife: Edupe, 2021 (adaptado).
As reivindicações dos ativistas mencionados no texto objetivavam
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Movimentos sociais, identidade e políticas públicas
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer o vínculo entre luta por reconhecimento identitário e ação política emancipatória
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Movimentos sociais contemporâneos e cidadania (CH9 — analisar processos de ocupação do espaço e formação de territorialidades a partir de lutas por direitos)
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual era o objetivo das reivindicações das lideranças negras do Recife ao exigir uma pasta dedicada à cultura negra?"
- Palavras-chave decisivas: consciência crítica, política pública, militância negra, cultura negra
- Armadilha típica: confundir reivindicação identitária com mera pauta corporativa ou com homogeneização cultural
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o movimento negro luta por protagonismo histórico, reconhecimento e autodeterminação dos sujeitos historicamente subalternizados
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Emancipação: processo pelo qual grupos socialmente oprimidos conquistam autonomia, voz e direitos, deixando de ser objeto para se tornar sujeito de sua própria história
- Sujeitos históricos: indivíduos e coletivos que atuam de modo consciente na transformação social — no caso, a população negra reivindicando ser reconhecida como agente e produtora de cultura, não apenas como grupo folclorizado
- Política pública de matriz racial: ações do Estado voltadas à reparação de desigualdades historicamente construídas pelo racismo estrutural
- Racismo religioso: forma específica de discriminação que persegue religiões de matriz africana e seus praticantes
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "reivindicaram a criação de uma pasta dedicada especificamente à cultura negra" → demanda por reconhecimento institucional de uma identidade coletiva
- Evidência 2: "despertar de uma consciência crítica e, principalmente, para fazer política pública" → passagem de sujeito passivo a sujeito ativo na esfera política
- Síntese: a luta por cultura negra não é apenas folclórica; é luta por emancipação, isto é, por tornar-se sujeito político reconhecido pelo Estado
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Contextualização histórica Desde a Lei Áurea (1888), a população negra brasileira foi formalmente libertada, mas permaneceu à margem de direitos efetivos. Os movimentos negros contemporâneos — especialmente após a Constituição de 1988 e a Lei 10.639/2003 — articulam-se em torno do reconhecimento cultural e de políticas públicas específicas (ações afirmativas, combate ao racismo religioso, reparação histórica). O texto situa essa luta no Recife dos anos 2000-2020.
Subpasso 4.2 — Identificação da intencionalidade política O termo "cultura negra" deixou de ser descritivo e passou a ser mobilizador: aparece em terreiros, agremiações, ONGs, escolas e fóruns. Essa circulação indica que o movimento constrói uma consciência coletiva — faz dos participantes sujeitos de sua própria história, capazes de intervir nas políticas públicas. Trata-se, portanto, de um processo emancipatório.
Subpasso 4.3 — Verificação A alternativa A ("emancipar os sujeitos históricos") é a única que capta simultaneamente os dois movimentos descritos no texto: consciência crítica (passagem a sujeito) e política pública (intervenção emancipatória). Confirma-se o gabarito.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) emancipar os sujeitos históricos. ✅ Correta: sintetiza exatamente o duplo movimento do texto — despertar da consciência crítica (tornar-se sujeito) e atuação em política pública (emancipação no plano institucional).
B) neutralizar o pensamento colonizador. ❌ Incorreta: "neutralizar" sugere apagamento/anulação, um tom defensivo; o texto aponta um projeto propositivo e afirmativo de construção identitária, não apenas reativo ao colonialismo.
C) engajar o segmento sindical. ❌ Incorreta: o texto lista terreiros, agremiações, ONGs e escolas, mas em nenhum momento menciona sindicatos ou pauta trabalhista — a luta descrita é étnico-racial, não classista-sindical.
D) padronizar as tradições ancestrais. ❌ Incorreta: inverte o sentido do texto. O movimento negro reivindica pluralidade e reconhecimento da diversidade das manifestações afro-brasileiras; padronizar seria descaracterizar a riqueza dessas tradições.
E) divulgar a produção científica. ❌ Incorreta: o foco do texto é político-cultural (consciência crítica, política pública), não acadêmico-científico. Divulgação científica não aparece entre as finalidades citadas.
🏆 Gabarito: A — a expressão "emancipar os sujeitos históricos" resume a conquista de protagonismo político e cultural pela militância negra do Recife.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas A cobre o binômio consciência crítica + política pública, isto é, a transformação do grupo em sujeito emancipado
- Padrão de cobrança: o ENEM articula movimentos sociais (negro, indígena, feminista, LGBT) à noção de emancipação e reconhecimento — repare nas palavras "consciência", "luta", "protagonismo", "pauta"
- Generalização: sempre que um movimento social busca reconhecimento identitário + ação estatal, a chave interpretativa é emancipação/protagonismo
- Dica de eliminação rápida: elimine alternativas que restrinjam o escopo (sindical, científica) ou que invertam o sentido (padronizar, neutralizar)
- Conexões com outros temas: Lei 10.639/2003, ações afirmativas, cotas raciais, racismo religioso, Zumbi dos Palmares, Abdias Nascimento, Lélia González