Questão 63 — ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia
Como é costume dos soldados ao retornarem de suas campanhas, os cruzados sem dúvida devem ter exagerado tanto as privações da jornada quanto o esplendor da terra conquistada, bem como os milagres enviados pelos céus para encorajá-los. Todos, porém, sublinhavam a necessidade de guerreiros e colonos no Oriente, a fim de dar prosseguimento à obra divina, e falavam das riquezas e propriedades que lá esperavam para serem ocupadas pelos aventureiros. Instavam a partida de uma nova Cruzada, com as bênçãos dos pregadores da Igreja.
RUNCIMAN, S. História das Cruzadas: o Reino de Jerusalém e o Oriente Franco, 1100-1187. Rio de Janeiro: Imago, 2002.
Uma das consequências da recepção, no Ocidente, das notícias mencionadas no texto foi o(a)
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Idade Média, Cruzadas e dinâmica social medieval
- ⚡ Nível: Médio — exige associar as narrativas dos cruzados a uma consequência social específica (mobilidade/deslocamento de pessoas)
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Idade Média Central, Cruzadas e suas consequências (CH1 — identificar interpretações sobre processos históricos)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual consequência, no Ocidente, decorreu da divulgação das histórias trazidas pelos cruzados?"
- Palavras-chave decisivas: necessidade de guerreiros e colonos, nova Cruzada, aventureiros, bênçãos dos pregadores
- Armadilha típica: confundir com alternativas que tratem exclusivamente de comércio ou de ruptura religiosa, esquecendo que o texto enfatiza o chamado à ida de pessoas para o Oriente
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o relato dos retornantes estimulou novas ondas de deslocamento humano
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Cruzadas (1096-1291): expedições militares convocadas pela Igreja para recuperar Jerusalém e os lugares santos, envolvendo nobres, clérigos, camponeses e mercadores
- Reino Latino de Jerusalém (1099-1291): Estado cruzado que demandava colonos permanentes, não só soldados de passagem — daí a exortação do texto a "guerreiros e colonos"
- Mobilidade medieval: o sistema feudal, antes marcado pela fixação à terra, foi progressivamente rompido pelas Cruzadas, que colocaram milhares de europeus em movimento Oriente afora
- Pregação cruzadística: discurso religioso que oferecia indulgências e promessas de riquezas, mobilizando populações inteiras
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "sublinhavam a necessidade de guerreiros e colonos no Oriente" → apelo direto ao deslocamento de pessoas
- Evidência 2: "Instavam a partida de uma nova Cruzada" → estímulo a novas levas migratórias militarizadas
- Síntese: o texto descreve a propaganda cruzadística como motor de mobilidade humana em massa
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Contextualização histórica As Cruzadas mobilizaram, ao longo de dois séculos, centenas de milhares de europeus — cavaleiros, clérigos, peregrinos, camponeses, mercadores, servos em fuga. O Concílio de Clermont (1095), pregado por Urbano II, e as exortações posteriores criaram um fenômeno migratório sem precedentes na Europa feudal.
Subpasso 4.2 — Identificação da consequência descrita O trecho mostra que, ao retornarem, os cruzados instavam novos aventureiros à partida. Esse convite, reforçado pela Igreja, tinha efeito direto: aumentava o fluxo de pessoas da Europa rumo ao Oriente Próximo. Embora as Cruzadas também tenham reaquecido o comércio mediterrâneo e abalado o feudalismo, a consequência imediata descrita no texto é o deslocamento populacional.
Subpasso 4.3 — Verificação A alternativa D ("aumento da circulação de pessoas") reflete com precisão o efeito imediato das notícias trazidas pelos cruzados — mais gente saindo da Europa em direção ao Oriente. Confirma-se.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) decadência das ordens mendicantes. ❌ Incorreta: ordens mendicantes (franciscanos, dominicanos) surgem no século XIII, em pleno período das Cruzadas, e se fortaleceram — não decaíram — com esse movimento; além disso, o texto nada diz sobre mendicância.
B) surgimento das trocas comerciais. ❌ Incorreta: trocas comerciais já existiam antes das Cruzadas (rotas bizantinas, muçulmanas, italianas) — as Cruzadas ampliaram/reativaram o comércio, não o fizeram surgir. Mais importante: o texto enfatiza o apelo por colonos e guerreiros, não a inauguração do comércio.
C) fragilização do sistema feudal. ❌ Incorreta: embora historicamente as Cruzadas tenham enfraquecido o feudalismo a longo prazo, o recorte do texto é sobre o apelo à nova Cruzada (curto prazo imediato); a fragilização feudal é efeito indireto, não o que se extrai diretamente dos relatos citados.
D) aumento da circulação de pessoas. ✅ Correta: o texto é explícito: "necessidade de guerreiros e colonos", "partida de uma nova Cruzada", "aventureiros" — tudo indica deslocamento humano crescente.
E) crescimento da desestruturação religiosa. ❌ Incorreta: o inverso — o texto mostra a Igreja reforçando sua autoridade ("bênçãos dos pregadores"). A desestruturação religiosa cristã (Cisma do Oriente, Reforma) tem outras causas e cronologia diversa.
🏆 Gabarito: D — o chamado por guerreiros, colonos e aventureiros resultou em massivo deslocamento populacional do Ocidente para o Oriente.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: o trecho enfatiza convocação de pessoas, e D é a única alternativa centrada em mobilidade humana
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente pede o efeito imediato e textualmente ancorado, não o efeito estrutural de longo prazo
- Generalização: sempre que o texto falar de "partida", "ida", "colonização", "peregrinação", priorize alternativas ligadas a mobilidade/migração
- Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas muito amplas (decadência total, surgimento do zero) — elas tendem a ultrapassar o que o texto sustenta
- Conexões com outros temas: Concílio de Clermont, Reino Latino de Jerusalém, Ordem dos Templários, comércio mediterrâneo, Renascimento comercial e urbano