Questão 55 — ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia
O homo economicus contemporâneo é dotado de intenso princípio de racionalidade formal que o leva:
1. a buscar sem qualquer hesitação a própria felicidade;
2. a dar a preferência aos objetos visíveis que lhe trarão o máximo de satisfação.
BAUDRILLARD, J. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1995 (adaptado).
Considerando o tipo de racionalidade descrita no texto, os projetos de autorrealização dominantes na contemporaneidade estão centrados no
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Sociedade de consumo; Baudrillard; homo economicus
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer o consumo como via de autorrealização simbólica
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Sociedade de consumo, cultura material e identidade (CH7)
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Em que se centra o projeto contemporâneo de autorrealização, segundo a racionalidade descrita?"
- Palavras-chave decisivas: homo economicus, racionalidade formal, felicidade, objetos visíveis, máximo de satisfação
- Armadilha típica: confundir autorrealização com moralidade, religiosidade ou cultura tradicional.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o consumo de bens visíveis projeta status — ou seja, funciona como capital simbólico.
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Homo economicus: agente racional moderno que busca maximizar utilidade/satisfação pessoal; em Baudrillard, contemporâneo significa o consumidor orientado por signos.
- Sociedade de consumo (Baudrillard): os objetos não são valorizados pela utilidade, mas pelo que significam — prestígio, status, distinção.
- Capital simbólico (Bourdieu, presente na tradição que Baudrillard dialoga): recursos de reconhecimento e prestígio associados a bens, práticas e pertencimentos; o consumo de "objetos visíveis" justamente acumula esse capital.
- Contexto: a obra de Baudrillard (1970) analisa o pós-guerra ocidental, em que a publicidade e a expansão de mercadorias transformam os bens em signos de posição social.
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "dar a preferência aos objetos visíveis" → o que interessa é aquilo que pode ser exibido ao outro.
- Evidência 2: "máximo de satisfação" → a realização pessoal se mede pelo acúmulo de signos de prestígio.
- Síntese: autorrealização se dá por meio do consumo ostensivo, que confere reconhecimento — capital simbólico.
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Decodificar "objetos visíveis" Ao insistir em objetos visíveis, Baudrillard mostra que o consumidor não busca a utilidade oculta dos bens, mas sua dimensão de ostentação. Consumir é se mostrar.
Subpasso 4.2 — Definir o núcleo da autorrealização Se a satisfação vem de bens visíveis, a autorrealização se traduz na acumulação de signos de prestígio — aquilo que a sociologia chama de capital simbólico: reconhecimento adquirido por meio de bens e estilos de vida.
Subpasso 4.3 — Verificação Eliminadas alternativas que apontam para moral, política, religião ou cultura regional, sobra o capital simbólico como tradução correta da racionalidade descrita.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) aprimoramento moral. ❌ Incorreta: a racionalidade descrita é da utilidade e da exibição, não do aperfeiçoamento ético-moral.
B) alinhamento político. ❌ Incorreta: o texto trata de consumo e felicidade individual, não de engajamento/ideologia política.
C) capital simbólico. ✅ Correta: a busca por objetos visíveis que trazem satisfação é literalmente a busca por capital simbólico — prestígio, reconhecimento social via bens.
D) vínculo religioso. ❌ Incorreta: a autorrealização do homo economicus contemporâneo, em Baudrillard, é laica e mercantil; não passa pelo sagrado.
E) valor cultural. ❌ Incorreta: "valor cultural" é amplo e vago demais; não capta a ideia específica de visibilidade/status que o texto sublinha.
🏆 Gabarito: C — autorrealização centrada na posse de bens visíveis equivale ao acúmulo de capital simbólico.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas C traduz corretamente a lógica de prestígio via consumo descrita por Baudrillard.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra sociologia do consumo (Baudrillard, Bauman, Bourdieu) em textos que destacam visibilidade e status.
- Generalização: na sociedade de consumo, a identidade se constrói pelos signos exibidos, não pelos valores interiores.
- Dica de eliminação rápida: se o texto fala em visibilidade, ostentação e objetos, pense em capital simbólico/status.
- Conexões com outros temas: modernidade líquida (Bauman), distinção (Bourdieu), fetichismo da mercadoria (Marx), marketing e publicidade.