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Questão 73ENEM 2024Caderno azul · 1º Dia

As capas dos folhetos de cordel, já então ilustradas por postais fotográficos, desenhos ou fotogramas de filmes, demoravam mais de uma semana para serem transformadas em clichês em Recife ou Fortaleza, o que levou a que santeiros e artesãos locais fossem requisitados para cortar na umburana — madeira preferida para o taco xilográfico pela facilidade do talhe e abundância — princesas, dragões, cangaceiros.

CARVALHO, G. Xilogravura: os percursos da criação popular. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros,
 n. 39, 1986 (adaptado).

No inicio do século XX, a incorporação da técnica de produção descrita no texto promoveu uma renovação da

Alternativas

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Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História/Artes → Cultura Popular → Cordel e Xilogravura no Nordeste Brasileiro
  • ⚡ Nível: Médio — exige compreender como a xilogravura transformou a estética visual da literatura de cordel.
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Cultura popular nordestina, literatura de cordel, xilogravura, identidade cultural regional, patrimônio imaterial.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que a incorporação da xilogravura promoveu nos folhetos de cordel no início do século XX?"
  • Palavras-chave decisivas: capas dos folhetos de cordel, xilogravura, renovação da estética editorial
  • Armadilha típica: Marcar B (narrativa literária) por pensar que a xilogravura mudou o conteúdo dos cordéis — mas o texto fala especificamente das capas e da técnica de produção visual, portanto é uma renovação estética e editorial, não literária.
  • O que a resposta precisa demonstrar: Que a substituição de clichês fotográficos importados pela xilogravura local representou uma renovação da estética visual e editorial dos folhetos de cordel.

📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Literatura de cordel: Gênero literário popular nordestino, de origem ibérica, caracterizado por folhetos rimados em versos que narram histórias de heróis, amores, disputas, religião. Vendidos pendurados em cordões ("cordel"). Patrimônio cultural imaterial reconhecido pela UNESCO (2018).
  • Xilogravura: Técnica de gravura em madeira — o artista entalhasse a imagem em um bloco de madeira (taco xilográfico) e imprime com tinta. Nas capas de cordel, substituiu os clichês fotográficos importados com imagens artesanais locais.
  • Estética editorial: O visual das publicações — o design das capas, o estilo das imagens, a identidade visual do produto. A xilogravura criou uma estética própria, reconhecível e tipicamente nordestina para os cordéis.

🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "as capas dos folhetos de cordel... demoravam mais de uma semana para serem transformadas em clichês em Recife ou Fortaleza" → problema logístico com o sistema anterior de capas fotográficas.
  • Evidência 2: "santeiros e artesãos locais foram requisitados para cortar na umburana... princesas, dragões, cangaceiros" → solução local, artesanal, criando imagens características.
  • Evidência 3: "incorporação da técnica de produção descrita promoveu uma renovação da..." → a pergunta é exatamente sobre o que foi renovado.
  • Síntese: A xilogravura renovou a estética editorial dos cordéis — criou uma identidade visual própria, artesanal e nordestina para as capas dos folhetos.

🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — O problema das capas antes da xilogravura As capas dos cordéis eram feitas com clichês fotográficos produzidos em Recife ou Fortaleza — processo demorado (mais de uma semana) e dependente de técnica fotográfica urbana e industrial. As imagens não eram especificamente criadas para os cordéis.

Subpasso 4.2 — A revolução da xilogravura Santeiros e artesãos locais do interior nordestino passaram a gravar imagens diretamente em madeira de umburana (madeira local abundante e fácil de talhar). Isso criou um estilo visual característico — as figuras toscas, expressivas e únicas de princesas, dragões e cangaceiros que se tornaram a marca registrada visual do cordel.

Subpasso 4.3 — O que foi renovado: a estética editorial A renovação foi visual e editorial — as capas ganharam uma estética própria, artesanal e regional. Isso não mudou a narrativa literária dos cordéis (as histórias continuaram as mesmas), mas transformou radicalmente sua identidade visual e editorial.

✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) manifestação jornalística. ❌ Incorreta: O cordel não é jornalismo. Embora por vezes abordasse eventos contemporâneos, é literatura popular, não jornalismo. A xilogravura não tem relação com jornalismo.

B) narrativa literária. ❌ Incorreta: A narrativa literária (histórias, rimas, temas) não foi alterada pela xilogravura. O texto fala exclusivamente das capas — o aspecto visual, não o conteúdo literário dos folhetos.

C) indústria regional. ❌ Incorreta: A xilogravura foi produzida por artesãos locais em escala artesanal, não industrial. O texto não descreve industrialização, mas artesanato local substituindo tecnologia importada.

D) estética editorial. ✅ Correta: A xilogravura transformou as capas dos cordéis — criando uma identidade visual própria, artesanal e regional que é hoje inseparável da estética editorial do cordel nordestino.

E) cultura erudita. ❌ Incorreta: O cordel é expressão da cultura popular, não erudita. A xilogravura reforçou esse caráter popular e artesanal, não aproximou o cordel da cultura erudita.

🏆 Gabarito: D — A incorporação da xilogravura nos folhetos de cordel promoveu uma renovação da estética editorial, criando uma identidade visual própria, artesanal e regional para as capas que se tornou marca característica dessa expressão cultural.

🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única correta porque o texto descreve especificamente uma transformação visual das capas dos cordéis — a substituição de clichês fotográficos por xilogravuras artesanais locais, que é uma renovação da estética editorial.
  • Padrão de cobrança: Cordel, xilogravura e cultura popular nordestina são temas recorrentes no ENEM. Questões sobre patrimônio cultural imaterial, identidade regional e cultura popular aparecem frequentemente.
  • Generalização: Quando o ENEM apresentar mudanças em suportes ou técnicas de expressão cultural popular, pense em estética e identidade visual, não em conteúdo literário ou industrial.
  • Dica de eliminação rápida: A (jornalismo = não é cordel), C (industrial = artesanal, não industrial), E (erudita = popular). Fica entre B e D; o texto fala de capas/imagens, não de narrativas.
  • Conexões com outros temas: Patrimônio Cultural Imaterial (Q074 - Círio de Nazaré), Cultura popular nordestina, Identidade regional brasileira, Artesanato como expressão cultural.

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