Mesma questão em outros cadernos
Questão 92 — ENEM 2022Caderno azul · 2º Dia
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a filariose e a leishmaniose são consideradas doenças tropicais infecciosas e constituem uma preocupação para a saúde pública por ser alto o índice de mortalidade a elas associado.
Uma medida profilática comum a essas duas doenças é o(a)
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Saúde Pública / Parasitologia; Ecologia (ciclos de vetores).
- ⚡ Nível: Fácil — é questão de aplicação direta do conceito de doença de transmissão vetorial, desde que o aluno reconheça os vetores envolvidos.
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Medidas profiláticas contra doenças infecciosas e parasitárias; ações coletivas de saúde pública.
- 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual medida de prevenção vale ao mesmo tempo para filariose e para leishmaniose?"
- Palavras-chave decisivas: filariose, leishmaniose, doenças tropicais infecciosas, medida profilática comum.
- Armadilha típica: achar que "é doença infecciosa → saneamento básico resolve", caindo em "construção de rede de esgoto". Esgoto é fundamental para helmintoses transmitidas por fezes (ascaridíase, esquistossomose, amebíase), mas não quebra o ciclo de doenças transmitidas por picada de inseto.
- O que a resposta precisa demonstrar: saber que ambas as doenças são transmitidas por vetores (mosquitos/flebotomíneos) e que, portanto, a profilaxia comum é o combate ao vetor.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Filariose (elefantíase): causada pelo nematódeo Wuchereria bancrofti. O verme vive no sistema linfático do ser humano e é transmitido pela picada da fêmea do mosquito Culex quinquefasciatus (conhecido popularmente como "muriçoca"/"pernilongo doméstico"). A obstrução dos vasos linfáticos provoca o inchaço característico de pernas e escroto.
- Leishmaniose (visceral ou tegumentar): causada pelo protozoário Leishmania sp. É transmitida pela picada de flebotomíneos, pequenos mosquitos chamados popularmente de "mosquito-palha" (gêneros Lutzomyia e Phlebotomus). Ataca pele/mucosas (tegumentar) ou órgãos internos como fígado e baço (visceral).
- Doenças vetoriais: o que liga filariose e leishmaniose é o fato de ambas dependerem de um inseto hematófago como vetor. Interromper a transmissão significa reduzir a densidade populacional do inseto e evitar a picada.
- Medidas profiláticas clássicas contra vetores: eliminação de criadouros (água parada, matéria orgânica), aplicação de inseticidas em ambientes domiciliares e peridomiciliares, uso de telas, mosquiteiros e repelentes, educação da população, manejo de reservatórios animais (no caso da leishmaniose visceral, cães infectados).
- Contraste com outras medidas: saneamento básico (esgoto) quebra o ciclo oral-fecal; cozimento de carnes combate teníase/triquinose; vermífugos tratam geo-helmintoses ou filariose individualmente (uso em massa em áreas endêmicas, mas não é a medida "comum" clássica); incineração de lixo orgânico tem efeito marginal frente ao ciclo vetorial.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "filariose e a leishmaniose são consideradas doenças tropicais infecciosas" → o enunciado já enquadra as duas como doenças de áreas quentes/úmidas, compatíveis com a biologia dos insetos vetores.
- Evidência 2: "medida profilática comum a essas duas doenças" → a palavra "comum" é chave: a resposta precisa funcionar para AMBAS, não apenas para uma. Isso exclui medidas que só resolvem uma (vermífugo combate melhor filariose do que leishmaniose, por exemplo).
- Evidência 3: o enunciado não cita ingestão de alimentos, fezes, água contaminada ou contato sexual. Nenhuma dessas vias é a principal rota dessas doenças — o que reforça a hipótese vetorial.
- Síntese: como ambas dependem de um vetor artrópode hematófago, o único ponto de intervenção que vale para as duas é atacar o vetor.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconhecer vetor de cada doença
- Filariose: mosquito Culex.
- Leishmaniose: flebotomíneo (mosquito-palha).
Ambos são dípteros hematófagos, criam-se em ambientes com matéria orgânica e/ou água e são controláveis por métodos clássicos de combate a insetos.
Subpasso 4.2 — Avaliar a profilaxia aplicável a ambos
Eliminar criadouros, reduzir a população de mosquitos, aplicar inseticidas, proteger residências com tela e repelente: tudo isso age simultaneamente sobre Culex e sobre flebotomíneos. Essa é a definição de "controle de vetores", exatamente o que a alternativa D descreve.
Subpasso 4.3 — Descartar outras medidas
Rede de esgoto, vermífugo, cozimento de carne e incineração de lixo têm efeito sobre outros grupos de doenças (parasitoses intestinais, triquinose/cisticercose, etc.), mas não quebram a transmissão vetorial das duas doenças citadas.
Subpasso 4.4 — Verificação
A única alternativa que ataca simultaneamente o elo comum do ciclo de filariose e leishmaniose — o vetor — é a D.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) incineração do lixo orgânico.
❌ Incorreta: reduz atração de moscas e ratos e diminui criadouros marginais, mas não é a intervenção central. Filariose e leishmaniose são transmitidas por picada de insetos que se reproduzem em água parada/matéria orgânica úmida; a simples queima de lixo orgânico doméstico não elimina essas populações de forma significativa. Não é a "medida profilática comum" clássica dessas doenças.
B) construção de rede de esgoto.
❌ Incorreta: esgoto sanitário é eficaz contra doenças transmitidas por fezes e água contaminada (esquistossomose, amebíase, cólera, hepatite A, ascaridíase). Filariose e leishmaniose não são transmitidas por via fecal-oral; o parasita precisa passar pelo inseto vetor. Esgoto tratado não interrompe esse ciclo.
C) uso de vermífugo pela população.
❌ Incorreta: vermífugos (antihelmínticos) podem tratar filariose se usados como parte de campanhas específicas, mas não têm efeito sobre leishmaniose, que é causada por protozoário (Leishmania) e tratada por antimoniais ou anfotericina B. Portanto não é medida comum às duas doenças.
D) controle das populações dos vetores.
✅ Correta: filariose é transmitida pelo mosquito Culex, leishmaniose pelo flebotomíneo (mosquito-palha). Reduzir a população desses insetos — por eliminação de criadouros, inseticidas, telas, manejo ambiental — quebra a transmissão das duas doenças ao mesmo tempo. É exatamente a definição de "medida profilática comum".
E) consumo de carnes vermelhas bem cozidas.
❌ Incorreta: cozinhar carne bovina elimina Taenia saginata (teníase), e suína elimina Taenia solium e Trichinella. Filariose e leishmaniose não são adquiridas por ingestão de carne — o parasita é injetado pela picada do inseto. Medida sem relação com o mecanismo de transmissão dessas doenças.
🏆 Gabarito: D — ambas as doenças dependem de vetor hematófago, então reduzir a população do vetor é a única profilaxia que vale para as duas simultaneamente.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas o controle do vetor atua sobre o elo comum dos dois ciclos biológicos (a picada do inseto transmissor), o que torna D a única resposta válida.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma listar duas ou três doenças tropicais e pedir a medida comum de prevenção. A chave é identificar se são transmitidas pelo mesmo tipo de rota (vetorial, fecal-oral, sexual, respiratória) e eleger a medida que ataca essa rota.
- Generalização: doenças vetoriais (dengue, febre amarela, zika, chikungunya, filariose, leishmaniose, malária, doença de Chagas) têm em comum o combate ao inseto como profilaxia-chave.
- Dica de eliminação rápida: se o enunciado menciona mosquito, flebotomíneo, barbeiro, carrapato ou qualquer outro artrópode transmissor, a resposta esperada quase sempre fala de "controle de vetores", "eliminação de criadouros" ou "uso de inseticida/mosquiteiro".
- Conexões com outros temas: ciclos parasitários, saneamento básico, zoonoses, vacinação, reservatórios animais, epidemiologia e indicadores de saúde pública.