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Questão 74 — ENEM 2022Caderno azul · 1º Dia

Uma característica regional que justifica o maior. potencial anual médio para o aproveitamento da: energia solar é a reduzida
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Climatologia + Fontes de Energia (energia solar e fatores climáticos regionais)
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar leitura de mapa temático com fatores que controlam a radiação solar incidente.
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Compreensão dos fatores climáticos que determinam o potencial de aproveitamento de fontes renováveis no território brasileiro.
- 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Identifique a característica regional cuja redução é responsável pelo maior potencial médio anual de geração de energia solar no Brasil."
- Palavras-chave decisivas: potencial anual médio, energia solar, reduzida.
- Armadilha típica: Confundir o que está sendo perguntado. A questão NÃO pede o que precisa ser alto para ter muita radiação (a latitude tropical, por exemplo); pede o que precisa ser BAIXO. O elemento certo é aquele cuja escassez na região mais ensolarada explica a chegada de mais energia ao solo.
- O que a resposta precisa demonstrar: Saber que a radiação solar que efetivamente atinge a superfície depende da transparência da atmosfera. Quanto menos obstáculo (nuvens, vapor d'água, particulados), maior o aproveitamento — e o Sertão nordestino é o caso paradigmático no Brasil.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Radiação solar global horizontal: É a energia total do Sol que chega a uma superfície horizontal por metro quadrado. Soma a radiação direta (raios diretos) com a radiação difusa (espalhada pela atmosfera). É a métrica usada no mapa do enunciado, expressa em kWh/m² por dia.
- Nebulosidade: Fração do céu coberta por nuvens em determinado período. Nuvens refletem parte da radiação solar de volta ao espaço (efeito albedo) e absorvem outra parte, reduzindo a energia que chega ao solo. Regiões com pouca nebulosidade média anual recebem mais radiação útil.
- Clima semiárido do Sertão nordestino: Caracteriza-se por baixa pluviosidade, baixa umidade do ar e céu predominantemente limpo durante a maior parte do ano. Esses três elementos andam juntos: pouca chuva implica poucas nuvens, e poucas nuvens implicam grande incidência solar direta.
- Latitude e radiação: A intensidade teórica da radiação solar no topo da atmosfera é maior em latitudes baixas (próximas ao Equador). Mas o que chega ao solo depende da atmosfera. Por isso o Norte equatorial, apesar da latitude favorável, recebe menos radiação útil que o Nordeste — a Amazônia é coberta de nuvens.
- Continentalidade: Distância em relação ao oceano. Influencia amplitude térmica e umidade, mas não é o fator decisivo para o potencial solar brasileiro.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
A imagem é um mapa do Brasil intitulado "Radiação Solar Global Horizontal Média Anual", produzido pelo INPE (Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2006). A legenda na base do mapa exibe uma escala de cores que vai de 3,15 kWh/m²/dia (tonalidade mais clara) até 6,65 kWh/m²/dia (tonalidade mais escura), com intervalos de cerca de 0,35 kWh/m²/dia entre cada faixa.
A leitura visual revela um padrão geográfico nítido:
- O Sul do país (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná) aparece com as tonalidades mais claras, indicando os MENORES valores de radiação solar — entre 3,5 e 4,5 kWh/m²/dia.
- A Amazônia (Norte) mostra valores intermediários, na faixa de 4,5 a 5,5 kWh/m²/dia, apesar de estar próxima ao Equador.
- O Nordeste, em especial o interior semiárido (Sertão da Bahia, Pernambuco, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte), aparece com as tonalidades mais escuras, atingindo os MAIORES valores: 6,30 a 6,65 kWh/m²/dia.
- Trechos do Centro-Oeste e do Sudeste interiorano também mostram valores elevados, mas inferiores aos do sertão.
- Evidência 1: "potencial anual médio para o aproveitamento da energia solar" → o critério é energia que efetivamente chega ao solo durante o ano todo, o que afasta fatores instantâneos.
- Evidência 2: "característica regional que justifica o maior potencial" → a resposta tem de ser o fator regional que explica POR QUE o sertão lidera, não o que torna o Sul ruim.
- Evidência 3: "a reduzida [...]" → a banca antecipa que o atributo correto deve ser BAIXO, ou seja, escasso, na região mais ensolarada.
- Síntese: A pergunta exige identificar qual variável regional, quando minimizada, maximiza a entrada de radiação solar. A pista geográfica é o Sertão (Nordeste semiárido), e a marca climática mais característica dessa região, depois da seca, é o céu limpo na maior parte do ano.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a região com maior potencial
O mapa mostra inequivocamente que o interior do Nordeste — o Sertão semiárido — concentra os mais altos valores de radiação solar global horizontal anual do Brasil (acima de 6,0 kWh/m²/dia). É justamente nessa região que estão sendo instaladas as maiores plantas de energia fotovoltaica do país, como Pirapora (MG, em zona de transição), Ituverava (BA) e os complexos de São João do Piauí, Coremas (PB) e Bom Jesus da Lapa (BA).
Subpasso 4.2 — Buscar o fator climático que distingue o Sertão
O Sertão fica em latitudes próximas ao Equador (entre 5° e 15° Sul), portanto a radiação no topo da atmosfera é alta. Mas a Amazônia também está em latitude baixa e NÃO atinge esses valores. A diferença não está, portanto, na latitude — está no que acontece com a radiação ao atravessar a atmosfera. Na Amazônia, a alta umidade gera nebulosidade densa quase diariamente; no Sertão, a aridez gera céu limpo na maior parte do ano. Quanto menos nuvens, mais radiação solar atinge o solo.
Subpasso 4.3 — Eliminar fatores irrelevantes
A declividade do relevo praticamente não interfere no potencial solar de uma região plana ou pouco acidentada como o Sertão. A extensão longitudinal influencia apenas a duração do dia ao longo de fusos horários, sem afetar a intensidade média anual de radiação. A irregularidade pluviométrica é consequência da seca, mas não é a causa direta da maior radiação. A continentalidade contribui para a aridez, mas é um fator geográfico geral, não a propriedade atmosférica que explicitamente filtra a radiação.
Subpasso 4.4 — Verificação
A relação física é direta e mensurável: cobertura de nuvens reduz a radiação direta ao solo. O Atlas Brasileiro de Energia Solar do INPE é explícito ao apontar que o Nordeste lidera o ranking porque combina baixa nebulosidade média anual (em torno de 30%) com latitude baixa. A resposta correta é, portanto, a alternativa que aponta a NEBULOSIDADE ATMOSFÉRICA reduzida.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) declividade do relevo.
❌ Incorreta: A inclinação do terreno não tem relação significativa com a quantidade de radiação solar incidente em uma região. Painéis fotovoltaicos podem ser instalados em qualquer topografia (inclusive são orientados artificialmente em qualquer ângulo) e o Sertão, paradigma do maior potencial, é predominantemente plano (Depressão Sertaneja). A declividade é um fator de geomorfologia, não um filtro da radiação.
B) extensão longitudinal.
❌ Incorreta: A longitude define fusos horários e o horário em que o Sol nasce e se põe, mas não altera a quantidade média anual de energia solar recebida. Brasil e Chile, em longitudes diferentes, têm potenciais solares parecidos quando estão em latitudes equivalentes. O fator pertinente seria a latitude — e ainda assim apenas como condição inicial, não como característica que precise ser "reduzida".
C) nebulosidade atmosférica.
✅ Correta: A nebulosidade reduzida do Sertão semiárido — resultado da baixa umidade e da escassez de chuvas — permite que a radiação solar direta atinja o solo durante praticamente todo o ano. Menos nuvens significam menos reflexão (albedo) e menos absorção atmosférica, maximizando a chegada da radiação ao painel solar. É exatamente esse o critério usado pelo INPE no mapa para classificar o Nordeste como o de maior potencial fotovoltaico do Brasil.
D) irregularidade pluviométrica.
❌ Incorreta: A irregularidade pluviométrica do Sertão (chuvas concentradas em poucos meses) é consequência do clima semiárido, mas não é o fator físico que explica a maior radiação. O que importa para a radiação solar é a presença ou ausência de nuvens em si, não o regime de chuvas. Além disso, "reduzida irregularidade pluviométrica" significaria chuvas regulares, justamente o oposto do que ocorre no Sertão.
E) influência da continentalidade.
❌ Incorreta: A continentalidade refere-se ao distanciamento do mar, que aumenta a amplitude térmica e tende a reduzir a umidade. Embora contribua indiretamente para a aridez sertaneja, não é a "característica regional" que explica diretamente o potencial solar. O fator decisivo é o que ocorre na atmosfera local — a baixa cobertura de nuvens —, não a posição em relação à costa. Aliás, em parte do litoral nordestino o potencial também é alto, mostrando que a continentalidade não é determinante.
🏆 Gabarito: C — A reduzida nebulosidade atmosférica do Sertão nordestino, marca do clima semiárido, é o fator regional direto que permite a maior chegada de radiação solar ao solo, justificando o maior potencial de geração fotovoltaica do país.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: Apenas a nebulosidade é uma propriedade atmosférica que filtra fisicamente a radiação solar. Reduzi-la implica diretamente aumentar a energia solar disponível na superfície — e é isso que explica o destaque do Sertão no Atlas do INPE.
- Padrão de cobrança: O ENEM gosta de cruzar mapas temáticos de fontes de energia (solar, eólica, hidrelétrica) com fatores climáticos regionais. Já apareceu cobrando ventos alísios e potencial eólico do litoral nordestino, regime hidrológico e potencial hidrelétrico, e radiação solar versus semiaridez.
- Generalização: Sempre que uma fonte de energia depender de um elemento natural (sol, vento, chuva, biomassa), o potencial regional é determinado pela combinação entre latitude e características climáticas locais. Para a energia solar, a regra é simples: menos nuvens, mais energia.
- Dica de eliminação rápida: Em 30 segundos, descarte tudo que não seja propriedade atmosférica capaz de filtrar a radiação. Declividade (relevo), extensão longitudinal (cartografia) e continentalidade (geografia física geral) são mecanismos que NÃO atuam diretamente sobre os fótons. Restam nebulosidade e irregularidade pluviométrica — e só a primeira é uma propriedade óptica da atmosfera.
- Conexões com outros temas: matriz energética brasileira; energias renováveis e Acordo de Paris; semiaridez e desertificação no Nordeste; políticas públicas para o sertão (transposição do São Francisco, complexos fotovoltaicos); biomas Caatinga e adaptação climática.