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Questão 72 — ENEM 2022Caderno azul · 1º Dia
Brasileiros levam mais tempo de casa para o trabalho
Pesquisa do IBGE aponta que a situação é mais grave no Sudeste: 13% das pessoas levam mais de uma hora para chegar ao trabalho. Nas regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio, o IBGE registrou os maiores percentuais de trabalhadores que levam mais de uma hora no trajeto até o emprego. Quem vê o Marcelo chegar ao trabalho nem imagina a maratona que ele enfrenta todos os dias antes das 5 h. “Acordo 4 h 30, saio de casa 5 h, pego trem 5 h 20, chego na Central umas 6 h 50, pego ônibus e chego no trabalho mais ou menos 7 h 10º, conta, Segundo especialista, são os mais pobres os que moram mais longe do emprego.
Disponfvel em: www portaldotransito. com.br Acesso em: 23 nov, 2021 (adaptado).
A pesquisa desenvolvida retrata a seguinte dinâmica populacional:
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Demografia urbana, mobilidade e tipos de migração
- ⚡ Nível: Fácil — exige reconhecer um conceito demográfico clássico (movimento pendular) a partir de uma descrição cotidiana
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Dinâmicas populacionais e urbanização (CH-7: analisar a dinâmica populacional e a estrutura sociocultural das cidades brasileiras)
- 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual conceito demográfico descreve o deslocamento diário casa→trabalho→casa em metrópoles brasileiras?"
- Palavras-chave decisivas: mais de uma hora para chegar ao trabalho, regiões metropolitanas, trem... ônibus, acordo 4h30, saio de casa 5h, mais pobres moram mais longe do emprego
- Armadilha típica: confundir "migração" com qualquer deslocamento. Migração pressupõe mudança de residência; já o ir-e-vir diário é outro fenômeno. Outra armadilha é interpretar como "deslocamento forçado" ou "fluxo de retorno", já que o texto menciona dificuldades — mas o conceito-chave aqui é puramente espaço-temporal e cotidiano, não político ou definitivo.
- O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o trajeto descrito é diário, repetitivo e sem mudança de domicílio — características exatas do que a Geografia chama de movimento pendular.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Migração: deslocamento populacional com mudança de residência permanente (ou de longa duração) entre dois lugares. Pode ser interna (dentro do país) ou internacional. O fluxo do Nordeste para o Sudeste a partir dos anos 1950 é um exemplo clássico de migração interna.
- Movimento pendular: deslocamento diário entre o local de moradia e o local de trabalho ou estudo, sem alteração do domicílio. Recebe esse nome porque o trabalhador vai e volta como o pêndulo de um relógio. É típico de áreas metropolitanas, onde a periferia dormitório se distancia dos polos de emprego.
- Mudança sazonal (transumância): deslocamento periódico ligado às estações do ano, geralmente associado à atividade agropecuária (pastoreio) ou ao turismo. Não tem caráter diário.
- Fluxo de retorno: modalidade de migração na qual a pessoa volta ao lugar de origem, normalmente depois de anos no destino. Tem caráter definitivo ou de longa duração, jamais diário.
- Deslocamento forçado: movimento provocado por fatores externos coercitivos — guerras, perseguições, desastres ambientais, expulsões. Implica abandono do domicílio sob pressão, e não rotina diária de trabalho.
- Periferização e mobilidade urbana: processo pelo qual os trabalhadores de menor renda ocupam áreas distantes do centro econômico, onde a terra é mais barata, gerando longas jornadas diárias de transporte. Esse processo é causa direta da intensificação dos movimentos pendulares.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Brasileiros levam mais tempo de casa para o trabalho" → o título já fixa o eixo: casa↔trabalho, ou seja, dois pontos fixos que se repetem. Isso elimina qualquer alternativa que envolva mudança de moradia.
- Evidência 2: "Acordo 4 h 30, saio de casa 5 h, pego trem 5 h 20, chego na Central umas 6 h 50, pego ônibus e chego no trabalho mais ou menos 7 h 10" → descrição minuciosa de uma rotina diária. Marcelo dorme em casa todas as noites e volta lá no fim do dia. Não há migração: há rotina.
- Evidência 3: "os mais pobres são os que moram mais longe do emprego" → causa estrutural do fenômeno: a periferização das classes trabalhadoras nas regiões metropolitanas. Esse dado confirma que estamos falando de um padrão urbano-metropolitano consolidado, não de evento isolado.
- Síntese: as três evidências apontam para um deslocamento diário, casa↔trabalho, sem mudança de residência, característico das áreas metropolitanas. Esse é o conceito de movimento pendular.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o tipo de deslocamento descrito
O depoimento de Marcelo descreve um trajeto repetido todos os dias com hora de saída fixa, modal sequenciado (trem + ônibus) e horário previsível de chegada. Não há mudança de endereço, não há sazonalidade, não há coerção externa. O traço definidor é a periodicidade diária entre dois pontos fixos.
Subpasso 4.2 — Aplicar a definição técnica
A Geografia urbana chama esse deslocamento de movimento pendular (em inglês, commuting). Ele aparece tipicamente em regiões metropolitanas onde existe um polo concentrador de empregos (centro da metrópole) e uma coroa periférica residencial (cidades-dormitório). O nome vem da analogia com o pêndulo: vai e volta, vai e volta, sempre entre os mesmos dois pontos.
Subpasso 4.3 — Conectar com o contexto brasileiro
No Brasil, as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro citadas no texto são casos clássicos. Trabalhadores que moram em municípios como Itaboraí, Nova Iguaçu, Magé (no Rio) ou Itaquaquecetuba, Mauá, Suzano (em SP) deslocam-se diariamente para a capital, onde estão os empregos. A causa estrutural é a segregação socioespacial: o solo urbano central é caro, e os trabalhadores de baixa renda são empurrados para a periferia, onde podem pagar a moradia, mas pagam o preço com horas a fio de transporte.
Subpasso 4.4 — Verificação
A descrição do Marcelo (trem 5h20 + ônibus, mais de duas horas de trajeto) é exemplar do conceito. Todas as outras alternativas envolvem ou mudança de residência (B, A, E) ou periodicidade não diária (C). Apenas a opção que nomeia diretamente o deslocamento diário corresponde ao caso.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Fluxo de retorno.
❌ Incorreta: fluxo de retorno designa a migração de pessoas que voltam à região de origem depois de anos morando em outra — por exemplo, nordestinos que retornaram de São Paulo nas últimas décadas. Implica mudança de domicílio, e é um movimento de longo prazo. Nada disso aparece no relato de Marcelo, que vai e volta no mesmo dia.
B) Migração interna.
❌ Incorreta: migração interna é o deslocamento populacional entre regiões do mesmo país com mudança de residência (ex.: Nordeste→Sudeste). O texto não descreve mudança de moradia — Marcelo continua morando no mesmo lugar todos os dias. Confundir mobilidade diária com migração é um erro conceitual clássico.
C) Mudança sazonal.
❌ Incorreta: mudança sazonal está atrelada a estações do ano ou a ciclos agrícolas/pesqueiros, como a transumância de pastores ou a migração de trabalhadores rurais para colheita. O deslocamento de Marcelo é diário e contínuo, sem qualquer ligação com sazonalidade.
D) Movimento pendular.
✅ Correta: o movimento pendular é exatamente o ir-e-vir diário casa↔trabalho dentro de uma região metropolitana, sem mudança de residência. O relato de Marcelo (sai 5h, volta no fim do dia, todos os dias) e os dados do IBGE sobre tempo de deslocamento descrevem com precisão esse fenômeno.
E) Deslocamento forçado.
❌ Incorreta: deslocamento forçado pressupõe coerção externa — guerra, perseguição, desastre, expulsão violenta — que obriga a pessoa a abandonar seu lar. Marcelo não foi expulso de lugar nenhum: ele escolheu (dentro das suas possibilidades econômicas) onde morar e onde trabalhar. A dificuldade é real, mas não se enquadra na categoria técnica de deslocamento forçado.
🏆 Gabarito: D — o trajeto diário casa↔trabalho descrito por Marcelo, repetido sem mudança de residência, é a definição exata de movimento pendular típico das regiões metropolitanas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa em que o conceito coincide com as três marcas do enunciado: (1) periodicidade diária, (2) dois pontos fixos casa↔trabalho, (3) sem mudança de domicílio.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra reiteradamente os conceitos de mobilidade urbana e tipos de migração. Quase sempre apresenta um relato cotidiano e exige que o aluno classifique o fenômeno. Vale memorizar: pendular = diário; sazonal = ciclo do ano; migração interna = mudança de residência dentro do país; retorno = volta ao lugar de origem; forçado = coerção externa.
- Generalização: sempre que o enunciado descrever rotina de transporte casa→trabalho/estudo→casa, a resposta é movimento pendular. Sempre que houver mudança de endereço, será migração. Os marcadores temporais (dia, mês, ano, ciclo) são a chave para distinguir.
- Dica de eliminação rápida: identifique se o relato envolve mudança de moradia. Se não, descarte de imediato A, B e E. Restam C (sazonal) e D (pendular): basta perguntar "é diário ou ligado a estações do ano?". Resposta: diário → D.
- Conexões com outros temas: segregação socioespacial e periferização nas metrópoles brasileiras; cidades-dormitório; mobilidade urbana e direito à cidade (Estatuto da Cidade, 2001); planejamento de transporte coletivo; críticas de Milton Santos ao "uso desigual do território".