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Questão 49 — ENEM 2022Caderno azul · 1º Dia


A intensificação da ocupação urbana demonstrada afeta de forma imediata o(a)
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Ciclo hidrológico e impactos da urbanização nos recursos hídricos
- ⚡ Nível: Médio — exige leitura comparativa de quatro esquemas com variação percentual de fluxos de água
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Meio ambiente urbano e hidrologia — analisar como a impermeabilização do solo altera os componentes do ciclo hidrológico local
- 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Quando a cidade se adensa e o solo fica coberto por asfalto e concreto, qual processo natural é afetado de forma imediata?"
- Palavras-chave decisivas: intensificação da ocupação urbana, afeta, de forma imediata
- Armadilha típica: confundir consequências de longo prazo (clima, relevo, rochas) com consequências imediatas que dependem apenas da cobertura do solo. O aluno desavisado pode ser atraído por "padrão climático" porque sabe que cidade aquece, ou por "nível altimétrico" porque imagina alterações do terreno — mas ambos são efeitos mediados, lentos ou indiretos, enquanto os dados da figura medem alterações instantâneas nos fluxos da água.
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que a impermeabilização do solo urbano redistribui, no mesmo momento, a proporção entre evapotranspiração, escoamento superficial, infiltração subsuperficial e percolação profunda — ou seja, afeta diretamente o ciclo da água.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Ciclo hidrológico: é o conjunto de trocas constantes de água entre atmosfera, superfície e subsolo. Os processos fundamentais são evaporação, transpiração dos vegetais (juntas chamadas de evapotranspiração), precipitação, escoamento superficial (a água que corre sobre o terreno até rios), infiltração (água que penetra nas camadas superficiais do solo) e percolação profunda (água que desce e recarrega aquíferos subterrâneos).
- Impermeabilização urbana: asfalto, concreto, telhados e calçamentos criam uma cobertura que impede a água da chuva de penetrar no solo. Quanto maior a proporção de superfície impermeável, menos água infiltra e mais água escoa por cima, sobrecarregando bueiros e canais.
- Enchentes urbanas e recarga de aquíferos: são os dois efeitos-irmãos da impermeabilização. Como a chuva não consegue penetrar no solo, a vazão dos rios urbanos aumenta em minutos (enchentes-relâmpago) e os lençóis freáticos deixam de ser abastecidos, comprometendo nascentes e poços no médio prazo.
- Tempo de resposta dos sistemas naturais: tectônica de placas, estrutura de rochas e relevo regional operam em escalas geológicas de milhares a milhões de anos; clima regional tem variação de décadas; já o ciclo hidrológico local é alterado em segundos — no instante em que a gota de chuva encontra uma superfície impermeável, seu destino muda.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
A questão traz quatro esquemas verticais, empilhados, que comparam o destino da água da chuva em diferentes estágios de ocupação do solo. Em cada quadro, setas indicam quatro fluxos: evapotranspiração (seta para cima), escoamento superficial (seta sobre o terreno), infiltração subsuperficial (seta curta para baixo, logo abaixo da camada vegetal) e percolação profunda (seta longa para o subsolo).
- Evidência 1: "Cobertura natural do solo" — primeiro esquema, com duas árvores sobre gramado, sem construções. Os valores são: evapotranspiração 40%, escoamento superficial 10%, infiltração subsuperficial 25%, percolação profunda 25%. Metade da água (25% + 25% = 50%) entra no solo.
- Evidência 2: "10% — 20% de superfície impermeável" — segundo esquema, com uma casa entre vegetação. Evapotranspiração cai para 38%, escoamento dobra para 20%, infiltração subsuperficial recua para 21%, percolação profunda também para 21%. A água que entra no solo já é de 42%.
- Evidência 3: "35% — 50% de superfície impermeável" — terceiro esquema, com casas ocupando a paisagem. Evapotranspiração 35%, escoamento triplica para 30%, infiltração subsuperficial 20% e percolação profunda 15%. O total infiltrado cai para 35%.
- Evidência 4: "75% — 100% de superfície impermeável" — quarto esquema, dominado por prédios altos e casas coladas umas às outras. Evapotranspiração 30%, escoamento explode para 55%, infiltração subsuperficial 10%, percolação profunda 5%. Apenas 15% da água entra no solo; mais da metade corre pela superfície.
- Síntese: os quadros mostram uma relação direta e imediata entre o grau de impermeabilização e a redistribuição dos quatro fluxos de água. À medida que o solo é coberto, o escoamento superficial dispara (de 10% para 55%) enquanto a infiltração e a percolação despencam (de 50% para 15% somadas). Esses números descrevem exatamente o comportamento do ciclo hidrológico local.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que está sendo medido na figura
Antes de saltar para alternativas, é preciso entender o que cada seta representa. Os quatro fluxos mostrados — evapotranspiração, escoamento superficial, infiltração subsuperficial e percolação profunda — são, todos, etapas do ciclo hidrológico. A figura não mede temperatura, nem altitude do terreno, nem camadas rochosas: mede para onde vai a água da chuva em cada cenário.
Subpasso 4.2 — Acompanhar a variação dos fluxos conforme a urbanização aumenta
Comparando os quatro quadros:
- Escoamento superficial: 10% → 20% → 30% → 55%. Aumenta mais de cinco vezes.
- Infiltração subsuperficial: 25% → 21% → 20% → 10%. Cai pela metade.
- Percolação profunda: 25% → 21% → 15% → 5%. Cai para um quinto do valor original.
- Evapotranspiração: 40% → 38% → 35% → 30%. Também cai, porque há menos vegetação para transpirar.
Essa redistribuição é imediata: no momento em que a chuva cai, ela encontra o asfalto e escorre, em vez de penetrar. Não precisa passar uma geração para esse efeito aparecer — ele ocorre na primeira chuva depois que o solo é pavimentado.
Subpasso 4.3 — Conectar a variação observada ao conceito geográfico
O conjunto desses quatro fluxos, operando simultaneamente, é exatamente a definição do ciclo hidrológico no nível local. Quando um fluxo cresce à custa de outro, dizemos que o ciclo hidrológico foi alterado. A impermeabilização urbana, portanto, redistribui as parcelas desse ciclo — menos água volta ao solo e à atmosfera pela vegetação, mais água corre superficialmente e vai direto para os rios (gerando enchentes urbanas).
Subpasso 4.4 — Descartar as demais opções pelo critério "imediato"
Uma alternativa só é aceitável se descrever um processo alterado de forma imediata pela intensificação da ocupação urbana. Tectônica de placas, estrutura de rochas e nível altimétrico operam em tempo geológico — não mudam num único evento de chuva. Padrão climático muda em escala de décadas, através da formação de ilhas de calor e alteração da umidade atmosférica regional, mas não é a primeira coisa afetada nem é o que a figura mede. Resta apenas o ciclo hidrológico como resposta coerente com os dados mostrados.
Subpasso 4.5 — Verificação
A figura mostra variação em porcentagens de evapotranspiração, escoamento, infiltração e percolação — os quatro componentes do ciclo da água. A urbanização redistribui esses percentuais de forma mensurável já no primeiro evento de chuva. Portanto, o processo imediatamente afetado é o ciclo hidrológico. Confirmado.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) nível altimétrico.
❌ Incorreta: o nível altimétrico é a altitude do terreno em relação ao mar. A construção de casas e prédios não altera a altitude do relevo de forma mensurável, e os dados da figura não tratam de altura nenhuma — tratam de percentuais de destino da água. Relevo só muda em escala de séculos ou milênios, por erosão ou movimentos tectônicos, nunca de forma imediata pela ocupação urbana.
B) ciclo hidrológico.
✅ Correta: os quatro fluxos mostrados na figura (evapotranspiração, escoamento superficial, infiltração subsuperficial e percolação profunda) são componentes diretos do ciclo hidrológico. À medida que a superfície impermeável cresce, o escoamento superficial sobe de 10% para 55% e a infiltração despenca de 50% (somadas as duas camadas) para 15%. Essa redistribuição acontece já na primeira chuva após a pavimentação — é o efeito imediato da urbanização.
C) padrão climático.
❌ Incorreta: a urbanização altera sim o clima urbano (ilhas de calor, microclimas, umidade), mas essa alteração não é imediata — depende do acúmulo de décadas de concreto, emissão de calor e remoção de vegetação. Além disso, a figura não mostra temperatura, precipitação ou umidade, apenas fluxos de água. O padrão climático é consequência de segunda ordem da impermeabilização, não seu efeito direto.
D) tectônica de placas.
❌ Incorreta: tectônica de placas é o movimento de blocos da litosfera terrestre em escala de milhões de anos, causado por forças do manto. A ocupação urbana não tem qualquer efeito sobre esse processo — cidades crescem sobre placas que se movem independentemente delas. A alternativa confunde fenômeno geológico profundo com fenômeno de superfície.
E) estrutura das rochas.
❌ Incorreta: a estrutura das rochas se refere à disposição interna, estratificação, dobras e fraturas formadas ao longo de milhões de anos por processos endógenos (magmatismo, metamorfismo, sedimentação) e exógenos (intemperismo). A construção de edifícios não reorganiza cristais nem redesenha camadas rochosas; apenas ocupa o solo superficial. Não há relação causal imediata entre urbanização e estrutura rochosa.
🏆 Gabarito: B — a impermeabilização do solo urbano redistribui, no mesmo instante em que chove, os quatro fluxos do ciclo hidrológico: o escoamento superficial dispara enquanto infiltração, percolação e evapotranspiração recuam.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas o ciclo hidrológico combina três atributos que a questão exige — é o processo medido na figura, é afetado pela ocupação urbana e é afetado de forma imediata. As demais alternativas falham em pelo menos um desses critérios.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a associação urbanização → impermeabilização → enchentes → comprometimento de aquíferos. Sempre que a prova mostrar asfalto, bueiro entupido, rio transbordando ou esquema de setas com água, a resposta provavelmente envolve ciclo hidrológico, escoamento superficial ou recarga de lençol freático.
- Generalização: em qualquer questão que contraste "cobertura natural" com "solo impermeabilizado", lembre-se de que a primeira consequência é sempre a redistribuição do destino da água da chuva. Menos infiltração, mais escoamento — e por consequência mais inundações e menor recarga de aquíferos.
- Dica de eliminação rápida: procure o critério temporal. Tectônica, rochas e altitude são processos de tempo geológico; clima é tempo histórico; apenas o ciclo hidrológico responde em tempo meteorológico (minutos a horas). A palavra "imediata" no enunciado já aponta para a única alternativa compatível.
- Conexões com outros temas: enchentes urbanas e drenagem; crise hídrica e comprometimento de aquíferos; ilhas de calor; planejamento urbano e áreas verdes; parques lineares e pisos drenantes como soluções baseadas na natureza.