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Questão 28ENEM 2025Caderno azul · 1º Dia

Pequenino morto

Tange o sino, tange, numa voz de choro,
Numa voz de choro… tão desconsolado…
No caixão dourado, como em berço de ouro,
Pequenino, levam-te dormindo… Acorda!
Olha que te levam para o mesmo lado
De onde o sino tange numa voz de choro…
Pequenino, acorda!

Que caminho triste, e que viagem! Alas
De ciprestes negros a gemer no vento;
Tanta boca aberta de famintas valas
A pedir que as fartem, a esperar que as encham…
Pequenino, acorda! Recupera o alento,
Foge da cobiça dessas fundas valas
A pedir que as encham.

CARVALHO, V. Poemas e canções. Rio de Janeiro: Saraiva, 1962 (fragmento).

Nesse fragmento do poema, o sentimento de luto adquire contornos expressivos e é intensificado pela

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Pré-Modernismo / Poesia Lírica → Luto e Expressividade Poética
  • ⚡ Nível: Médio — exige identificar o sentimento-chave do eu lírico e o recurso que o intensifica.
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Análise do sentimento de luto e do recurso expressivo que o intensifica em poema lírico.
  • 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa

🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que intensifica o sentimento de luto neste poema?"
  • Palavras-chave decisivas: Pequenino, acorda!, Recupera o alento, Foge da cobiça dessas fundas valas, Pequenino, levam-te dormindo
  • Armadilha típica: Marcar A (descrição do cemitério) porque o poema tem ciprestes e valas — mas o cemitério é cenário, não recurso intensificador do luto.
  • O que a resposta precisa demonstrar: Percepção de que o eu lírico se RECUSA a aceitar a morte do pequenino, pedindo-lhe que "acorde" e "fuja" — essa recusa intensifica o luto.

📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Recusa à irreversibilidade da morte: Estratégia lírica em que o eu poético, diante da perda, se comporta como se a morte pudesse ser revertida — pede para o morto acordar, voltar, responder. Esse gesto de negação intensifica a dor do luto, pois torna visível a distância entre desejo e realidade.
  • Apóstrofe: Figura de linguagem em que o eu lírico se dirige diretamente a alguém ausente ou morto. O poema usa apóstrofes consecutivas ("Pequenino, acorda!").
  • Luto lírico: Na poesia, o luto costuma ser expresso por imagens de dor e ruptura. A recusa da morte é uma das formas mais intensas, porque encena o próprio conflito entre consciência (ele está morto) e afeto (ele não pode estar).

🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Pequenino, levam-te dormindo… Acorda!" → o eu lírico trata a morte como sono e pede o despertar.
  • Evidência 2: "Olha que te levam para o mesmo lado / De onde o sino tange numa voz de choro…" → o eu lírico alerta o pequenino, como se ele pudesse ouvir e reagir.
  • Evidência 3 (decisiva): "Pequenino, acorda! Recupera o alento, / Foge da cobiça dessas fundas valas" → ápice da recusa — pedido de retomada da vida e fuga da morte.
  • Síntese: O poema inteiro é atravessado por essa recusa — dirigir-se ao morto como se ele pudesse acordar.

🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o gesto central do poema

O gesto central é a apóstrofe ao pequenino morto — o eu lírico fala diretamente com ele, como se ainda pudesse ouvi-lo, como se a morte fosse uma situação reversível.

Subpasso 4.2 — Identificar o efeito desse gesto

Essa apóstrofe encena uma recusa à irreversibilidade da morte. O leitor percebe a dor do luto justamente porque a recusa é impossível — o pequenino não vai acordar, mas o eu lírico não consegue parar de pedir.

Subpasso 4.3 — Verificação

O sentimento de luto é intensificado pela recusa do eu lírico à irreversibilidade da morte — formulação exata da alternativa B.

✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) descrição da paisagem de um cemitério.

Incorreta: A paisagem aparece (ciprestes, valas, sino), mas como cenário — não como o elemento que intensifica o luto. O que intensifica é o gesto de clamar pelo despertar do morto, não a descrição do entorno.

B) recusa do eu lírico à irreversibilidade da morte.

Correta: Ancorada em "Pequenino, acorda!", "Recupera o alento", "Foge da cobiça". O eu lírico se recusa a aceitar a morte como definitiva — pede repetidamente o retorno. Essa recusa é o núcleo expressivo do poema.

C) sonoridade dos versos produzida pela pontuação.

Incorreta: Embora a pontuação dê ritmo ao texto, a sonoridade não é o recurso que intensifica o luto. É um recurso formal, não o que toca o leitor afetivamente.

D) religiosidade evocada como forma de fortalecimento.

Incorreta: Não há religiosidade explícita no poema — não há Deus, oração, reza, consolo espiritual. Há apenas o gesto desesperado do eu lírico diante do morto.

E) impressão de sonho na construção da estrutura poética.

Incorreta: A palavra "dormindo" aparece ("levam-te dormindo"), mas é metáfora da morte — não sugere que o poema seja construído como sonho. A estrutura é de chamado direto, não onírica.

🏆 Gabarito Final: B

O sentimento de luto é intensificado pela recusa do eu lírico à irreversibilidade da morte — ele clama pelo despertar do pequenino, encenando a distância dolorosa entre desejo e realidade.

🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que identifica o gesto expressivo central do poema — a recusa afetiva da morte.
  • Padrão de cobrança: Poesia lírica e luto é tema clássico. Identifique sempre o gesto do eu lírico (recusa, resignação, revolta, consolo, lamento) e conecte-o ao sentimento principal.
  • Generalização: Quando o eu lírico fala diretamente com um morto, usando imperativos ("acorda", "volta", "ouve"), o sentimento de luto se intensifica pela encenação da impossibilidade.
  • Dica de eliminação rápida: Elimine alternativas que apontam para aspectos formais (sonoridade, pontuação) ou de conteúdo periférico (descrição, religiosidade) quando o poema tem um gesto afetivo central evidente.
  • Conexões com outros temas: Poesia parnasiana e simbolista, poesia de luto, apóstrofe, figuras de linguagem, Vicente de Carvalho.

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