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Questão 41ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia

Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve? Por que, realmente, como é que se escreve? que é que se diz? e como dizer? e como é que se começa? e que é que se faz com o papel em branco nos defrontando tranquilo? Sei que a resposta, por mais que intrigue, é a única: escrevendo. Sou a pessoa que mais se surpreende ao escrever. Porque, fora das horas em que escrevo, não sei absolutamente escrever. Será que escrever não é um ofício? Não há aprendizagem, então? O que é? Só me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve.

LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nessa crônica, os questionamentos da autora evidenciam uma

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Crônica (Clarice Lispector); metalinguagem
  • ⚡ Nível: Fácil/Médio — pede leitura direta de uma crônica metalinguística.
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Reconhecimento de metalinguagem e da função reflexiva da literatura (H6/H7 — Linguagens).
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Os questionamentos de Clarice na crônica evidenciam o quê?"
  • Palavras-chave decisivas: questionamentos, crônica, como é que se escreve.
  • Armadilha típica: confundir o teor reflexivo com insatisfação ou angústia negativa diante do ofício.
  • O que a resposta precisa demonstrar: perceber que a crônica é metalinguística — pensa sobre o próprio ato de escrever.

📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Metalinguagem: quando a linguagem toma a si mesma como objeto; aqui, Clarice escreve sobre o escrever.
  • Crônica reflexiva: subgênero que parte do cotidiano para elaborar pensamento filosófico ou existencial.
  • Poética clariciana: escrita como descoberta — "só se escreve escrevendo"; o ofício se revela no ato.

🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "como é que se escreve? que é que se diz? e como dizer? e como é que se começa?" → série de perguntas abertas sobre o fazer literário.
  • Evidência 2: "Sei que a resposta, por mais que intrigue, é a única: escrevendo" → fechamento reflexivo que aponta para a natureza processual da escrita.
  • Síntese: a crônica é um exercício de pensamento sobre a escrita, não um desabafo de angústia ou insatisfação.

🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconhecer a metalinguagem Clarice formula hipóteses ("será que escrever não é um ofício?"), devolve a pergunta ao leitor e a si mesma, e termina com a formulação "só me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve". Tudo isso é reflexão metalinguística.

Subpasso 4.2 — Distinguir reflexão × angústia/insatisfação Embora haja densidade, o texto não expressa sofrimento com a qualidade do que produz nem empobrecimento da escrita; ele problematiza o como e o o quê do ato de escrever. O tom é inquisitivo, não lamentoso.

Subpasso 4.3 — Verificação A palavra-chave das perguntas é "como". Perguntas que rodeiam o próprio ofício caracterizam reflexão metalinguística. Alternativa A sintetiza com exatidão: reflexão sobre o ato de escrever.

✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) reflexão sobre o ato de escrever.Correta: descreve com precisão a metalinguagem e o teor reflexivo da crônica.

B) preferência pela forma de escrita tradicional.Incorreta: Clarice não defende forma tradicional alguma; questiona a existência de método fixo.

C) angústia decorrente do empobrecimento da escrita.Incorreta: não há diagnóstico de empobrecimento da escrita — o tema é o mistério do ofício, não sua decadência.

D) insatisfação com o resultado final da sua produção escrita.Incorreta: ela não avalia o resultado das obras; inquieta-se com o processo.

E) resistência a impressões surgidas ao acaso no processo de escrita.Incorreta: é o oposto — ela se rende ao acaso ("sou a pessoa que mais se surpreende ao escrever").

🏆 Gabarito: A — A crônica é metalinguística: os questionamentos mostram reflexão sobre o próprio ato de escrever.

🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só A captura a essência metalinguística do texto.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora cobrar metalinguagem em Clarice, Drummond e Manoel de Barros.
  • Generalização: texto que pergunta "como se faz X" dentro do próprio X é metalinguagem e se resolve como reflexão sobre o fazer.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas com tom negativo forte (angústia, insatisfação, resistência) quando o texto tiver perguntas abertas, curiosas.
  • Conexões com outros temas: funções da linguagem (metalinguística), modernismo brasileiro, poética da dúvida.

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