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Questão 30ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia

Em Tiriyó, imenu quer dizer "desenho" ou "pintura", mas também "jenipapo" (menu), planta que fornece uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de tintas e corantes. Imenu diz respeito aos desenhos de formas geométricas que se aplicam sobre os mais variados suportes: da pele ao papel, passando pelos artefatos. A isso que os Tiriyó definem como imenu, em sua própria língua, os Kaxuyana chamam de imenuru.

Observando as artes gráficas dos povos da região que vai do Amapá ao norte do Pará, é possível observar que muitos dos padrões que compõem o repertório tiriyó são recorrentes entre os Kaxuyana, os Wayana, os Aparai e os Wajãpi. Também encontramos padrões semelhantes entre os Waiwa e outros grupos do norte amazônico.

GRUPIONE, D. F. Arte visual dos povos Tiriyó e Kaxuyana: padrões de uma estética ameríndia. São Paulo: Iepé, 2009 (adaptado).

Entre os grupos indígenas do norte amazônico, as recorrências nas criações gráficas revelam a

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → Artes visuais indígenas (grafismos e cultura material na Amazônia)
  • ⚡ Nível: Médio — exige compreender o significado de recorrências gráficas entre povos distintos como sinal de circulação cultural.
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Diversidade cultural; linguagens artísticas dos povos originários (competência 3 de Linguagens).
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "As recorrências nos desenhos entre esses povos revelam o quê?"
  • Palavras-chave decisivas: recorrentes entre os Kaxuyana, Wayana, Aparai, Wajãpi, padrões semelhantes, imenu/imenuru
  • Armadilha típica: interpretar a semelhança como competição, dominação ou acumulação — quando o texto indica justamente intercâmbio e circulação.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que padrões compartilhados indicam dinâmica cultural viva entre povos vizinhos.

📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Grafismo indígena: desenho geométrico aplicado a suportes variados (pele, papel, artefatos); carrega significado cultural e estético.
  • Imenu (Tiriyó) / Imenuru (Kaxuyana): mesmo conceito nomeado por línguas diferentes, evidência de tradição comum.
  • Intercâmbio cultural: troca contínua de elementos (padrões, motivos, técnicas) entre grupos próximos, gerando recorrências.
  • Cultura como processo dinâmico: culturas não são estáticas; compartilham, reelaboram e reinterpretam signos.

🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "muitos dos padrões que compõem o repertório tiriyó são recorrentes entre os Kaxuyana, os Wayana, os Aparai e os Wajãpi" → repertório compartilhado entre vários povos
  • Evidência 2: "Também encontramos padrões semelhantes entre os Waiwa e outros grupos do norte amazônico" → ampliação geográfica da recorrência
  • Evidência 3: "A isso que os Tiriyó definem como imenu, em sua própria língua, os Kaxuyana chamam de imenuru" → mesmo conceito em línguas distintas = contato cultural
  • Síntese: as recorrências são resultado de um intercâmbio vivo de repertório visual entre povos do norte amazônico.

🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Caracterizar o fenômeno descrito O texto mostra que MÚLTIPLOS povos compartilham padrões gráficos — sinal de circulação cultural, não de cópia unilateral ou competição.

Subpasso 4.2 — Descartar leituras hierárquicas Não há menção a disputa, dominação ou prestígio; o texto descreve convivência e compartilhamento.

Subpasso 4.3 — Verificação "Dinâmica cultural no intercâmbio de padrões visuais" é a formulação que descreve exatamente o que o texto relata — movimento de trocas que gera recorrências.

✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) dinâmica cultural no intercâmbio de padrões visuais.Correta: nomeia corretamente o fenômeno — trocas culturais entre povos vizinhos geram repertório compartilhado.

B) criação de técnicas gráficas como concorrência na produção da arte.Incorreta: o texto não aborda competição entre grupos; trata de convivência e compartilhamento, não de rivalidade.

C) incorporação de desenhos figurativos na produção de novos artefatos.Incorreta: o texto fala de "formas geométricas", não figurativas; e não há foco em "novos artefatos".

D) relação de poder de um grupo sobre outro por meio do domínio de grafismos.Incorreta: não há hierarquia ou dominação descrita; os povos compartilham repertório em pé de igualdade.

E) acumulação de repertório gráfico como forma de prestígio entre as etnias dessa região.Incorreta: "acumulação" e "prestígio" projetam lógica externa (capital simbólico) que o texto não afirma.

🏆 Gabarito: A — apenas A traduz com precisão a noção de intercâmbio cultural entre povos amazônicos.

🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: A descreve a dinâmica de trocas de signos visuais que produz as recorrências citadas.
  • Padrão de cobrança: ENEM cobra leitura decolonial das culturas indígenas, rejeitando vieses de hierarquia, exotização ou acumulação.
  • Generalização: recorrências culturais entre povos vizinhos quase sempre indicam CONTATO/TROCA, não cópia ou dominação.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que usem vocabulário de mercado/competição (concorrência, prestígio, acumulação, poder).
  • Conexões com outros temas: povos do Amapá/Pará, cestaria e pintura corporal, Wajãpi (Patrimônio Oral UNESCO), grafismo Kadiwéu.

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