Questão 61 — ENEM 2024Caderno azul · 1º Dia
Eu sentia falta do futuro. É claro que eu sabia, muito mesmo antes da recorrência dele, que nunca envelheceria. Era muito provável que eu nunca mais fosse ver o oceano de uma altura de trinta mil pés de novo, uma distância tão grande que não dá nem para distinguir as ondas, nem nenhum barco, de um jeito que faz o oceano parecer um enorme e infinito monólito. Eu poderia imaginá-lo. Eu poderia me lembrar dele. Mas não poderia vê-lo de novo, e me ocorreu que a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez.
GREEN, J. A culpa é das estrelas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.
O texto apresenta uma reflexão da personagem acerca de um problema característico da filosofia contemporânea, que trata da(s)
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Existencialismo → Finitude Humana e Filosofia Contemporânea
- ⚡ Nível: Médio — exige associar a reflexão da personagem sobre a morte e o futuro ao tema filosófico da finitude.
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Finitude humana, existencialismo, filosofia contemporânea, ser-para-a-morte (Heidegger).
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual problema filosófico contemporâneo é apresentado na reflexão da personagem?"
- Palavras-chave decisivas: sentia falta do futuro, nunca envelheceria, a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada, finitude humana
- Armadilha típica: Marcar D (pressuposição existencial) por ser próximo de existencialismo, ou C (limitações da linguagem) por pensar que o texto trata da incapacidade de descrever a experiência — mas o texto é sobre encarar a morte e a impossibilidade de futuro.
- O que a resposta precisa demonstrar: Reconhecer que a reflexão sobre saber que vai morrer, "sentir falta do futuro" e a insatisfação permanente dos desejos humanos diante da morte é o tema da finitude humana na filosofia contemporânea.
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Finitude humana: O ser humano é um ser mortal — e a consciência da morte é o que define e orienta a existência humana. Para Heidegger, o ser humano é "ser-para-a-morte" (Sein-zum-Tode) — a morte não é apenas o fim, mas define o sentido de toda a existência.
- Existencialismo: Corrente filosófica do século XX (Heidegger, Sartre, Camus, Beauvoir) que coloca a existência concreta e mortal como ponto de partida da filosofia. A finitude é central no existencialismo.
- Insatisfação e finitude: O texto descreve como "a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada" — mesmo quando realiza sonhos, sempre quer mais. A consciência da finitude revela que o ser humano é um projeto inacabado, sempre em falta.
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Eu sentia falta do futuro" e "nunca envelheceria" → personagem com doença terminal que sabe que sua vida será curta, confrontando diretamente sua finitude.
- Evidência 2: "Mas não poderia vê-lo de novo" → impossibilidade de futuro = consciência da finitude, do fim próximo.
- Evidência 3: "a ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor" → a finitude revela que o ser humano está sempre em falta, sempre desejando mais do que seu tempo permite.
- Síntese: A reflexão trata da finitude humana — a consciência da mortalidade que transforma a experiência do tempo, dos desejos e das possibilidades.
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — O tema da finitude na filosofia contemporânea A finitude humana é um dos temas centrais da filosofia do século XX, especialmente no existencialismo. Heidegger argumentou que a consciência da morte não é algo negativo a evitar, mas o que dá sentido e urgência à existência humana. Sartre e Camus também exploraram como a mortalidade define as escolhas e angústias humanas.
Subpasso 4.2 — A conexão com o trecho de John Green A culpa é das estrelas (2012) narra a história de uma adolescente com câncer terminal que reflete sobre a mortalidade, o futuro que não terá e a insatisfação permanente do desejo humano. Essa reflexão — "sentia falta do futuro", "nunca envelheceria", "a ambição voraz nunca é saciada" — é exatamente a fenomenologia da finitude que a filosofia contemporânea tematiza.
Subpasso 4.3 — Verificação Finitude humana (B) é o único tema que abarca todas as evidências: a consciência da morte próxima, a perda do futuro e a insatisfação existencial diante da mortalidade.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) implicações éticas. ❌ Incorreta: Embora a finitude tenha implicações éticas (como vivemos sabendo que morreremos?), o texto não apresenta um dilema ético — apresenta uma reflexão existencial sobre o tempo e a morte.
B) finitude humana. ✅ Correta: O texto apresenta uma reflexão direta sobre a mortalidade — a personagem sabe que vai morrer jovem, "sente falta do futuro", e reflete sobre como a finitude humana revela a insatisfação permanente dos desejos.
C) limitações da linguagem. ❌ Incorreta: O texto não fala de limitações da linguagem para expressar experiências. Embora a filosofia analítica e Wittgenstein tratem desse tema, ele está completamente ausente do trecho de John Green.
D) pressuposição existencial. ❌ Incorreta: "Pressuposição existencial" é um conceito técnico de lógica filosófica (enunciados que pressupõem a existência de algo). Não é o tema do texto, que trata de experiência vivida, não de lógica.
E) objetividade do conhecimento. ❌ Incorreta: Objetividade do conhecimento é tema da epistemologia (teoria do conhecimento). O texto não discute se o conhecimento é objetivo ou subjetivo — discute a experiência de saber que vai morrer.
🏆 Gabarito: B — O texto apresenta o problema filosófico da finitude humana — a consciência da mortalidade que transforma a relação com o tempo, os desejos e as possibilidades, tema central da filosofia existencialista contemporânea.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: B é a única correta porque toda a reflexão da personagem gira em torno da consciência da própria mortalidade e das implicações existenciais dessa consciência — definição precisa do tema filosófico da finitude humana.
- Padrão de cobrança: O ENEM frequentemente usa textos literários para apresentar temas filosóficos. Quando o texto falar em morte, mortalidade, tempo limitado e impermanência, pense em finitude humana e existencialismo.
- Generalização: Finitude humana → existencialismo → Heidegger (ser-para-a-morte), Sartre (angústia e escolha), Camus (absurdo). Esses autores aparecem frequentemente no ENEM de Filosofia.
- Dica de eliminação rápida: C (linguagem), D (pressuposição lógica) e E (objetividade do conhecimento) são temas de epistemologia/lógica, não de existencialismo. A (ética) é possível mas o texto não apresenta dilema moral. Fica B.
- Conexões com outros temas: Existencialismo (Sartre, Heidegger, Camus), Sentido da vida, Ética e mortalidade, Bioética (fim da vida), Filosofia contemporânea.