Questão 92 — ENEM 2023 PPL
Uma notícia traz esperança a pessoas com certos tipos sanguíneos. Pesquisadores europeus conseguiram injetar, com sucesso, glóbulos vermelhos originados a partir de células-tronco em uma pessoa.
Folha de S. Paulo, 3 set. 2011 (adaptado).
Esse avanço na medicina foi importante porque permitirá
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- Matérias necessárias: Biologia → Biotecnologia e terapia celular + Fisiologia Humana (sistema sanguíneo, tipagem ABO/Rh) + Imunologia (rejeição por incompatibilidade).
- Nível: Médio — exige entender o problema clínico atual das transfusões (escassez de doadores, risco de incompatibilidade, infecções) e como células-tronco podem contornar esses problemas.
- Tema/Habilidade BNCC: aplicações da biotecnologia à saúde humana; células-tronco e terapia regenerativa.
- Gabarito: B.
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O feito de injetar, com sucesso, glóbulos vermelhos originados a partir de células-tronco em um paciente foi importante porque permitirá qual ganho clínico concreto?"
- Palavras-chave decisivas: glóbulos vermelhos originados a partir de células-tronco, injetar em uma pessoa, esperança a pessoas com certos tipos sanguíneos.
- Armadilha típica: marcar E ("reduzir mortes") por ser genérica e "bonita". A banca quer o mecanismo específico que o avanço possibilita, não o efeito final difuso.
- Critério de acerto: reconhecer que produzir hemácias in vitro a partir de células-tronco do próprio paciente resolve os dois maiores gargalos das transfusões — escassez de doadores compatíveis e incompatibilidade imunológica.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Células-tronco hematopoiéticas (HSC): células-mãe que diferenciam em todas as linhagens sanguíneas (hemácias, leucócitos, plaquetas). Residem na medula óssea e, em laboratório, podem ser induzidas a se diferenciar em glóbulos vermelhos maduros (eritrócitos).
- Problema clássico das transfusões: (1) dependência de doadores, (2) risco de incompatibilidade ABO/Rh e aloanticorpos raros, (3) risco de transmissão de patógenos (HIV, hepatites, Chagas), (4) estoques instáveis.
- Solução "célula-tronco → hemácia": retira-se uma célula do próprio paciente (ou de doador universal), induz-se à diferenciação em hemácia e produz-se sangue autólogo, sob demanda, sem doador.
- Tipos sanguíneos raros: pacientes com fenótipos raros (p. ex. Bombay, Rh-null) têm dificuldade enorme de achar doador compatível — daí "esperança a pessoas com certos tipos sanguíneos".
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "esperança a pessoas com certos tipos sanguíneos" → alude a pacientes com fenótipos raros ou com aloanticorpos múltiplos, para quem achar doador é quase impossível.
- Evidência 2: "glóbulos vermelhos originados a partir de células-tronco" → produção in vitro, controlada, em escala potencialmente industrial.
- Evidência 3: "injetar, com sucesso, em uma pessoa" → prova de conceito de que as hemácias produzidas funcionam no organismo.
- Síntese: o avanço permite fabricar hemácias sem doador, resolvendo ao mesmo tempo o problema de estoque e o de incompatibilidade — com potencial de uso autólogo (do próprio paciente), eliminando praticamente o risco imunológico.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Traduzir o fato relatado
- Fato: pesquisadores diferenciaram células-tronco em glóbulos vermelhos, em laboratório, e injetaram essas hemácias com sucesso.
- Consequência direta: produção de hemácias fora do corpo humano, sem depender de doador.
Subpasso 4.2 — Identificar o ganho clínico principal
- Se a célula-tronco é do próprio paciente → sangue autólogo → incompatibilidade ≈ 0 → dispensa transfusão convencional.
- Se for de doador universal com manipulação → ainda assim remove a dependência do fluxo de doadores.
- Em ambos os cenários, o benefício-chave é: não precisar de transfusão tradicional para obter hemácias funcionais.
Subpasso 4.3 — Mapear no texto da alternativa
- A alternativa B é a única que nomeia simultaneamente os dois elementos do avanço: (a) produção in vitro do próprio indivíduo (autóloga) + (b) evitar transfusão (gargalo resolvido).
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) a substituição de tratamentos convencionais para estancar hemorragias internas.
❌ Incorreta. Hemorragias internas são controladas por cirurgia, agentes hemostáticos e plaquetas, não por glóbulos vermelhos. Injetar mais hemácias em alguém sangrando não "estanca" — apenas repõe o que já se perdeu (repor ≠ estancar). Confunde o papel das hemácias (transporte de O₂) com o das plaquetas/fibrina (coagulação).
B) a produção de glóbulos vermelhos in vitro do próprio indivíduo, evitando transfusões sanguíneas. ✅ Correta.
Nomeia o exato ganho trazido pelo avanço: biofabricação autóloga de hemácias, eliminando a dependência de doadores e o risco de incompatibilidade.
C) a realização da transfusão de sangue entre doador e receptor com menor risco de incompatibilidade.
❌ Incorreta. O avanço não melhora a transfusão convencional — ele a torna desnecessária no cenário autólogo. Além disso, não há, no texto, menção a técnica para reduzir incompatibilidade em transfusões tradicionais.
D) a substituição dos glóbulos vermelhos pelas células-tronco na corrente sanguínea, aumentando o número dessas células.
❌ Incorreta — erro conceitual grave. Células-tronco não substituem hemácias na corrente; elas se diferenciam em hemácias (antes de entrar). Se fossem injetadas indiferenciadas, não carregariam oxigênio e poderiam formar tumores.
E) a realização de tratamentos de doenças do sangue ou até mesmo a não manifestação de algumas doenças, reduzindo o número de mortes.
❌ Incorreta — armadilha do "genérico bom". É uma consequência possível, mas vaga e não descrita no texto. A banca exige a descrição técnica do avanço (produção in vitro, autóloga), não o desfecho global.
🏆 Gabarito: B — o avanço permite fabricar hemácias a partir das próprias células-tronco do paciente, dispensando transfusões e a busca por doadores compatíveis.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação: o ponto central é autologia + in vitro. Qualquer alternativa sem esses dois ingredientes está incompleta.
- Padrão de cobrança: ENEM adora questões de terapia celular (células-tronco embrionárias, iPSC, CAR-T) focando no benefício clínico específico versus o tratamento antigo. Identifique sempre: "o que o avanço substitui?" e "qual problema antigo resolve?".
- Generalização: Regra do avanço biotecnológico — prefira alternativas que nomeiam tecnologia + gargalo resolvido; desconfie de alternativas genéricas ("reduz mortes", "melhora qualidade de vida").
- Dica de eliminação: cortar alternativas que (1) confundem papel fisiológico (A, D), (2) falam em transfusão convencional (C), (3) são vagas demais (E). Resta B.
- Conexões: iPSCs (células-tronco pluripotentes induzidas, Yamanaka, Nobel 2012), terapia gênica (talassemia, falciforme), bioengenharia de tecidos, bancos de sangue artificial.