Questão 134 — ENEM 2023 PPL
No manual de bolso sobre a sífilis, disponibilizado gratuitamente pelo Ministério da Saúde, é informado que a sífilis congênita é resultado da disseminação hematogênica do Treponema pallidum, presente no sangue da gestante infectada. A falta de tratamento ou tratamento inadequado durante o período embrionário causa a transmissão vertical por via transplacentária.
Manual de bolso — sífilis. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br. Acesso em: 10 fev. 2012 (adaptado).
Considere uma gestante que descobre, no primeiro mês de gravidez, estar contaminada por essa bactéria. Para diminuir a chance de contaminação do feto, a gestante deverá
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- Matérias necessárias: Biologia → Microbiologia (Treponema pallidum) + Transmissão vertical (transplacentária) + Saúde pública (pré-natal).
- Nível: Fácil — requer entender que a proteção do feto começa com o tratamento materno precoce, eliminando o agente infeccioso do sangue antes que atravesse a placenta.
- Tema/Habilidade BNCC: saúde materno-infantil e prevenção de doenças.
- Gabarito: D — eliminar o parasita do sangue da gestante.
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Uma gestante no primeiro mês descobriu sífilis. Qual ação prioritária para impedir que o Treponema chegue ao feto?"
- Palavras-chave decisivas: primeiro mês de gravidez, contaminada pela bactéria, reduzir chance de contaminação do feto, transmissão vertical transplacentária.
- Armadilha típica: marcar E (medicar a criança após o nascimento) — seria tarde demais; o dano ao embrião já estaria consumado (malformações, morte fetal). A prevenção tem que ser intra-gestacional.
- Critério de acerto: aplicar o princípio de saúde pública — tratar a mãe o mais precocemente possível para eliminar o Treponema da corrente sanguínea antes que a placenta se torne mais permeável.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Sífilis: doença causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida sexualmente e verticalmente.
- Transmissão vertical (sífilis congênita): ocorre via transplacentária — a bactéria atravessa a barreira e infecta o feto. Pode ocorrer em qualquer trimestre, mas é mais grave no primeiro (malformações).
- Tratamento: penicilina benzatina IM, de 1 a 3 doses semanais, dependendo da fase da sífilis (primária, secundária, latente, terciária). Simples, barato, eficaz.
- Pré-natal: no Brasil, o SUS oferece dois testes VDRL (rastreio) durante a gestação — a detecção precoce permite tratamento na fase inicial e previne 95%+ dos casos congênitos.
- Por que tratar a mãe primeiro:
- A placenta é a via de transmissão; sem Treponema no sangue materno, não há exposição fetal.
- Penicilina atravessa a placenta e atinge o feto em caso de infecção já estabelecida, também curando a criança in utero.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "primeiro mês de gravidez" → ação precoce é possível.
- Evidência 2: "transmissão vertical por via transplacentária" → o Treponema passa pelo sangue.
- Evidência 3: "falta de tratamento ou tratamento inadequado... causa transmissão" → tratar corretamente é a prevenção.
- Síntese: eliminar o Treponema do sangue materno = prevenção direta.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Rastrear a lógica de transmissão
- Treponema no sangue materno → atravessa placenta → infecta o feto.
- Para impedir a contaminação fetal, é preciso remover o patógeno do sangue materno.
Subpasso 4.2 — Como remover
- Tratamento farmacológico eficaz: penicilina benzatina.
- Quanto mais cedo (primeiro mês), melhor — antes mesmo da maturação completa da placenta, evita infecção congênita na vasta maioria dos casos.
Subpasso 4.3 — Avaliar cada alternativa
- A (transplante de placenta): inexistente/imprático.
- B (tratar feto pela placenta): secundário; se a mãe está tratada, o feto se beneficia automaticamente. Mas a linha de ação primária é tratar a mãe.
- C (exames sorológicos): diagnóstico, não tratamento.
- D (eliminar parasita do sangue da mãe): exatamente a estratégia preconizada.
- E (medicar após nascimento): tarde demais para a sífilis congênita prevenida; já haverá sequelas.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) realizar um transplante de placenta.
❌ Incorreta. Transplante de placenta não existe como procedimento clínico. A placenta desenvolve-se naturalmente no útero.
B) tratar por via transplacentária o embrião.
❌ Incorreta. Tratar o feto diretamente é difícil e arriscado; a estratégia é tratar a mãe, e a penicilina atravessa a placenta.
C) fazer exames sorológicos durante a gestação.
❌ Incorreta — ação incompleta. Exames apenas diagnosticam; o que previne é o tratamento que se segue ao diagnóstico.
D) eliminar o quanto antes o parasita de seu sangue. ✅ Correta.
Tratamento materno com penicilina precocemente elimina o Treponema e previne a transmissão vertical.
E) medicar adequadamente a criança logo após o nascimento.
❌ Incorreta — tarde demais para prevenção. Embora o tratamento neonatal seja importante se a criança nasce infectada, não previne as malformações e danos já ocorridos in utero.
🏆 Gabarito: D — eliminar o Treponema do sangue materno precocemente.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação: prevenção da sífilis congênita = tratamento materno precoce. Diagnóstico (C) sem tratamento (D) não adianta; tratamento neonatal (E) é tardio.
- Padrão de cobrança ENEM: saúde materno-infantil e doenças transmitidas verticalmente (sífilis, toxoplasmose, rubéola, HIV, hepatite B) são tema recorrente.
- Generalização: Regra da prevenção vertical — bloquear o patógeno no hospedeiro materno antes que atravesse a placenta. Tratamento precoce é sempre a chave.
- Dica de eliminação: descartar alternativas que tratam o feto sem tratar a mãe (B) ou que agem após o nascimento (E).
- Conexões: HIV e prevenção vertical (antirretrovirais), toxoplasmose (sulfadiazina), STORCH (sífilis, toxo, rubéola, CMV, herpes), VDRL, pré-natal de alto risco.