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NaturezaBiologiaMédio

Questão 130ENEM 2023 PPL

Um grupo de pesquisadores interessados no estudo do efeito da paisagem na diversidade genética em populações de marsupiais Caluromys philander considerou duas paisagens distintas: uma contínua (Pontos 1 e 2) e outra fragmentada (Fragmentos 1 e 2), que foi desmatada para o plantio de soja. Coletaram amostras de tecidos de dez indivíduos em cada paisagem e extraíram o DNA, verificando a variabilidade genética, como apresentado no quadro.

LIMA, J. S.; OPREA, M.; COLLEVATI, R. G. Efeito da paisagem na diversidade e diferenciação genética das populações. Genética na Escola, n. 1, 2015 (adaptado).

Com base nos resultados, qual é a estratégia eficiente no manejo e na conservação dessa espécie?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • Matérias necessárias: Biologia → Genética de populações (variabilidade genética, fluxo gênico, deriva) + Ecologia de populações (fragmentação, conectividade) + Manejo de fauna.
  • Nível: Médio — exige interpretar a tabela (genótipos mostram menor diversidade nos fragmentos) e inferir que a fragmentação reduz fluxo gênico → estratégia de manejo deve reconectar os fragmentos.
  • Tema/Habilidade BNCC: conservação genética e manejo de populações.
  • Gabarito: C — manutenção da conectividade entre os fragmentos.

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Com base na menor variabilidade genética observada nos fragmentos, qual estratégia de manejo preserva a espécie?"
  • Palavras-chave decisivas: paisagem contínua vs. fragmentada (desmatada para soja), variabilidade genética, manejo e conservação.
  • Armadilha típica: marcar D (diminuição da dispersão) ou E (acasalamento aparentado) — ambas pioram o problema de isolamento genético.
  • Critério de acerto: entender que fragmentação reduz fluxo gênico → reduz variabilidade → aumenta risco de extinção. A solução é conectar fragmentos (corredores ecológicos, stepping stones).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Variabilidade genética: quantidade de alelos diferentes numa população. É o combustível da evolução e o buffer contra mudanças ambientais.
  • Fluxo gênico: troca de alelos entre populações via migração e reprodução. Alto fluxo = populações similares; zero fluxo = isolamento → especiação ou extinção.
  • Fragmentação: quebra do hábitat em pedaços isolados (por estradas, agricultura, cidades). Consequências:

- Populações menores em cada fragmento.

- Fluxo gênico interrompido.

- Deriva genética mais intensa (alelos perdem-se ao acaso).

- Endogamia crescente → homozigose → depressão endogâmica.

  • Manejo para mitigar:

- Corredores ecológicos: faixas de mata conectando fragmentos.

- Stepping stones: pequenos remanescentes que servem de "escalas" para deslocamento.

- Reintrodução de indivíduos vindos de outras populações para aumentar diversidade.

  • Dados da tabela: Caluromys philander (gambá-lanoso) mostra mais genótipos únicos na paisagem contínua; fragmentos mostram redundância e algumas diferenças entre fragmentos — sinal de menor fluxo gênico.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: comparação entre paisagem contínua (mais variabilidade) e fragmentada (menos variabilidade).
  • Evidência 2: "desmatada para plantio de soja" → fragmentação antrópica.
  • Evidência 3: menor diversidade nos fragmentos → risco de deriva e endogamia.
  • Síntese: para conservar, manter/restabelecer conectividade entre fragmentos → alternativa C.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Interpretar a tabela

  • Paisagem contínua: vários genótipos distintos (A1A1, A1A2, A2A3, A2A4, etc.) → alta variabilidade.
  • Fragmento 1: genótipos concentrados (muitos A1A1, A2A1) → baixa variabilidade.
  • Fragmento 2: genótipos com muito A3A3 → baixa variabilidade, diferente do Fragmento 1.
  • Interpretação: isolamento → cada fragmento "flutua" geneticamente de forma independente (deriva).

Subpasso 4.2 — Cruzar cada alternativa com a biologia

| Alternativa | Efeito sobre variabilidade |

|---|---|

| A | fragmentar mais | piora |

| B | barreiras ao fluxo gênico | piora |

| C | manter conectividade | mantém/recupera fluxo gênico ✓ |

| D | diminuir dispersão | piora |

| E | acasalamento aparentado | aumenta endogamia, piora |

Subpasso 4.3 — Medida prática

  • Corredores ecológicos ligando Fragmentos 1 e 2 à paisagem contínua.
  • Restauração de áreas degradadas entre os fragmentos.
  • Translocação ocasional de indivíduos para restaurar fluxo gênico (backup).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Realização da fragmentação do hábitat.

Incorreta — piora o problema. Fragmentar mais reduz ainda mais fluxo gênico e variabilidade.

B) Criação de barreiras de redução do fluxo gênico.

Incorreta. Barreiras aumentam isolamento, o oposto do necessário.

C) Manutenção da conectividade entre os fragmentos.Correta.

Permite que animais se desloquem, troquem alelos, reduzam endogamia e mantenham variabilidade genética. Corredores ecológicos são a aplicação prática.

D) Diminuição da dispersão de indivíduos entre diferentes populações.

Incorreta — contrário do manejo correto. Dispersão alta mantém fluxo gênico; reduzi-la acelera a fragmentação genética.

E) Manutenção do acasalamento entre indivíduos aparentados dentro das populações.

Incorreta. Acasalamento aparentado aumenta homozigose e expressão de alelos deletérios. Contraindicado em conservação.

🏆 Gabarito: C — manter conectividade (corredores ecológicos).

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação: fragmentação reduz variabilidade; manejo correto = conectar para restaurar fluxo gênico.
  • Padrão de cobrança ENEM: genética de populações + fragmentação é tema recorrente (onças, micos-leões, mutuns). Sempre ligar "fragmentação" a "redução de variabilidade" e "conectividade" a "conservação".
  • Generalização: Regra do fluxo gênico — populações isoladas perdem variabilidade pela deriva; conectividade sustenta trocas e preserva biodiversidade.
  • Dica de eliminação: riscar qualquer alternativa que aumente isolamento (A, B, D) ou endogamia (E). Sobra C.
  • Conexões: depressão endogâmica, vórtice de extinção, corredores ecológicos (Mata Atlântica, Corredor Central), mico-leão-dourado, Hotspots de biodiversidade.

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