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Questão 118 — ENEM 2022Caderno azul · 2º Dia

Em 2002, foi publicado um artigo científico que relacionava alterações na produção de hormônios sexuais de sapos machos expostos à atrazina, um herbicida, com o desenvolvimento anômalo de seus caracteres sexuais primários e secundários. Entre os animais sujeitos à contaminação, observaram-se casos de hermafroditismo e desmasculinização da laringe. O estudo em questão comparou a concentração de um hormônio específico no sangue de machos expostos ao agrotóxico com a de outros machos e fêmeas que não o foram (controles).
Os resultados podem ser vistos na figura.
Com base nas informações do texto, qual é o hormônio cujas concentrações estão representadas na figura?
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia humana (sistema endócrino, hormônios sexuais) e Saúde Pública (disruptores endócrinos)
- ⚡ Nível: Médio — exige associar a ideia de "desmasculinização" a uma queda de hormônio masculino e conectar isso a um gráfico comparativo
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Hormônios sexuais, caracteres sexuais secundários e efeito de agrotóxicos sobre o sistema endócrino
- 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual hormônio aparece alto nos machos-controle e baixo tanto nos machos expostos à atrazina quanto nas fêmeas?"
- Palavras-chave decisivas: sapos machos, atrazina (herbicida), hermafroditismo, desmasculinização da laringe, concentração no sangue de machos vs fêmeas
- Armadilha típica: chutar estrogênio porque "feminização" sugere estrogênio. Mas o eixo do gráfico revela o contrário: o hormônio medido está alto nos machos sem contaminação, baixo nos machos contaminados e baixo nas fêmeas — o padrão clássico de um hormônio tipicamente masculino.
- O que a resposta precisa demonstrar: que, quando um macho é "desmasculinizado", o que cai é o hormônio que define as características masculinas (a testosterona), e que essa queda leva as concentrações de macho contaminado a se aproximarem das de fêmea.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Testosterona: principal hormônio androgênico, produzido pelos testículos (nos vertebrados machos) e, em pequena quantidade, pelas glândulas suprarrenais. Responsável pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais primários e secundários masculinos, incluindo o desenvolvimento de estruturas de vocalização em anfíbios machos (como a laringe aumentada em sapos).
- Estrogênio: principal hormônio feminino, produzido pelos ovários. Responsável pelos caracteres sexuais femininos. Sua concentração costuma ser maior em fêmeas do que em machos.
- Desmasculinização: perda ou regressão de características masculinas. Está associada a uma queda na produção de testosterona ou a um aumento da conversão de testosterona em estrogênio.
- Atrazina como disruptor endócrino: herbicida que age como interferente hormonal. Em sapos machos, ela induz a enzima aromatase, que converte testosterona em estrogênio. Resultado: cai a testosterona, sobe o estrogênio, surgem caracteres femininos em machos (hermafroditismo).
- Grupos-controle: machos não expostos ao herbicida e fêmeas não expostas servem como parâmetros para distinguir se uma alteração hormonal é "feminização" ou "masculinização anormal". Aqui, a comparação direta macho-controle × fêmea-controle revela qual hormônio é tipicamente masculino.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "sapos machos expostos à atrazina" e "desmasculinização da laringe" → o efeito observado nos machos contaminados é a perda de uma característica masculina. Isso aponta para queda de hormônio masculino.
- Evidência 2: "comparou a concentração de um hormônio específico no sangue de machos expostos ao agrotóxico com a de outros machos e fêmeas que não o foram (controles)" → o desenho experimental compara três grupos: macho-controle, macho exposto e fêmea-controle.
- Evidência 3 (gráfico da imagem): gráfico de barras com concentração de hormônio em ng/mL. A barra do macho-controle é alta (cerca de 4 ng/mL). A barra do macho exposto à atrazina é baixa (próxima de 0,5 ng/mL). A barra da fêmea-controle também é baixa (cerca de 0,6 ng/mL). O padrão é: macho-controle >> macho-exposto ≈ fêmea-controle.
- Síntese: o hormônio em questão é alto nos machos normais e baixo nas fêmeas normais — é, portanto, um hormônio tipicamente masculino. Como nos machos expostos ele cai a níveis de fêmea, esse hormônio explica a "desmasculinização" observada: só pode ser a testosterona.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Interpretar o padrão do gráfico
A barra do macho-controle é cerca de 8 vezes maior do que a barra da fêmea-controle. Isso já estabelece: o hormônio medido é produzido em quantidade muito maior em machos saudáveis do que em fêmeas. Esse é o perfil clássico de um hormônio androgênico.
Subpasso 4.2 — Eliminar hormônios não-sexuais
A somatotrofina (hormônio do crescimento) e o FSH (folículo estimulante) não se enquadram: o GH não varia sistematicamente entre machos e fêmeas adultas, e o FSH atua tanto em homens quanto em mulheres (com picos diferentes, mas sem um contraste tão drástico quanto o mostrado). Feromônios, por sua vez, não são hormônios mensuráveis no sangue — são substâncias químicas liberadas no ambiente para comunicação entre indivíduos.
Subpasso 4.3 — Decidir entre estrogênio e testosterona
- Se fosse estrogênio: esperaríamos barra alta na fêmea-controle (principal produtora) e barra baixa no macho-controle. Além disso, a contaminação por atrazina aumentaria o estrogênio (a enzima aromatase converte testosterona em estrogênio), não diminuiria. Isso contradiz o gráfico.
- Se for testosterona: esperamos barra alta no macho-controle e barra baixa na fêmea-controle — exatamente o que o gráfico mostra. E a contaminação por atrazina, ao ativar a aromatase, reduz a testosterona disponível, derrubando o valor nos machos expostos para perto dos níveis das fêmeas. É o que o gráfico mostra.
Subpasso 4.4 — Coerência com a "desmasculinização da laringe"
A laringe dos sapos machos é uma estrutura importante para o coaxar de acasalamento e seu desenvolvimento é dependente de testosterona. Se a testosterona cai, a laringe não se desenvolve plenamente, e o sapo fica "desmasculinizado". Isso é plenamente consistente com a testosterona como o hormônio medido.
Subpasso 4.5 — Verificação
Tudo encaixa: (i) alto em machos normais, (ii) baixo em fêmeas normais, (iii) cai para valores femininos em machos contaminados, (iv) explica perda de características masculinas. A única resposta possível é testosterona.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Estrogênio.
❌ Incorreta: o estrogênio é o hormônio predominantemente feminino, e seu padrão esperado é alto nas fêmeas e baixo nos machos. O gráfico mostra o oposto: alto no macho-controle. Além disso, a atrazina aumenta o estrogênio ao estimular a aromatase, o que também contradiz o gráfico (que mostra queda nos machos expostos).
B) Feromônio.
❌ Incorreta: feromônios são substâncias químicas liberadas externamente (no ambiente) para comunicação entre indivíduos da mesma espécie. Não são hormônios circulantes no sangue, nem são medidos em ng/mL sanguíneos como no gráfico.
C) Testosterona.
✅ Correta: a testosterona é alta nos machos normais (mais de 4 ng/mL) e baixa nas fêmeas normais, o que bate com o gráfico. A atrazina, como disruptor endócrino, reduz a testosterona nos machos expostos (aumentando a atividade da aromatase, que converte testosterona em estrogênio). A queda explica a desmasculinização da laringe e o hermafroditismo observados.
D) Somatotrofina.
❌ Incorreta: somatotrofina é o hormônio do crescimento, produzido pela hipófise anterior. Sua concentração não costuma diferir drasticamente entre machos e fêmeas da mesma idade, e não tem relação direta com os caracteres sexuais primários ou secundários. Não explica o gráfico nem a desmasculinização.
E) Hormônio folículo estimulante.
❌ Incorreta: o FSH é um hormônio hipofisário que age sobre gônadas (testículos e ovários), estimulando a espermatogênese nos machos e o desenvolvimento dos folículos ovarianos nas fêmeas. Ele atua nos dois sexos, sem apresentar o contraste esmagador mostrado no gráfico, e não é ele diretamente o responsável por caracteres sexuais secundários como a laringe masculina.
🏆 Gabarito: C — o hormônio medido é a testosterona, que aparece alta nos machos-controle, cai nos machos expostos à atrazina (que ativa a aromatase) e permanece baixa nas fêmeas, justificando a "desmasculinização" observada.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a testosterona encaixa simultaneamente no padrão do gráfico (alta em machos normais, baixa em fêmeas e em machos contaminados) e na descrição biológica (desmasculinização e hermafroditismo).
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência disruptores endócrinos, uso de agrotóxicos e efeitos ecotoxicológicos sobre fauna. Atrazina, bisfenol-A, DDT e ftalatos são protagonistas desse tipo de questão.
- Generalização: quando um estudo compara machos, machos contaminados e fêmeas, use as barras dos dois controles para identificar de qual sexo é o hormônio. Se a barra alta for do macho-controle, é hormônio masculino (testosterona); se for da fêmea-controle, é feminino (estrogênio).
- Dica de eliminação rápida: corte já feromônio (não é hormônio circulante) e somatotrofina (não tem relação com caracteres sexuais). Depois é só olhar o gráfico e decidir entre estrogênio e testosterona.
- Conexões com outros temas: eixo hipotálamo-hipófise-gônadas, sistema endócrino, biomonitoramento ambiental, poluentes orgânicos persistentes, avaliação de impacto ambiental e políticas públicas sobre uso de herbicidas.