Pular para o conteúdo
Memorize
HumanasFilosofiaMédio

Mesma questão em outros cadernos

59Amarelo46Branco66Rosa

Questão 86ENEM 2022Caderno azul · 1º Dia

Empédocies estabelece quatro elementos corporais — fogo, ar, água e terra —, que são eternos e que mudam aumentando e diminuindo mediante mistura e separação; mas os princípios propriamente ditos, pelos quais aqueles são movidos, são o Amor e o Ódio. Pois é preciso que os elementos permaneçam alternadamente em movimento, sendo ora misturados pelo Amor, ora separados pelo Ódio.

SIMPLÍCIO. Fisica. 25, 21 Mm. Os pré-socráticos. São Paso Nova Cultural, 1996

O texto propõe uma reflexão sobre o entendimento de Empédocies acerca da arché, uma preocupação típica do pensamento pré-socrático, porque

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Pré-socráticos, arché, cosmogonia, Empédocles
  • ⚡ Nível: Médio — exige entender o problema da arché e a especificidade da resposta de Empédocles como tentativa racional de explicar a origem e o movimento do cosmos
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Filosofia Antiga, pré-socráticos e passagem do mito ao lógos
  • 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que a reflexão de Empédocles sobre os quatro elementos e os princípios Amor/Ódio corresponde a uma preocupação típica dos pré-socráticos em torno da arché?"
  • Palavras-chave decisivas: quatro elementos corporais, eternos, Amor e Ódio, movimento, mistura e separação, arché
  • Armadilha típica: ler o tema "Amor e Ódio" e associar rapidamente às paixões humanas ou à explicação mitológica do mundo. O ponto da questão é outro: Empédocles está oferecendo uma explicação racional, por princípios físicos e dinâmicos, sobre a origem e o movimento do cosmos. É cosmogonia — discurso sobre o nascimento do mundo — pensada filosoficamente.
  • O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que Empédocles, como os demais pré-socráticos, está preocupado com a gênese e a ordem do cosmos, buscando um princípio explicativo primeiro (arché) e articulando-o com uma dinâmica cósmica.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Arché: termo grego que significa "princípio", "origem", "fundamento primeiro". Para os pré-socráticos, é o elemento do qual tudo deriva e ao qual tudo retorna. Cada filósofo propõe uma arché diferente: água em Tales, ar em Anaxímenes, ápeiron em Anaximandro, fogo em Heráclito, átomos em Demócrito.
  • Cosmogonia: discurso sobre a origem do cosmos, isto é, sobre o nascimento, a formação e a ordenação do universo. Pode ser mítica (Hesíodo, Teogonia) ou filosófica (pré-socráticos). A cosmogonia filosófica tenta explicar a origem por princípios naturais, racionais, não por deuses personificados.
  • Empédocles de Agrigento (c. 490-430 a.C.): pré-socrático que propõe quatro raízes — fogo, ar, água e terra — como elementos constitutivos eternos de tudo. O que gera movimento e transformações é a ação de duas forças opostas: o Amor (philía), que une os elementos, e o Ódio (neikos), que os separa. Os ciclos cósmicos se explicam por alternâncias entre essas forças.
  • Passagem do mito ao lógos: os pré-socráticos são tradicionalmente vistos como os iniciadores do pensamento racional grego, ao substituir a explicação mitológica do mundo por explicações naturais e racionais sobre o que existe e como se transforma.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Empédocles estabelece quatro elementos corporais — fogo, ar, água e terra — que são eternos" → Empédocles oferece uma ontologia material (os elementos são a matéria eterna do mundo) como alternativa à explicação mítica.
  • Evidência 2: "mudam aumentando e diminuindo mediante mistura e separação" → as transformações do mundo são explicadas por combinações e rearranjos desses elementos, não por ações de deuses.
  • Evidência 3: "os princípios propriamente ditos, pelos quais aqueles são movidos, são o Amor e o Ódio" → dois princípios dinâmicos explicam o movimento e a ordem/desordem do cosmos.
  • Evidência 4: "é preciso que os elementos permaneçam alternadamente em movimento, sendo ora misturados pelo Amor, ora separados pelo Ódio" → temos aqui uma explicação cíclica do cosmos, ou seja, uma cosmogonia.
  • Síntese: Empédocles oferece, como seus antecessores, uma reflexão sobre a origem e o funcionamento do cosmos, combinando elementos materiais com princípios dinâmicos. Isso é preocupação cosmogônica — discussão sobre o nascimento e a ordem do mundo.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Definir arché

A arché é o termo técnico dos pré-socráticos para designar o princípio primeiro do qual tudo emana. Buscar a arché é procurar responder: o que existe como fundamento primeiro do mundo? O que permanece idêntico por trás das transformações visíveis? A resposta a essa pergunta é sempre uma proposta cosmogônica, pois implica dizer como o mundo surgiu e por que ele é como é.

Subpasso 4.2 — Aplicar a categoria de arché a Empédocles

Diferente de Tales (água) ou de Heráclito (fogo), Empédocles não escolhe um único elemento. Propõe quatro raízes (fogo, ar, água, terra), todas eternas e inalteráveis, e acrescenta dois princípios dinâmicos, Amor e Ódio, que explicam o movimento, a combinação e a separação dos elementos. O sistema é mais sofisticado do que o dos primeiros pré-socráticos, mas responde à mesma pergunta: como explicar a origem e o ciclo do cosmos?

Subpasso 4.3 — Descartar leituras enganosas

O "Amor e Ódio" em Empédocles não são paixões humanas — são forças cósmicas, tão impessoais quanto gravidade ou repulsão. Também não são deuses mitológicos no sentido de Hesíodo, mas princípios explicativos formulados racionalmente. A operação de Empédocles é exatamente o oposto do discurso mitológico: ele substitui os deuses de Hesíodo por princípios dinâmicos naturais.

Subpasso 4.4 — Identificar a categoria correta

A discussão sobre a gênese e o ciclo do cosmos, por meio de elementos e princípios racionais, chama-se cosmogonia filosófica. Empédocles participa dela. A alternativa C ("evoca a discussão cosmogônica") é a que sintetiza esse ponto.

Subpasso 4.5 — Verificação

Nenhuma outra alternativa descreve a preocupação típica dos pré-socráticos, que é precisamente a origem e estrutura do cosmos. Nem investigação filosófica vaga, nem transcendência ao sensível, nem explicação mitológica, nem fundamentação das paixões humanas cabem na intenção do filósofo de Agrigento.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) exalta a investigação filosófica.

Incorreta: a alternativa é genérica demais. Não basta dizer que Empédocles "exalta a investigação filosófica", porque todos os filósofos fazem isso. A questão pede qual é a preocupação específica dos pré-socráticos, e a resposta tem de ser mais precisa — é a preocupação com a arché, isto é, com a origem e princípio do cosmos.

B) transcende ao mundo sensível.

Incorreta: transcender o mundo sensível é tese tipicamente platônica (mundo das ideias). Empédocles faz o oposto: trabalha com elementos materiais e sensíveis (fogo, ar, água, terra) como realidades eternas. Sua filosofia é profundamente imanente, não transcendente.

C) evoca a discussão cosmogônica.

Correta: a cosmogonia é o discurso sobre a origem do cosmos. Empédocles, ao articular quatro elementos eternos com duas forças dinâmicas que provocam ciclos de união e separação, está oferecendo uma explicação cosmogônica racional, tarefa central dos pré-socráticos em torno da arché.

D) fundamenta as paixões humanas.

Incorreta: o "Amor" e o "Ódio" de Empédocles não são paixões psicológicas humanas, são princípios cósmicos. Confundi-los com sentimentos individuais é ignorar completamente o projeto filosófico. Uma coisa é amar alguém; outra é a philía cósmica que une os quatro elementos.

E) corresponde à explicação mitológica.

Incorreta: exatamente o contrário. Empédocles pertence ao movimento que substitui a explicação mitológica (Hesíodo, Homero) por explicações racionais. Ainda que use termos como "Amor" e "Ódio", eles são empregados como princípios abstratos, não como personagens míticos. A cosmogonia filosófica pré-socrática é justamente o abandono do mito como forma de explicar o mundo.

🏆 Gabarito: C — Empédocles evoca a discussão cosmogônica ao propor quatro elementos eternos e dois princípios dinâmicos para explicar a origem e o movimento do cosmos, preocupação típica dos pré-socráticos em torno da arché.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: ao procurar a arché e explicar os ciclos do mundo por elementos e forças impessoais, Empédocles participa diretamente da tradição cosmogônica filosófica. A C é a única alternativa que menciona essa preocupação central.
  • Padrão de cobrança: o ENEM volta com frequência aos pré-socráticos: Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Parmênides, Empédocles, Demócrito. O eixo costuma ser a passagem do mito ao lógos e a busca pela arché.
  • Generalização: sempre que uma questão sobre pré-socráticos apresentar um elemento ou princípio como fundamento da realidade (água, fogo, ápeiron, átomos, elementos + forças), a resposta estará ligada a arché, cosmogonia e pensamento racional sobre a natureza.
  • Dica de eliminação rápida: qualquer alternativa que reduza o Amor e o Ódio a paixões humanas ou a explicação mitológica deve ser descartada. Qualquer alternativa que fale em transcendência também, porque os pré-socráticos são pensadores imanentes da physis. Em 30 segundos é possível eliminar B, D e E.
  • Conexões com outros temas: physis e cosmos em Tales e Anaximandro; dialética de Heráclito; Parmênides e o Ser imóvel; o atomismo de Demócrito; a filosofia natural de Aristóteles.

+170.000 questões resolvidas no MemorizeApp

Conhecer App