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Questão 82 — ENEM 2022Caderno azul · 1º Dia

O mapa especializa um recurso natural com alto potencial para ocorrência de:
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geomorfologia/Geologia (relação entre tipos de rocha e recursos minerais) + Recursos Naturais da Amazônia
- ⚡ Nível: Médio — exige conhecer a associação entre rochas ígneas e a formação de jazidas minerais metálicas, além de localizar geograficamente o contexto amazônico.
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Compreender a relação entre estrutura geológica e a distribuição de recursos minerais no território brasileiro.
- 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Identifique qual recurso natural está associado, com alto potencial de ocorrência, às áreas onde se encontram as rochas ígneas representadas no mapa."
- Palavras-chave decisivas: rochas ígneas, Amazônia Legal, alto potencial para ocorrência.
- Armadilha típica: Confundir o tipo de rocha com o recurso típico. Rochas SEDIMENTARES estão associadas a combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás natural) e a aquíferos; rochas METAMÓRFICAS, a alguns minérios específicos como mármore. Mas rochas ÍGNEAS são as principais hospedeiras de minerais metálicos como ferro, manganês, ouro, cassiterita e bauxita — todos abundantes no escudo cristalino amazônico.
- O que a resposta precisa demonstrar: Conhecer a tríade básica da geologia (ígneas / sedimentares / metamórficas) e saber qual classe de recursos cada tipo de rocha tipicamente abriga.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Rochas ígneas (ou magmáticas): Formadas pelo resfriamento e solidificação do magma. Podem ser intrusivas (granito, formado em profundidade) ou extrusivas (basalto, formado na superfície). Constituem o embasamento dos escudos cristalinos — entre eles, o Escudo das Guianas e o Escudo Brasil-Central, que afloram na Amazônia.
- Minerais metálicos em rochas ígneas: Durante o resfriamento do magma, ocorre a segregação de elementos químicos. Esse processo gera concentrações economicamente exploráveis de ferro (Fe), manganês (Mn), ouro (Au), estanho (cassiterita, em pegmatitos), nióbio, titânio e outros. Por isso jazidas metálicas estão geralmente associadas a contextos ígneos antigos.
- Rochas sedimentares × hidrocarbonetos × aquíferos: Petróleo, gás natural e carvão se formam em bacias sedimentares, a partir do soterramento e transformação de matéria orgânica. Aquíferos profundos como o Guarani e o Alter do Chão também ocupam estruturas sedimentares porosas e permeáveis. Não há essa associação com rochas ígneas, que são impermeáveis e desprovidas de matéria orgânica fossilizada.
- Rochas metamórficas: Resultam da transformação de rochas pré-existentes por pressão e temperatura. Geram mármore (do calcário), gnaisse (do granito), quartzito (do arenito) e xistos. Não são as principais hospedeiras de minerais metálicos amazônicos.
- Amazônia mineral: A região da Amazônia Legal (que reúne os 9 estados da Amazônia política) abriga a Província Mineral de Carajás (Pará), o maior depósito de ferro do mundo, além de manganês (Serra do Navio, AP), bauxita (Trombetas, PA), cassiterita (Rondônia) e ouro (Serra Pelada, Tapajós). Todos em áreas associadas a rochas ígneas e metamórficas do embasamento cristalino.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
A imagem é um mapa intitulado "Rochas Ígneas da Amazônia Legal", com fonte do IBGE (Geoestatísticas de recursos naturais da Amazônia Legal, 2011). O mapa cobre os nove estados da Amazônia Legal — Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão — delimitada por uma linha preta contínua. Áreas escuras, distribuídas como manchas/polígonos espalhados pela região, identificam onde afloram as rochas ígneas, conforme indicado na legenda inferior.
A leitura visual mostra concentrações importantes de rochas ígneas em:
- Norte de Roraima e Amapá (correspondentes ao Escudo das Guianas, com idade pré-cambriana).
- Sul do Pará e norte de Mato Grosso e Tocantins (correspondentes ao Escudo Brasil-Central, igualmente pré-cambriano).
- Rondônia (com manchas significativas, área tradicional de extração de cassiterita).
- Manchas dispersas também no centro do Amazonas e oeste do Pará.
Justamente essas regiões são os principais polos minerais do Brasil moderno: Carajás, Trombetas, Serra Pelada, Pitinga, Bonfim, Serra do Navio.
- Evidência 1: "Rochas Ígneas da Amazônia Legal" → o mapa restringe-se a um único tipo de rocha (ígneas), e o comando pede o recurso natural associado a esse tipo específico.
- Evidência 2: Distribuição das manchas em áreas dos escudos cristalinos antigos → indica embasamento pré-cambriano, contexto típico de jazidas metálicas.
- Evidência 3: "alto potencial para ocorrência" → reforça que a banca quer o recurso geológico classicamente associado às rochas ígneas, não algo apenas possível ou eventual.
- Síntese: A questão é uma aplicação direta da relação clássica em geologia: rochas ígneas hospedam minerais metálicos. O contexto amazônico apenas reforça com exemplos concretos (Carajás, Pitinga, Serra Pelada).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconhecer o tipo de rocha do mapa
A legenda é explícita: o mapa representa apenas as rochas IGNEAS da Amazônia Legal. Esse é o ponto de partida. Toda a resolução deve partir das propriedades das rochas ígneas, não das sedimentares ou metamórficas.
Subpasso 4.2 — Lembrar a associação clássica entre tipo de rocha e recurso
Em geologia econômica, há uma associação consagrada:
- Rochas ÍGNEAS → minerais metálicos (ferro, manganês, ouro, cassiterita, bauxita, nióbio, cobre).
- Rochas SEDIMENTARES → combustíveis fósseis (petróleo, gás, carvão), aquíferos, calcário, sal-gema.
- Rochas METAMÓRFICAS → mármore, gnaisses, quartzitos; alguns minérios secundários.
Como o mapa exibe rochas ígneas, o recurso esperado é metálico.
Subpasso 4.3 — Confirmar com a geografia da Amazônia
A Amazônia Legal é a região mineral mais rica do Brasil. Carajás (PA) é o maior depósito de minério de ferro do planeta; Pitinga (AM) e o complexo de Rondônia produzem cassiterita (estanho); Serra Pelada (PA) ficou famosa pelo ouro; Trombetas (PA) explora bauxita; Serra do Navio (AP) extraía manganês. Todas essas jazidas estão sobre embasamento cristalino — rochas ígneas e metamórficas pré-cambrianas. A correspondência entre o mapa e a realidade econômica é perfeita.
Subpasso 4.4 — Eliminar candidatos por incompatibilidade geológica
Combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás) só ocorrem em bacias sedimentares — exigem matéria orgânica soterrada por milhões de anos sob camadas de rochas porosas. Não se formam em rochas ígneas. Aquíferos sedimentares profundos, como o nome indica, ficam em rochas sedimentares, não ígneas. Estruturas metamórficas pertencem à terceira classe rochosa, distinta do que o mapa representa. Abalos sísmicos não são "recurso natural" e tampouco têm relação direta com a presença de rochas ígneas em áreas estáveis como o cráton amazônico.
Subpasso 4.5 — Verificação
A resposta correta é a alternativa que aponta JAZIDAS DE MINERAIS METÁLICOS. O mapa é, na prática, um indicador da geografia mineral da Amazônia: cada mancha escura tem alto potencial de abrigar uma futura mina de ferro, ouro, cassiterita, manganês ou bauxita.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Abalos sísmicos periódicos.
❌ Incorreta: Abalos sísmicos não são recursos naturais — são fenômenos geológicos. E mesmo como fenômeno, ocorrem principalmente em bordas de placas tectônicas (zonas de subducção, falhas transformantes), não em áreas cratônicas estáveis como o embasamento amazônico, mesmo que rico em rochas ígneas. As rochas ígneas mapeadas são pré-cambrianas e fazem parte de um cráton extremamente estável tectonicamente.
B) Jazidas de minerais metálicos.
✅ Correta: O processo de cristalização do magma promove a segregação e concentração de elementos metálicos, formando depósitos econômicos de ferro, manganês, ouro, cassiterita, bauxita e cobre. A Amazônia Legal é a maior província mineral metálica do Brasil — Carajás, Trombetas, Pitinga, Serra Pelada, Serra do Navio — e essa riqueza está geograficamente correlacionada com a distribuição das rochas ígneas e do embasamento cristalino representados no mapa.
C) Reservas de combustíveis fósseis.
❌ Incorreta: Petróleo, gás natural e carvão se formam exclusivamente em bacias sedimentares, a partir do soterramento e da transformação termoquímica de matéria orgânica acumulada em ambientes sedimentares (lagos, mares rasos, pântanos). Rochas ígneas não contêm matéria orgânica fossilizada e não geram hidrocarbonetos. As reservas brasileiras de petróleo (pré-sal) e de carvão (Sul) ocorrem em contextos sedimentares, não no embasamento cristalino amazônico.
D) Aquíferos sedimentares profundos.
❌ Incorreta: O próprio nome da alternativa entrega o erro — aquíferos SEDIMENTARES ocorrem em rochas sedimentares porosas e permeáveis, como arenitos. Rochas ígneas são compactas e impermeáveis, salvo onde apresentam fraturas que originam apenas pequenos aquíferos fissurais (de baixíssima produtividade). O aquífero Alter do Chão, na Amazônia, é sedimentar, não ígneo.
E) Estruturas geológicas metamórficas.
❌ Incorreta: O mapa representa especificamente rochas ÍGNEAS, não metamórficas. Embora as duas classes coexistam no embasamento cristalino e juntas formem o substrato dos cratons, são tipos rochosos distintos com gêneses distintas (cristalização do magma × transformação por pressão e temperatura). Confundir as duas é desconhecer a classificação básica das rochas. Além disso, "estruturas metamórficas" também não são, por si, um RECURSO NATURAL — são uma categoria geológica.
🏆 Gabarito: B — As rochas ígneas mapeadas correspondem ao embasamento cristalino da Amazônia, contexto geológico clássico de jazidas de minerais metálicos como ferro (Carajás), manganês, ouro, bauxita e cassiterita.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: Apenas a alternativa B respeita simultaneamente a tríade da classificação rochosa (ígneas hospedam metálicos), o conceito de "recurso natural" (mineral é recurso, abalo sísmico não) e o contexto geográfico do mapa (Amazônia Legal = maior província mineral metálica do Brasil).
- Padrão de cobrança: O ENEM costuma cobrar a relação tipo-de-rocha/recurso em mapas de unidades geológicas brasileiras, e também a localização de polos minerais (Carajás, Quadrilátero Ferrífero, Província Aurífera de Alta Floresta). Variações podem pedir o tipo de rocha responsável por petróleo (sedimentar) ou por mármore (metamórfica).
- Generalização: Memorize a tríade essencial — rochas ígneas (metais), rochas sedimentares (combustíveis fósseis e aquíferos profundos), rochas metamórficas (mármores, gnaisses, alguns minérios). É uma das relações mais cobradas em geologia no ENEM.
- Dica de eliminação rápida: Em 30 segundos: descarte tudo que envolva sedimentos (combustíveis fósseis, aquíferos sedimentares — alternativas C e D) e tudo que não seja recurso natural (abalos sísmicos — A). Resta escolher entre minerais metálicos (B) e estruturas metamórficas (E) — e a chave é ler o título do mapa: ele diz IGNEAS, não METAMORFICAS.
- Conexões com outros temas: Projeto Grande Carajás e exportação de minério de ferro; impactos socioambientais da mineração na Amazônia (rejeitos, garimpo ilegal); rompimentos de barragens (Mariana, Brumadinho); Lei Kandir e tributação de exportação mineral; geopolítica dos minerais críticos (lítio, terras raras, nióbio).