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Questão 51ENEM 2022Caderno azul · 1º Dia

Uma nova economia surgiu em escala global no último quartel do século XX. Chamo-a de informacional, global e em rede para identificar suas características fundamentais e diferenciadas e enfatizar sua interligação. É informacional porque depende basicamente de sua capacidade de gerar, processar e aplicar de forma. eficiente a informação baseada em conhecimentos. E. global porque seus componentes estão organizados em escala global, diretamente ou mediante uma rede de conexões entre agentes econômicos. É rede porque é feita em uma rede global de interação entre redes empresariais.

CASTELLS, M. A sociedade em redo — a era da Informação: economia, sociedade e cultura São Paulo: Paz e Terra, 19899 (adaptado).

Qual mudança estrutural é resultado da forma de organização econômica descrita no texto?

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Globalização + Organização do Espaço Produtivo (sociedade em redes)
  • ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer o conceito de Castells e ligá-lo à geografia econômica contemporânea
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Identificar transformações estruturais do capitalismo global nas últimas décadas do século XX
  • 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual mudança estrutural a economia informacional, global e em rede (Castells) produziu?"
  • Palavras-chave decisivas: informacional, global, em rede, redes empresariais, interligação, último quartel do século XX
  • Armadilha típica: escolher "fabricação em série" ou "padronização de mercadorias" porque soam modernas — mas ambas são marcas do fordismo (início do século XX), não da economia em rede.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a organização em rede quebra a unidade espacial da empresa: a produção deixa de estar ligada a um território único e se dispersa globalmente em cadeias articuladas por informação.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Sociedade em rede (Manuel Castells): conceito do sociólogo espanhol. A partir dos anos 1970-80, a economia mundial se reorganiza em torno de redes de fluxos (informação, capital, mercadorias, pessoas) que atravessam fronteiras nacionais em tempo real.
  • Desterritorialização: processo pelo qual atividades produtivas perdem vínculo exclusivo com um território. Uma empresa sediada em Nova York pode produzir na China, montar no México e vender globalmente.
  • Divisão internacional do trabalho: cada etapa da cadeia produtiva se aloca no lugar mais barato/eficiente (P&D em países centrais, manufatura em países periféricos, montagem em zonas francas). Só é viável graças às TICs.
  • Fordismo x pós-fordismo: fordismo (produção em massa concentrada, padronizada, verticalizada) vs pós-fordismo (produção flexível, em rede, terceirizada, global).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "depende basicamente de sua capacidade de gerar, processar e aplicar de forma eficiente a informação" → a base da nova economia é o processamento de informação, não o estoque físico.
  • Evidência 2: "seus componentes estão organizados em escala global... rede de conexões entre agentes econômicos" → o espaço da empresa não é mais o prédio da fábrica, é uma rede mundial.
  • Evidência 3: "rede global de interação entre redes empresariais" → a unidade produtiva deixa de ser a firma isolada e passa a ser a rede de firmas interligadas.
  • Síntese: Castells descreve uma economia em que a produção está distribuída em múltiplos pontos globais coordenados por fluxos de informação. O efeito espacial direto disso é a perda de um centro geográfico único — a desterritorialização.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a novidade que o texto destaca

O texto sublinha três atributos: informacional (base em conhecimento), global (escala planetária) e em rede (articulação entre múltiplos agentes). A combinação dos três produz uma empresa que não cabe mais em um lugar só.

Subpasso 4.2 — Traduzir essa novidade em efeito geográfico

Se a produção é global e em rede, significa que as etapas produtivas estão espalhadas por vários territórios. A pesquisa ocorre em um país, a manufatura em outro, a montagem em outro, o design em outro. Nenhuma etapa prende a cadeia a um território específico.

Subpasso 4.3 — Nomear o conceito geográfico correspondente

Esse processo de descolar a produção do território tem nome próprio na geografia econômica: desterritorialização. A produção deixa de ter um território de origem fixo e ganha mobilidade global.

Subpasso 4.4 — Verificação

Nenhuma das outras alternativas descreve uma consequência direta e nova da economia em rede descrita por Castells. Fabricação em série e padronização são do fordismo antigo; ampliação de estoques é o oposto da economia just-in-time; fragilização dos cartéis não é consequência automática (aliás, formaram-se oligopólios globais). Só "desterritorialização" casa com o texto.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Fabricação em série.

Incorreta: fabricação em série é marca do fordismo clássico (Ford, anos 1910-1960), não da economia em rede. O pós-fordismo rompe justamente com a produção padronizada e em massa para adotar produção flexível e customizada.

B) Ampliação de estoques.

Incorreta: é o oposto do modelo. A economia informacional usa just-in-time — produzir só o necessário, no momento da demanda, coordenado por informação em tempo real. Estoques altos são vistos como capital parado e ineficiência.

C) Fragilização dos cartéis.

Incorreta: a globalização não enfraqueceu os cartéis — na verdade, permitiu a formação de oligopólios transnacionais em setores estratégicos (tecnologia, petróleo, farmacêutica, mídia). Alternativa contrafactual.

D) Padronização de mercadorias.

Incorreta: também marca do fordismo. O paradigma em rede favorece customização, nichos de mercado, diversificação de produtos (pós-fordismo/toyotismo). A padronização extrema é característica do modelo anterior ao que Castells descreve.

E) Desterritorialização da produção.

Correta: nomeia o efeito geográfico direto da economia em rede — a produção perde vínculo exclusivo com um território e se distribui globalmente em múltiplos pontos articulados por fluxos de informação. É a tradução geográfica imediata do que Castells chama "economia global e em rede".

🏆 Gabarito: E — a economia informacional/global/em rede descrita por Castells rompe o vínculo entre produção e território, distribuindo as etapas produtivas globalmente — processo conhecido como desterritorialização.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a letra E descreve uma mudança estrutural e nova trazida pela economia em rede. As demais alternativas ou descrevem o modelo antigo (fordismo) ou são contrafactuais.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência o contraste fordismo x toyotismo/pós-fordismo. Castells, David Harvey e Milton Santos são os autores recorrentes para esse tema. A resposta certa costuma envolver palavras como flexibilidade, rede, fluxos, desterritorialização.
  • Generalização: quando o enunciado falar em economia pós-anos 1980, informação, fluxos globais ou redes, descarte alternativas com vocabulário fordista (série, padronização, estoque, linha de montagem).
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro tudo que soar como fábrica antiga (fabricação em série, padronização). Depois, elimine o que contradiz just-in-time (estoques altos).
  • Conexões com outros temas: globalização; revolução técnico-científico-informacional (Milton Santos); Divisão Internacional do Trabalho; financeirização da economia; neoliberalismo; meio técnico-científico-informacional.

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