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Questão 5 — ENEM 2021Caderno azul · 1º Dia

A charge evoca uma situação de assombro frente a uma realidade que assola as sociedades contemporâneas. Seu efeito humorístico reside na critica diante do(a)
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Inglês → Interpretação de Texto → Leitura de charge e crítica social
- ⚡ Nível: Médio — exige articular a leitura da imagem (charge) com o comando crítico-textual.
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Compreensão leitora em inglês; análise da crítica social veiculada por uma charge.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o alvo da crítica humorística da charge diante da realidade contemporânea?"
- Palavras-chave decisivas: ¡Por Dios!, ¿Qué le ha pasado al mundo?, Nosotros, guerra, crisis, inseguridad, miseria
- Armadilha típica: Escolher A (ser humano como responsável) por ver "Nosotros" na resposta, sem perceber que o efeito humorístico específico vem do CONTRASTE com o apelo religioso inicial ("¡Por Dios!").
- O que a resposta precisa demonstrar: Que o humor da charge reside no contraste entre o apelo à religiosidade ("¡Por Dios!") e a resposta prosaica "Nosotros" — ou seja, critica-se o ato de apelar a Deus quando a causa é humana.
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Charge: Gênero visual-verbal que usa humor e contraste para criticar um aspecto da realidade. A crítica costuma estar no DESLOCAMENTO entre expectativa e resposta.
- Expressão "¡Por Dios!": Em espanhol, exclamação comum de surpresa/indignação que literalmente invoca Deus. Pode ser lida como apelo religioso ou como interjeição esvaziada.
- Efeito humorístico por contraste: O humor surge quando o leitor espera uma resposta (culpa externa — guerra, crise, políticos) e recebe outra radicalmente diferente ("nós mesmos").
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: A mulher vê o telejornal (lista: guerra, crisis, inseguridad, miseria, violencia, lujo obsceno) e exclama "¡Por Dios! ¿Qué le ha pasado al mundo?" → ela APELA A DEUS como se buscasse uma explicação transcendente.
- Evidência 2: O homem responde "Nosotros" → resposta humana e laica, que aponta o dedo para a própria humanidade.
- Evidência 3: O humor da charge está no CHOQUE entre os dois movimentos — o apelo religioso (pedir explicação a Deus) é imediatamente deflacionado por uma resposta que denuncia o ser humano como causa.
- Síntese: A charge critica o apelo à religiosidade como estratégia de deflexão diante das dificuldades humanas — quando se apela a Deus, esquece-se que a causa somos nós.
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar o alvo da crítica A charge tem dois movimentos: apelo a Deus (mulher) e resposta laica (homem). O humor está no contraste. Agora, QUAL dos dois movimentos é alvo da crítica? O primeiro — o apelo à religiosidade — porque é ele que é SUBVERTIDO pela resposta. A resposta "nosotros" é o dispositivo crítico; o alvo é o apelo anterior.
Subpasso 4.2 — Desambiguar A vs. B A alternativa A ("constatação do ser humano como responsável") descreve a RESPOSTA do homem, mas não é o ALVO DA CRÍTICA — é o INSTRUMENTO da crítica. Já B ("apelo à religiosidade diante das dificuldades") nomeia o que é criticado: a postura de invocar Deus em vez de reconhecer responsabilidade humana.
Subpasso 4.3 — Verificação A crítica humorística da charge recai sobre a mulher que apela a Deus. A resposta "nosotros" serve para expor a inadequação desse apelo. Portanto, o alvo = apelo à religiosidade.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) constatação do ser humano como o responsável pela condição caótica do mundo. ❌ Incorreta: Essa é a RESPOSTA do homem, mas é o veículo da crítica, não seu alvo. A charge não critica a constatação — ela a AFIRMA como verdade. Alvo ≠ verdade afirmada.
B) apelo à religiosidade diante das dificuldades enfrentadas pela humanidade. ✅ Correta: O humor da charge nasce do contraste entre a mulher apelando a Deus e a resposta humana e laica. O alvo crítico é justamente esse apelo: em vez de reconhecer que a causa é humana, a personagem invoca Deus. A charge ridiculariza essa postura.
C) indignação dos trabalhadores em face das injustiças sociais. ❌ Incorreta: Não há representação de trabalhadores nem luta de classes na charge. Os personagens estão em ambiente doméstico — a cena não é de mobilização operária.
D) veiculação de informações trágicas pelos telejornais. ❌ Incorreta: O telejornal é apenas o GATILHO da cena. A charge não critica a mídia em si (as informações são reais: guerra, crise, miséria). A crítica é a REAÇÃO da personagem, não a emissão da notícia.
E) manipulação das notícias difundidas pelas mídias. ❌ Incorreta: Nenhum elemento da charge sugere que as notícias sejam manipuladas/falseadas. Elas são retratadas como expressão legítima dos problemas reais. Não há crítica à mídia.
🏆 Gabarito: B — A crítica humorística da charge recai sobre a postura de apelar à religiosidade ("¡Por Dios!") diante das dificuldades do mundo, quando a causa real é humana — o que a resposta laconicamente lacônica "Nosotros" expõe.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: B é a única que nomeia o ALVO (apelo religioso) e não o VEÍCULO (constatação humana) da crítica. A distinção é sutil mas crucial.
- Padrão de cobrança: Em charges, o ENEM pergunta "sobre o que a charge critica?". Resposta = a postura/situação que é SUBVERTIDA pela fala ou imagem, não a fala/imagem em si.
- Generalização: Em charges argumentativas, o humor nasce do CONTRASTE. Identifique os dois elementos em contraste e pergunte qual dos dois é o alvo da ironia.
- Dica de eliminação rápida: Descarte C (trabalhadores não aparecem), D e E (não há crítica à mídia). Entre A e B, lembre que A é a TESE defendida pela charge; B é o que a charge combate.
- Conexões com outros temas: Crítica ao dogmatismo religioso, responsabilidade humana pelas mazelas sociais, charge como gênero argumentativo, leitura de imagens multimodais.