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Questão 13 — ENEM 2021Caderno azul · 1º Dia

Nessa tirinha, produzida na década de 1970, os recursos verbais e não verbais sinalizam a finalidade de
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Gêneros Textuais → Ironia em tirinha de Henfil sobre igualdade de gênero
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer a ironia na sequência de renúncias que o personagem propõe em nome da "emancipação feminina".
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Análise de recurso expressivo (ironia) em tirinha; reflexão sobre discursos de igualdade de gênero nos anos 1970.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é a finalidade dos recursos verbais e não verbais usados por Henfil na tirinha?"
- Palavras-chave decisivas: Renunciarei aos prazeres mundanos, vida folgazã, busca da beleza física, prazeres individualistas, luta da mulher pela emancipação
- Armadilha típica: Escolher A (reforçar luta por direitos civis) por ver "emancipação", ou B (explicitar autonomia feminina) por achar que o personagem está "apoiando", sem perceber que a tirinha é IRÔNICA — usa o discurso de apoio para expor sua contradição.
- O que a resposta precisa demonstrar: Que a tirinha usa a ironia para mostrar que o discurso de "igualdade" exige da mulher uma renúncia de tudo aquilo que o homem não precisa renunciar — ou seja, questiona se essa "igualdade" é verdadeira.
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Ironia: Recurso retórico em que se diz o oposto do que se pensa, ou em que a forma louvatória é usada para criticar. A ironia funciona quando o leitor percebe o descompasso.
- Ironia política/crítica: Típica do cartunismo político brasileiro dos anos 1970 (contexto da ditadura, início dos debates feministas). Henfil é mestre do gênero.
- Condicionamentos da emancipação: Nos anos 1970, a emancipação feminina era frequentemente apresentada como troca — para ter direitos, a mulher teria que abrir mão de prazeres, beleza, vida social.
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: O personagem repete "Renunciarei..." quatro vezes, construindo uma escada de sacrifícios crescentes (prazeres mundanos → vida folgazã → beleza física → vida social → prazeres individualistas).
- Evidência 2: Só no último quadro aparece a "moral" aparente: "Assim também darei um capítulo na luta da mulher pela sua emancipação". O leitor percebe que TODAS essas renúncias são o preço da "emancipação".
- Evidência 3: O descompasso é revelador: o homem (ou pessoa que fala) não precisa renunciar a nada disso. A suposta igualdade é, na verdade, uma exigência unilateral que subtrai da mulher o que ela tem, sem nada acrescentar.
- Síntese: A tirinha ironiza as condições desigualdade — usa o discurso pretensamente emancipatório para expor que ele exige sacrifícios exclusivos da mulher.
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconhecer o recurso da ironia O personagem diz estar em favor da emancipação, mas lista renúncias exageradas. O tom sério da fala contrasta com o absurdo das exigências. É ironia clássica: a forma apoia, o conteúdo critica.
Subpasso 4.2 — Identificar o alvo da crítica O alvo não é a emancipação feminina em si — é o modo como ela era apresentada nos anos 1970: como troca, como exigência de abrir mão de tudo o que os homens mantinham. A tirinha questiona essa "igualdade" desigual.
Subpasso 4.3 — Verificação contra alternativas A alternativa C ("ironizar as condições de igualdade") é a única que captura o movimento retórico. As outras tomam o discurso do personagem como sério (A, B, D) ou deslocam o foco (E).
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) reforçar a luta por direitos civis. ❌ Incorreta: A tirinha não reforça — ela problematiza. Se fosse reforço, não faria sentido usar ironia. A ironia é sempre crítica, não apoio direto.
B) explicitar a autonomia feminina. ❌ Incorreta: A autonomia feminina pressuporia ganhos, não apenas renúncias. A tirinha mostra só renúncias — o oposto de autonomia. Inverte o sentido.
C) ironizar as condições de igualdade. ✅ Correta: Ao apresentar uma sequência absurda de renúncias como preço da "emancipação", Henfil ironiza a própria ideia de igualdade daquele momento. A igualdade proposta exige da mulher abrir mão de tudo — o que revela a desigualdade estrutural do discurso.
D) estimular a abdicação da vida social. ❌ Incorreta: A tirinha NÃO propõe abdicações — critica quem as propõe. Tomar o discurso do personagem ao pé da letra é ler sem perceber a ironia.
E) criticar as obrigações da maternidade. ❌ Incorreta: A tirinha menciona "quando o nenê nascer" apenas como gatilho temporal, não como crítica à maternidade. O foco é o preço da emancipação, não a maternidade em si.
🏆 Gabarito: C — A tirinha usa ironia para expor que o discurso de igualdade/emancipação dos anos 1970 exigia da mulher renúncias unilaterais, questionando se essa "igualdade" era de fato igualdade.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa que reconhece o uso da ironia como recurso crítico, não como endosso.
- Padrão de cobrança: ENEM explora ironia em cartuns/tirinhas quase sempre. A resposta é raramente "apoiar" — geralmente é "ironizar", "criticar", "questionar".
- Generalização: Quando um personagem apresenta argumentos exagerados ou absurdos em tom sério, procure a ironia. O texto critica o que parece defender.
- Dica de eliminação rápida: Descarte alternativas que tomam a fala do personagem ao pé da letra (A: reforçar; B: explicitar; D: estimular). Entre C e E, E trata de maternidade, tema secundário; C trata da igualdade, tema central.
- Conexões com outros temas: Henfil e o cartum político brasileiro, feminismo de segunda onda (anos 1970), ironia como recurso crítico, função argumentativa do humor gráfico.