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Questão 48ENEM 2018Caderno azul · 1º Dia

A tribo não possui um rei, mas um chefe que não é chefe de Estado. O que significa isso? Simplesmente que o chefe não dispõe de nenhuma autoridade, de nenhum poder de coerção, de nenhum meio de dar uma ordem. O chefe não é um comandante, as pessoas da tribo não têm nenhum dever de obediência. O espaço da chefia não é o lugar do poder. Essencialmente encarregado de eliminar conflitos que podem surgir entre indivíduos, famílias e linhagens, o chefe só dispõe, para restabelecer a ordem e a concórdia, do prestígio que lhe reconhece a sociedade. Mas evidentemente prestígio não significa poder, e os meios que o chefe detém para realizar sua tarefa de pacificador limitam-se ao uso exclusivo da palavra.

CLASTRES, P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982 (adaptado).

O modelo político das sociedades discutidas no texto contrasta com o do Estado liberal burguês porque se baseia em:

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • Matérias Necessárias: Sociologia/Antropologia → Pierre Clastres; sociedades sem Estado × Estado liberal
  • Nível: Médio — contrastar lógicas políticas
  • Tema/Habilidade: Leitura de antropologia política
  • Gabarito: C

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Em que se baseia o modelo tribal, em contraste com o Estado liberal burguês?"
  • Palavras-chave decisivas: chefe sem autoridade, nenhum poder de coerção, pacificador (palavra como único meio), prestígio reconhecido pela sociedade
  • Armadilha típica: marcar "mediação jurídica" (D) ou "imposição ideológica" (A), que descrevem justamente o Estado liberal.
  • O que a resposta precisa demonstrar: o modelo tribal funciona por intervenção consensual + autonomia comunitária.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Estado liberal burguês: monopólio da força, direito positivo, coerção.
  • Sociedade contra o Estado (Clastres): recusa ativa da centralização do poder.
  • Chefia sem poder: figura que harmoniza sem coagir.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "chefe não dispõe de nenhuma autoridade, de nenhum poder de coerção" → sem coerção.
  • Evidência 2: "só dispõe do prestígio que lhe reconhece a sociedade" → legitimidade consensual.
  • Evidência 3: "eliminar conflitos... pelo uso exclusivo da palavra" → intervenção consensual.
  • Síntese: intervenção consensual + autonomia comunitária.

Passo 4 — Resolução Completa

Subpasso 4.1 — Nomear o modelo

A tribo opera por diálogo/consenso; a comunidade se autorregula.

Subpasso 4.2 — Casar com alternativa

"Intervenção consensual e autonomia comunitária" = síntese exata.

Subpasso 4.3 — Verificação

As outras opções descrevem variantes do Estado (monárquico, jurídico, tributário).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) imposição ideológica e normas hierárquicas.

Incorreta: descreve Estado ideológico.

B) determinação divina e soberania monárquica.

Incorreta: descreve monarquia de direito divino.

C) intervenção consensual e autonomia comunitária.

Correta: descreve o modelo tribal sem Estado.

D) mediação jurídica e regras contratualistas.

Incorreta: descreve Estado liberal.

E) gestão coletiva e obrigações tributárias.

Incorreta: tributo é marca de Estado, não de tribo clastresiana.

Gabarito: C

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: Clastres mostra sociedades que evitam o Estado via consenso e autonomia.
  • Padrão de cobrança: antropologia política é recorrente no ENEM.
  • Generalização: "sociedade contra o Estado" = consenso, fala, prestígio — não coerção.
  • Dica de eliminação rápida: descarte opções que envolvam coerção, tributo ou hierarquia.

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