Questão 85 — ENEM 2025Caderno azul · 1º Dia
TEXTO I
O cinema constituía um encanto indefinível: além do entretenimento delicioso das vidas alheias por meio dos filmes, o pretexto amável para os encontros de olhos, para a mostra dos vestidos, para as tagarelices com as vizinhas de cadeiras.
SETTE, M. Anquinhas e bernardas. São Paulo: Livraria Martins, 1940 (adaptado).
TEXTO II
O pouco caso na seleção dos filmes para serem exibidos nos espetáculos diurnos tem sido causa de inúmeros dissabores sofridos pelos progenitores que levam os seus filhos ao cinema para recreá-los. Em toda parte, tanto nas casas de famílias como nos colégios, só se ouve a petizada falar em fitas, em artistas cinematográficos, nas proezas de William Hart ou nas façanhas de Mutt.
O cinema e a criança. Diário de Pernambuco. 29 ago. 1925 (adaptado).
Publicados na primeira metade do século XX, os textos apresentam
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Republicano → Cultura e Modernidade (Cinema)
- ⚡ Nível: Médio — exige comparar dois textos sobre cinema e identificar a relação entre eles.
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Análise comparativa de fontes históricas sobre fenômenos culturais.
- 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é a relação entre os dois textos sobre o cinema no início do século XX?"
- Palavras-chave decisivas: encanto indefinível (Texto I); dissabores sofridos pelos progenitores (Texto II); publicados na primeira metade do século XX
- Armadilha típica: Marcar A (conclusões semelhantes) ou E (justificativas idênticas) ao supor que textos do mesmo período concordam — mas esses dois textos discordam claramente.
- O que a resposta precisa demonstrar: Percepção de que os textos apresentam ARGUMENTOS CONTRADITÓRIOS sobre o MESMO fenômeno cultural (cinema como diversão): Texto I é entusiasmado; Texto II é crítico preocupado com crianças.
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Cinema no início do século XX no Brasil: O cinema chega ao Brasil no final do século XIX e se populariza rapidamente. Na primeira metade do século XX, já era fenômeno de massa, com salas em todas as capitais, movimentando a vida social de famílias e jovens.
- Cinema como objeto de debate moral: Desde seus primórdios, o cinema foi visto simultaneamente como novidade moderna (encanto, socialização, entretenimento) e como ameaça (influência sobre jovens, valores morais, "má influência").
- Textos históricos contraditórios: Quando diferentes fontes de um mesmo período tratam o mesmo assunto com argumentos opostos, estamos diante do debate histórico — tensão característica de fenômenos novos e transformadores.
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
Texto I (Sette, 1940):
- "encanto indefinível"
- "entretenimento delicioso"
- "pretexto amável para os encontros de olhos"
- Tom: positivo, nostálgico, elogioso.
Texto II (Diário de Pernambuco, 1925):
- "pouco caso na seleção dos filmes"
- "dissabores sofridos pelos progenitores"
- "só se ouve a petizada falar em fitas"
- Tom: crítico, preocupado, alarmado.
Síntese: Os dois textos tratam do MESMO fenômeno (cinema como diversão) com argumentos OPOSTOS — um elogia, outro critica.
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o objeto comum
Ambos falam do cinema. Ambos o classificam como diversão/entretenimento. Logo, o objeto é o mesmo: cinema enquanto tipo de diversão.
Subpasso 4.2 — Identificar os tons
Texto I: elogioso, entusiasmado, saudoso. Texto II: crítico, preocupado, alarmado. Os argumentos vão em direções opostas — um mostra o lado positivo do cinema (socialização, prazer), o outro, o lado negativo (má influência sobre crianças).
Subpasso 4.3 — Verificação
Os textos apresentam argumentos contraditórios sobre o mesmo tipo de diversão — formulação exata da alternativa B.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) conclusões semelhantes sobre o mesmo suporte midiático.
❌ Incorreta: Conclusões NÃO são semelhantes — são opostas. Um elogia, o outro critica. Essa alternativa inverte a relação.
B) argumentos contraditórios sobre o mesmo tipo de diversão.
✅ Correta: Capta exatamente a tensão entre os textos. Mesmo objeto (cinema como diversão), argumentos opostos (entusiasmo × preocupação).
C) discursos contraditórios sobre a mesma didática escolar.
❌ Incorreta: Os textos não tratam de didática escolar, mas de diversão cultural (cinema). Embora o Texto II mencione preocupação com crianças, o contexto não é escolar, mas de recreação familiar.
D) regras teológicas acerca de um mesmo recurso pedagógico.
❌ Incorreta: Não há regras teológicas no texto. E cinema não é "recurso pedagógico", é recurso de entretenimento.
E) justificativas idênticas acerca de um mesmo aspecto cultural.
❌ Incorreta: As justificativas NÃO são idênticas — são opostas. Inversão da relação entre os textos.
🏆 Gabarito Final: B
Os dois textos apresentam argumentos contraditórios sobre o mesmo tipo de diversão — o cinema, apresentado como encanto positivo no Texto I e como fonte de preocupação/dissabor no Texto II.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que reconhece simultaneamente a unidade do objeto (cinema-diversão) e a divergência dos argumentos.
- Padrão de cobrança: Comparação de fontes é habilidade central no ENEM. Saiba identificar objetos comuns e eixos divergentes entre textos.
- Generalização: Fenômenos culturais novos (cinema, internet, videogame, TV) costumam gerar textos com argumentos opostos — celebrativos e críticos. Essa é a "guerra cultural" de cada período.
- Dica de eliminação rápida: Elimine alternativas que afirmam semelhança (A, E) quando os textos têm tonalidades opostas, e alternativas que deslocam o tema (C — didática, D — pedagogia).
- Conexões com outros temas: História do cinema brasileiro, cultura de massas, juventude e modernidade, debates morais sobre mídia, início do século XX.