Questão 13 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 1º Dia
Como abater uma nuvem a tiros
sirenes, bares em chamas,
carros se chocando,
a noite me chama,
a coisa escrita em sangue
nas paredes das danceterias
e dos hospitais,
os poemas incompletos
e o vermelho sempre verde dos sinais
LEMINSKI, P. In: CESAR, A. C. et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006.
O poema de Paulo Leminski filia-se à geração da chamada poesia marginal, produzida por artistas que fugiam dos padrões estabelecidos pela elite literária. Nesse texto, a expressão dessa poética fundamenta-se na
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias: Literatura → Poesia marginal anos 70 + Paulo Leminski
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer características formais e temáticas da poesia marginal
- 🎯 Habilidade: Análise de poética vanguardista e contexto histórico-literário
- 🏆 Gabarito: A
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica
- Comando: "Em que se fundamenta a poética marginal de Leminski nesse texto?"
- Palavras-chave: sirenes, bares em chamas, carros se chocando, dancet., hospitais, versos sem métrica fixa, sem rimas
- Armadilha: Ler literalmente (trânsito, acidentes) — o poema monta um MOSAICO de imagens urbanas fragmentárias, não uma crítica específica ao trânsito (D, E).
📚 Passo 2 — Conceitos
- Poesia marginal: movimento brasileiro dos anos 70 que rejeitava padrões da elite literária, usava linguagem coloquial e publicava fora do circuito oficial.
- Verso livre: sem métrica fixa nem rimas sistemáticas — marca expressiva do conc./tropical./marginal.
🧭 Passo 3 — Decodificação
- Evidência 1: Acumulação de imagens urbanas rápidas (sirenes, bares em chamas, dancet., hospitais) — fragmentação característica.
- Evidência 2: Versos curtos, sem métrica regular e sem esquema de rima — liberdade formal.
- Evidência 3: Oximoro ‘vermelho sempre verde’ e tons noturnos compõem o cenário caótico da cidade contemporânea.
🧠 Passo 4 — Resolução
4.1 — O poema pinta a grande cidade como mosaico de fragmentos (violência, festa, sinalização, corpos) — visualidade sincopada.
4.2 — A forma é coerente com o conteúdo: versos livres, sem rima, aproximam-se do ritmo do cotidiano urbano.
4.3 — Logo, a poética marginal se sustenta em (A): situações cotidianas fragmentadas + liberdade métrica + ausência de rimas.
✅❌ Passo 5 — Análise das Alternativas
A) situações cotidianas fragmentadas, liberdade métrica e ausência de rimas. ✅ Correta: resume a forma e o conteúdo do poema, alinhados ao experimentalismo marginal.
B) liberdade temática que leva à perda de valor semântico. ❌ Não há perda de sentido; as imagens dialogam com a vida moderna. Contradiz o poema.
C) ausência de rimas como reclamação em ‘poemas incompletos’. ❌ A expressão ‘poemas incompletos’ é imagem do mosaico urbano, não reclamação sobre rimas.
D) crítica ao trânsito nas cidades. ❌ Leitura literal; o verso é oximoro/imagem, não crítica específica ao trânsito.
E) denúncia de acidentes de trânsito que lotam hospitais. ❌ Mesma leitura literal; o poema não articula causa-efeito jornalística.
🏆 Gabarito: A — Mosaico urbano fragmentário + forma livre = poética marginal.
🏁 Passo 6 — Conclusão e Dica
- Padrão: o ENEM cobra ligação entre forma (versos livres) e conteúdo (caos urbano) em poetas marginais.
- Dica: desconfie de leituras literais em poesia; imagens fragmentadas costumam construir atmosfera, não narrativa referencial.
- Conexões: Paulo Leminski, geração mimeógrafo, Ana Cristina Cesar, Cacaso, concretismo, literatura pós-64.