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Questão 78ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia

Memória e história não são sinônimos. A memória é a vida, protagonizada pelas pessoas, em grupo, e está em evolução permanente. Aberta para a dialética da lembrança e do esquecimento, a memória não tem consciência de sua sucessiva deformação e, vulnerável a todas as utilizações e manipulações, é suscetível a longas latências e repentinas revitalizações. A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta do que já passou. A memória é um fenômeno sempre atual, uma ligação vivida no eterno presente, ao passo que a história é uma representação do passado.

LISBOA, K. M. Comemorações, história, memória e identidade. In: RODRIGUES, J. (Org.). A Universidade Federal de São Paulo aos 75 anos: ensaios sobre história e memória. São Paulo: Unifesp, 2008 (adaptado).

De acordo com o texto, a escrita da história exige a prática de

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Teoria da História (memória vs. história — Pierre Nora, Le Goff)
  • ⚡ Nível: Médio — exige distinguir memória (vivida, presente) de história (reconstrução do passado).
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Fontes, metodologia e fazer historiográfico.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o texto, o que a ESCRITA DA HISTÓRIA exige na prática?"
  • Palavras-chave decisivas: reconstrução, problemática e incompleta, representação do passado, diferente da memória.
  • Armadilha típica: confundir o trabalho do historiador com o de "guardar memória" ou simplesmente "confirmar documentos".
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o historiador RECONSTRÓI/RECOMPÕE o tempo passado (que foi experimentado), em vez de apenas registrar ou ratificar.

📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Memória: viva, afetiva, coletiva, sujeita a manipulação, ligada ao presente.
  • História: reconstrução crítica do passado, problemática e incompleta, feita pelo historiador.
  • Recompor: reunir fragmentos de um tempo que já se foi, reconstruindo-o em discurso.
  • Historiografia contemporânea: reconhece que o historiador NÃO captura o passado "tal como foi", mas o REPRESENTA.

🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta do que já passou" → o historiador reconstrói, não reproduz.
  • Evidência 2: "a história é uma representação do passado" → é re-presentação, re-composição do tempo experimentado.
  • Síntese: escrever história = recompor o tempo experimentado pelos sujeitos do passado.

🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Separar memória × história Memória é vivida no presente; história é reconstrução do passado. A prática do historiador pertence ao segundo polo.

Subpasso 4.2 — Identificar o verbo adequado O texto usa "reconstrução" e "representação". Nas alternativas, o termo equivalente é "RECOMPOR".

Subpasso 4.3 — Verificação "Recompor o tempo experimentado" = reconstituir o passado vivido pelos sujeitos — exatamente o que o texto define como tarefa da história. Confirma E.

✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ratificar os registros documentais.Incorreta: o historiador não apenas ratifica (confirma) documentos — ele os problematiza e reconstrói sentidos.

B) detalhar as verdades antigas.Incorreta: o texto afirma que a história é "problemática e incompleta", não a posse de "verdades antigas".

C) reforçar o vestígio recordado.Incorreta: "vestígio recordado" é campo da memória, não da história.

D) afirmar o acontecimento descrito.Incorreta: a história não é mera afirmação, é reconstrução crítica.

E) recompor o tempo experimentado.Correta: traduz exatamente "reconstrução... do que já passou" e "representação do passado".

🏆 Gabarito: E — a escrita da história é a recomposição crítica do tempo passado.

🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que traduz o caráter reconstrutivo e representacional da história descrito no texto.
  • Padrão de cobrança: ENEM cobra a distinção conceitual entre memória e história, a partir de teóricos como Le Goff e Pierre Nora.
  • Generalização: memória = presente vivido; história = representação crítica do passado.
  • Dica de eliminação rápida: descarte verbos fracos como "ratificar", "afirmar", "detalhar" — o historiador RECONSTRÓI.
  • Conexões com outros temas: lugares de memória, patrimônio, fontes históricas, usos políticos do passado.

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