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Questão 49ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia

Em 1845, na França, os fabricantes expõem claramente seu ponto de vista: "A perfeição do trabalho que se obtém com a nova máquina será um estímulo a se fazer melhor, e o operário finalmente entenderá que, quando as máquinas substituem em todos os sentidos o trabalho do homem, produzem melhor e mais barato do que ele, a razão ordena-lhe obedecer às prescrições do senhor, a fim de que faça o melhor possível, e ordena-lhe também renunciar a salários exagerados".

PERROT, M. Os excluídos da História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988 (adaptado).

De acordo com o texto, a perspectiva de crescimento da produção fabril residia no(a)

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Revolução Industrial; disciplina fabril; relações de trabalho no século XIX
  • ⚡ Nível: Fácil-Médio — leitura atenta revela o foco patronal na obediência do operário
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Industrialização, técnica e mundo do trabalho (CH1)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo os fabricantes franceses, em que se baseia o crescimento da produção?"
  • Palavras-chave decisivas: obedecer às prescrições do senhor, renunciar a salários exagerados, máquinas substituem o trabalho do homem
  • Armadilha típica: ler o texto como se estivesse defendendo a melhoria da vida operária — o tom é claramente patronal e disciplinador.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o aumento de produção depende, segundo os industriais, da submissão do trabalhador à lógica da máquina e do patrão.

📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Segunda Revolução Industrial (meados do XIX): introdução maciça de máquinas e substituição do trabalho qualificado; necessidade de adaptar o operário ao ritmo mecânico.
  • Disciplina fabril: conjunto de mecanismos (relógio, supervisão, multas, regulamentos) que moldam corpos e hábitos dos trabalhadores — tema central em E. P. Thompson e Michelle Perrot.
  • Ideologia patronal do século XIX: discurso que apresenta a obediência como "racional", naturaliza a subordinação e culpa o operário por salários "exagerados".
  • Contexto: França de 1845, em plena industrialização da Alsácia e do Norte — greves, luddismo e organização operária nascem justamente como resposta a esse modelo.

🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "a razão ordena-lhe obedecer às prescrições do senhor" → a obediência é apresentada como valor racional.
  • Evidência 2: "renunciar a salários exagerados" → o operário deve abrir mão de demandas salariais.
  • Síntese: o discurso articula máquina, obediência e contenção salarial — o eixo é a disciplina do trabalhador como condição da produção.

🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Perspectiva do emissor do discurso Os fabricantes falam em nome de si mesmos: buscam justificar por que o operário deve trabalhar mais, aceitar menos e obedecer. A "perfeição da máquina" é usada como pretexto para exigir submissão.

Subpasso 4.2 — Identificar a chave da produção Para os industriais, o crescimento depende de o operário se enquadrar às "prescrições do senhor" — ou seja, de cumprir a disciplina da fábrica. Sem essa subordinação, a máquina não rende.

Subpasso 4.3 — Verificação A alternativa que verbaliza "obedecer às prescrições do senhor" é a que fala em "disciplina do empregado na fábrica" — exatamente o que o patrão deseja.

✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) demanda do mercado nacional.Incorreta: o texto não menciona consumidores, mercado interno ou demanda; o foco é a relação patrão-operário dentro da fábrica.

B) elevação do custo de produção.Incorreta: é o oposto do argumento patronal — eles querem barateamento (produzir "melhor e mais barato"), não elevação de custos.

C) disciplina do empregado na fábrica.Correta: "obedecer às prescrições do senhor" é a definição clássica de disciplina fabril; é nesse enquadramento do operário que os industriais veem a chave do crescimento.

D) aumento de encargos trabalhistas.Incorreta: em 1845 não existiam encargos trabalhistas no sentido moderno; além disso, o texto critica "salários exagerados", ou seja, quer reduzir custos do trabalho.

E) melhoria da condição do operariado.Incorreta: o discurso patronal é exatamente oposto — exige renúncia a salários maiores e submissão, não melhoria das condições de vida.

🏆 Gabarito: C — o crescimento da produção fabril é atrelado, pelos industriais, à disciplina e submissão do operário às normas do patrão.

🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas C capta que o "motor" da produção, no discurso patronal, é a obediência do trabalhador.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra texto patronal do século XIX para o candidato identificar a lógica da disciplina fabril.
  • Generalização: no capitalismo industrial, produtividade crescente depende da subordinação do corpo do trabalhador ao ritmo da máquina e ao regulamento.
  • Dica de eliminação rápida: descarte qualquer alternativa que sugira benefício ao operário — o texto diz o contrário.
  • Conexões com outros temas: taylorismo, fordismo, Thompson e a "economia moral da multidão", luddismo, movimento cartista.

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