Questão 17 — ENEM 2025 BelémCaderno azul · 1º Dia
Quando a porta se abriu, ouvi em tom baixo: "Não saia daí até eu voltar!". E ela se fechou, me deixando ali, no escuro. [...]
Até que acabaram os biscoitos e a água que levamos na mochila. Bateu sede, mas eu não podia sair do quartinho. Bateu fome, mas eu não podia sair do quartinho. Bateu vontade de fazer xixi, mas... descobri que tinha um microbanheiro atrás de outra porta branca: um vaso sanitário, um chuveiro que por pouco não estava sobre o vaso e, em frente aos dois, uma pia com um espelho na parede acima dela. Entre o espelho e a pia, uma prateleira com um pote, um tubo de pasta de dentes e uma escova dentro. Tudo no diminutivo.
Quando ter uma empregada que dorme no trabalho passou a ser algo caro e não de muito bom-tom, os corretores de imóveis chamariam esse local da casa de "quarto reversível", um nome para não chamar o quartinho de quartinho ou do que ele realmente era: um lugar para serviçais, criadas, babás, domésticas, amas, empregadas. Todos esses nomes que deram e dão até hoje a quem é "quase da família". Um lugar onde estivessem ao alcance do comando de voz, do olhar, ao alcance das mãos... A tempo e hora, vinte e quatro horas por dia.
CRUZ, E. A. Solitária. São Paulo: Cia. das Letras, 2022.
Nesse fragmento, ao refletir sobre aspectos da rotina de trabalho da mãe, a narradora
Alternativas
Resolução
Resolução em breve.