Questão 54 — ENEM 2024Caderno azul · 1º Dia
Os grupos dominantes são beneficiados em termos de credibilidade e podem, com isso, controlar falas de membros de outros grupos, descredibilizando seus testemunhos com base em concepções compartilhadas de preconceito de identidade (gênero e raça). Algumas formas de preconceito tornam as declarações das pessoas menos importantes devido ao seu pertencimento a determinado grupo social. Assim, um falante recebe menos credibilidade devido ao preconceito do ouvinte.
KUHNEN, T. Resenha de The Power and Ethics of Knowing, de Miranda Fricker. Revista Princípios, n. 33, 2013.
Com base na reflexão suscitada no texto, o preconceito de identidade é responsável por um tipo de injustiça
Alternativas
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Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Epistemologia → Injustiça Epistêmica (Miranda Fricker)
- ⚡ Nível: Difícil — exige conhecimento de conceito filosófico especializado (injustiça epistêmica) e associação com preconceito identitário.
- 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Teoria do conhecimento (epistemologia), relações de poder e produção de conhecimento, discriminação epistêmica.
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
🔎 Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual tipo de injustiça é causada pelo preconceito de identidade que desacredita testemunhos alheios?"
- Palavras-chave decisivas: credibilidade, testemunhos, descredibilizando, preconceito de identidade, trocas informacionais
- Armadilha típica: Marcar E (injustiça econômica) por pensar na desigualdade material que acompanha o preconceito, ou A (estética) por pensar em padrões corporais discriminatórios — mas o texto foca especificamente na credibilidade do conhecimento, não em corpos ou riqueza.
- O que a resposta precisa demonstrar: Reconhecer que impedir alguém de ser ouvido ou acreditado constitui uma injustiça na esfera do conhecimento (epistêmica).
📚 Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Injustiça epistêmica (Miranda Fricker): Filósofa britânica que cunhou o conceito em 2007. Define dois tipos: injustiça testemunhal (descreditar o testemunho de alguém por preconceito) e injustiça hermenêutica (ausência de conceitos para compreender experiências de grupos marginalizados).
- Epistemologia: Ramo da filosofia que estuda o conhecimento — sua origem, limites e validade. Questões epistêmicas envolvem como sabemos e quem é ouvido como fonte de saber.
- Preconceito de identidade: Avaliação negativa de alguém com base em características identitárias (raça, gênero, classe) que afeta a credibilidade que lhe é atribuída nas trocas de informação.
🧭 Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "descredibilizando seus testemunhos com base em concepções compartilhadas de preconceito de identidade (gênero e raça)" → o problema está na credibilidade dos testemunhos — área epistêmica.
- Evidência 2: "um falante recebe menos credibilidade devido ao preconceito do ouvinte" → é uma injustiça que ocorre nas trocas de informação/conhecimento, não no mercado econômico ou nas relações afetivas.
- Síntese: O preconceito de identidade cria uma injustiça epistêmica — afeta as trocas informacionais e a produção coletiva de conhecimento ao desacreditar certas vozes sistematicamente.
🧠 Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — O que é injustiça epistêmica "Epistêmica" vem de episteme (conhecimento em grego). Injustiça epistêmica é uma injustiça que ocorre no domínio do conhecimento e da informação — quando alguém é sistematicamente impedido de contribuir para o conhecimento coletivo ou não tem sua voz reconhecida como válida.
Subpasso 4.2 — Como o preconceito de identidade produz injustiça epistêmica Quando um ouvinte desacredita o testemunho de um falante por causa de sua raça, gênero ou outra identidade, está bloqueando a circulação de conhecimento válido. Essa injustiça prejudica as "trocas informacionais" — o processo coletivo de compartilhar e validar informações.
Subpasso 4.3 — Por que D é correta "Epistêmica, que prejudica as trocas informacionais" — a injustiça é epistêmica (domínio do conhecimento) e seus efeitos são nas trocas informacionais (quem é ouvido, quem é acreditado). Isso corresponde diretamente ao que o texto descreve.
✅❌ Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) estética, que normatiza os padrões corporais. ❌ Incorreta: Estética trata de beleza, arte, padrões corporais. O texto não fala de corpos, mas de testemunhos e credibilidade — esfera do conhecimento, não da aparência.
B) sensorial, que privilegia as habilidades visuais. ❌ Incorreta: "Sensorial" não é um tipo de injustiça filosófica reconhecida nesse contexto. O texto não menciona percepção sensorial ou habilidades visuais.
C) afetiva, que impede as expressões emocionais. ❌ Incorreta: "Afetiva" se refere a emoções e sentimentos. O texto fala de credibilidade e trocas informacionais, não de expressão emocional.
D) epistêmica, que prejudica as trocas informacionais. ✅ Correta: O texto descreve exatamente a injustiça epistêmica de Miranda Fricker — o preconceito de identidade faz com que o falante "receba menos credibilidade", prejudicando as trocas informacionais (o processo coletivo de produção e circulação do conhecimento).
E) econômica, que perpetua as desigualdades materiais. ❌ Incorreta: Embora o preconceito também gere injustiças econômicas, o texto foca especificamente na credibilidade dos testemunhos e nas trocas informacionais — esfera epistêmica, não econômica.
🏆 Gabarito: D — O preconceito de identidade é responsável por uma injustiça epistêmica, pois ao descreditar os testemunhos de certos grupos, prejudica as trocas informacionais e a produção coletiva de conhecimento.
🏁 Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única correta porque o texto trata da credibilidade dos testemunhos e das trocas informacionais — domínio da epistemologia (teoria do conhecimento), não da estética, economia ou afetividade.
- Padrão de cobrança: O ENEM valoriza questões que conectam problemas sociais (racismo, sexismo) a conceitos filosóficos (epistemologia, ética). Miranda Fricker é referência crescente no ENEM.
- Generalização: Quando um texto filosófico falar em "credibilidade", "testemunhos", "trocas de informação" ou "saber", associe ao campo epistêmico. Injustiça que afeta o conhecimento = injustiça epistêmica.
- Dica de eliminação rápida: "Trocas informacionais" da alternativa D corresponde diretamente ao texto ("descredibilizando seus testemunhos"). Elimine A (corpos), B (visão), C (emoções) rapidamente.
- Conexões com outros temas: Ética e poder, Desigualdade de gênero e raça, Teoria do conhecimento (Bacon, Descartes, Quine), Sociologia do conhecimento.