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NaturezaFísicaFácil

Questão 122ENEM 2023 PPL

O lançamento de 60 satélites altamente refletores pela empresa SpaceX está preocupando os cientistas: a “superpopulação” de satélites ameaça a nossa observação das estrelas. A SpaceX espera que um dia seja possível ter 12 mil satélites na órbita da Terra, permitindo o acesso à internet de alta velocidade, com a qual toda a humanidade só pode sonhar. A SpaceX é só uma das companhias no setor da internet via satélite.

“Se muitos dos satélites dessas novas megaconstelações tiverem esse tipo de brilho constante, então em 20 anos ou menos, o olho humano passará a ver, durante boa parte da noite em qualquer lugar do mundo, mais satélites do que estrelas”.

Astrônomos alertam: satélites da SpaceX podem mudar céu noturno. Disponível em: https://br.sputniknews.com. Acesso em: 21 nov. 2019 (adaptado).

A preocupação dos astrônomos baseia-se no fato de esses satélites

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • Matérias necessárias: Física → Óptica (reflexão difusa/especular) + Astronomia observacional + Órbita terrestre baixa (LEO) + Sombra da Terra.
  • Nível: Fácil-médio — exige entender que, durante a noite no solo, os satélites em órbita baixa ainda são iluminados pelo Sol (estão acima da sombra da Terra) e refletem essa luz de volta.
  • Tema/Habilidade BNCC: propriedades da luz e impactos antrópicos na astronomia.
  • Gabarito: A.

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que os satélites Starlink preocupam astrônomos — como eles interferem com a observação de estrelas?"
  • Palavras-chave decisivas: 60 satélites altamente refletores, brilho constante, mais satélites do que estrelas visíveis, megaconstelações.
  • Armadilha típica: marcar B (emitem radiação) — satélites Starlink são passivos do ponto de vista óptico: não têm luz própria, só refletem. Confundir com "emitem" é erro conceitual.
  • Critério de acerto: reconhecer que satélites em órbita baixa refletem luz solar, e durante boa parte da noite (nas primeiras horas após o pôr do sol e antes do nascer) ainda estão iluminados acima da sombra terrestre → pontos luminosos no céu noturno.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Satélites em órbita baixa (LEO — Low Earth Orbit): 400-2000 km de altitude. Starlink orbita a ~550 km.
  • Iluminação solar em órbita: durante a noite no solo, satélites em LEO continuam recebendo luz solar direta por várias horas — só entram na sombra da Terra quando a geometria orbital os coloca do lado oposto ao Sol.
  • Reflexão da luz solar: as superfícies do satélite (antenas planas, painéis FV, paredes metálicas) refletem intensamente a luz solar, tornando-os visíveis como pontos luminosos em movimento a olho nu.
  • Consequência astronômica:

- Brilho dos satélites compete com estrelas fracas.

- "Trilhas" em fotos de longa exposição estragam imagens de telescópios.

- Saturação de detectores sensíveis (observações profundas comprometidas).

  • Satélites não emitem luz própria: têm sinais de rádio, mas não luz visível significativa.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "satélites altamente refletores" → reflexão, não emissão.
  • Evidência 2: "olho humano passará a ver, durante boa parte da noite... mais satélites do que estrelas" → fenômeno noturno.
  • Evidência 3: "ofuscar a luz das demais estrelas" → satélites visíveis competem com luminosidade estelar.
  • Síntese: durante a noite no observador, os satélites refletem luz solar (ainda presente acima da sombra terrestre) → alternativa A.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Geometria noite-satélite-Sol

  • Observador no solo: é noite (Sol abaixo do horizonte).
  • Satélite a 550 km de altitude: pode estar acima do horizonte do observador E ainda iluminado pelo Sol (se a linha Sol-satélite não atravessa a Terra).
  • Resultado: satélite visível como ponto refletor, à noite.

Subpasso 4.2 — Por que "de dia" (alternativa D) está errada

  • De dia, o céu é dominado pela luz solar difusa (dispersão atmosférica). O brilho do satélite é totalmente apagado pelo fundo azul claro. Astrônomos não observam estrelas de dia, então a preocupação noturna (A) é específica.

Subpasso 4.3 — Por que "emitir" está errado (B e E)

  • Satélites Starlink têm painéis solares para gerar energia e antenas para comunicação (ondas de rádio, invisíveis ao olho). Não emitem luz visível própria significativa.

Subpasso 4.4 — Por que "refração" está errada (C)

  • Refração é desvio da luz ao mudar de meio (ar → água, por exemplo). Satélites não "refratam" a luz estelar em escala relevante; eles apenas refletem luz solar.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) refletirem a luz do Sol durante o período noturno, ofuscando a luz das demais estrelas.Correta.

Mecanismo exato: à noite no solo, satélites em LEO ainda recebem luz solar (estão acima da sombra) e a refletem para observadores. O brilho compete com estrelas de magnitude 3-6.

B) emitirem para a Terra muita radiação luminosa que se sobrepõe à das estrelas.

Incorreta. Starlink não emite luz visível — emite ondas de rádio (invisíveis). A "luz" vista é reflexão da luz solar.

C) refratarem a luz das estrelas, desviando os raios dos telescópios posicionados na superfície da Terra.

Incorreta. Refração é fenômeno em interfaces de meios; satélites não são lentes nem mudam o caminho da luz estelar.

D) refletirem a luz do Sol durante o período diurno, ofuscando a luz das demais estrelas.

Incorreta. De dia, estrelas não são visíveis porque o céu é dominado pela luz solar dispersa. O problema dos satélites é noturno.

E) emitirem de volta para o espaço a luz das estrelas que seria captada pelos telescópios posicionados na superfície da Terra.

Incorreta. Satélites não "devolvem" luz estelar — eles competem com ela por brilho, via reflexão solar.

🏆 Gabarito: A — reflexão noturna da luz solar.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação: a luz dos satélites é refletida (do Sol) e aparece à noite — competindo com estrelas.
  • Padrão de cobrança ENEM: astronomia com componente óptico aparece em questões sobre poluição luminosa, telescópios, observação. Chave = distinguir emissão e reflexão.
  • Generalização: Regra da visibilidade celeste — corpos sem luz própria (Lua, satélites, planetas) só são vistos por reflexão da luz solar. Corpos com luz própria (estrelas, quasares, LEDs) emitem.
  • Dica de eliminação: cortar alternativas que falem em "emissão" ou "refração"; satélites são passivamente refletivos.
  • Conexões: poluição luminosa, telescópios espaciais (Hubble, James Webb), órbita baixa/geoestacionária, lei de Snell (refração), detector CCD, magnitude aparente.

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