Questão 113 — ENEM 2023 PPL
A incapacidade de perceber certas cores é denominada daltonismo. Um tipo raro é classificado de tritanomalia e corresponde a um defeito nos cones sensíveis à cor azul. O gene responsável pela herança situa-se no cromossomo 7, permitindo que homens e mulheres sejam igualmente afetados. Além disso, casais sem tritanomalia podem ter crianças com a herança.
O padrão dessa herança rara é
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- Matérias necessárias: Biologia → Genética mendeliana (dominância e recessividade) + Heranças ligadas ao sexo vs. autossômicas + Identificação do padrão a partir de pedigrees.
- Nível: Médio — exige deduzir dois traços a partir de duas informações: (1) localização no cromossomo 7 → autossômico; (2) casal sem a condição podendo ter filho afetado → recessivo.
- Tema/Habilidade BNCC: herança genética e padrões de transmissão.
- Gabarito: D — autossômico e recessivo.
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o padrão de herança da tritanomalia, dado que o gene está no cromossomo 7, afeta igualmente homens e mulheres, e pode aparecer em crianças de pais fenotipicamente normais?"
- Palavras-chave decisivas: cromossomo 7, homens e mulheres igualmente afetados, casais sem tritanomalia podem ter crianças com a herança.
- Armadilha típica: marcar A (ligado ao X recessivo) — confundir com daltonismo vermelho-verde (que é ligado ao X). Tritanomalia é distinta (cone azul, cromossomo 7).
- Critério de acerto: saber reconhecer as duas pistas clássicas:
- "Afeta igual os sexos" + "cromossomo 7" → autossômica (não ligada ao sexo).
- "Pais sem manifestação → filho afetado" → recessiva (pais são heterozigotos portadores).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Autossomos x sexuais: humanos têm 22 pares autossômicos (1-22) + 1 par sexual (XX/XY). Genes em autossomos afetam igualmente ambos os sexos.
- Dominância x recessividade:
- Dominante: basta um alelo A para o fenótipo (AA ou Aa).
- Recessivo: necessita dois alelos a para o fenótipo (aa). Pais Aa × Aa podem ter filho aa mesmo sendo ambos fenotipicamente normais.
- Daltonismo vermelho-verde: ligado ao X recessivo (gene no X). Afeta mais homens (XY, basta 1 alelo) do que mulheres (XX, precisa 2 alelos) → frequência ~8% em homens vs. 0,5% em mulheres.
- Tritanomalia (cone azul): gene OPN1SW localizado no cromossomo 7 → autossômica. Afeta homens e mulheres na mesma proporção (padrão mendeliano 3:1 em populações com alelo raro).
- Recessividade evidenciada no texto: "casais sem tritanomalia podem ter crianças com a herança" → pais Aa × Aa → descendentes aa (1/4 de chance).
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "gene responsável... no cromossomo 7" → é autossomo, não cromossomo sexual → elimina A, B, C.
- Evidência 2: "homens e mulheres igualmente afetados" → ratifica autossomo e incompatível com ligado-ao-X.
- Evidência 3: "casais sem tritanomalia podem ter crianças com a herança" → pais fenotipicamente normais + filho afetado = alelo recessivo (pais Aa × Aa → filho aa).
- Síntese: autossomo + recessivo = alternativa D.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Decidir autossômico ou ligado ao sexo
- Gene no cromossomo 7 → autossômico (cromossomos sexuais são 23). Fim da discussão.
- Confirmação: "homens e mulheres igualmente afetados" — características ligadas ao X recessivo ou Y se distribuem desigualmente entre sexos.
Subpasso 4.2 — Decidir dominante ou recessivo
- Em heranças dominantes, pais afetados (ou ao menos 1) geram filhos afetados; se nenhum pai tem o fenótipo, nenhum filho deveria ter.
- Em heranças recessivas, pais ambos heterozigotos (Aa × Aa) podem ter filho aa → afetado, mesmo os pais não sendo.
- O texto afirma exatamente esse cenário → recessivo.
Subpasso 4.3 — Cruzamento exemplificado
- Aa (portador, fenótipo normal) × Aa (portadora, fenótipo normal)
- Proporção da F1: 1 AA : 2 Aa : 1 aa (afetado).
- Logo, 25% de probabilidade de filho com tritanomalia mesmo com pais sadios. Compatível com texto.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) ligado ao X e recessivo.
❌ Incorreta. Gene está no cromossomo 7, não no X. Além disso, herança ligada ao X não afetaria igualmente os dois sexos (homens seriam mais afetados).
B) ligado ao Y e recessivo.
❌ Incorreta. Se fosse ligado ao Y, só homens teriam tritanomalia (herança holândrica). O enunciado diz que homens e mulheres são igualmente afetados → impossível.
C) ligado ao X e dominante.
❌ Incorreta. Dominante ligado ao X afetaria mais mulheres (duas chances no XX). E continua não sendo compatível com cromossomo 7.
D) autossômico e recessivo. ✅ Correta.
Gene no cromossomo 7 (autossomo) + pais não afetados podendo ter filho afetado (recessividade) = perfil autossômico recessivo.
E) autossômico e dominante.
❌ Incorreta. Dominante autossômico exige pelo menos um dos pais afetado. Como "casais sem tritanomalia podem ter filhos com a herança", é incompatível com dominância.
🏆 Gabarito: D — autossômico e recessivo.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação: duas pistas, duas decisões. Cromossomo 7 → autossomo. Pais normais com filho afetado → recessivo.
- Padrão de cobrança ENEM: genética mendeliana com pistas pequenas (uma frase cada), exigindo identificação do padrão — recorrente em fibrose cística, anemia falciforme, albinismo (todos autossômicos recessivos) e daltonismo (X recessivo).
- Generalização: Regra das duas pistas —
- Cromossomo autossômico vs. sexual → sexos igualmente afetados ou desigualmente?
- Dominante vs. recessivo → salta geração? Pais Aa × Aa podem gerar afetado?
- Dica de eliminação: cromossomo 7 já elimina três alternativas (A, B, C). Entre D e E, basta notar que "pais sem a condição → filho afetado" só acontece em recessivo.
- Conexões: daltonismo vermelho-verde (X recessivo), fibrose cística (autossômico recessivo), doença de Huntington (autossômico dominante), hemofilia (X recessivo), traços holândricos.