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Questão 132ENEM 2022Caderno azul · 2º Dia

Os resultados de um ensaio clínico randomizado na Indonésia apontaram uma redução de 77% dos casos de dengue nas áreas que receberam o mosquito Aedes aegypti infectado com a bactéria Wolbachia. Jiala-so da mesma cerca Mr zada no Mtasi pelo Melos Holbachia, iniciativa conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz — Fiocruz. Essa bactéria induz a redução da carga viral no mosquito e, consequentemente, o número de casos de dengue na área, sendo repassada por meio do cruzamento entre os insetos. Como essa bactéria é um organismo intracelular e o virus também precisa entrar nas células para se reproduzir, ambos necessitarão de recursos comuns.

COSTA, G. Agência Fiocruz de Notícias. Estudo confirma eficácia do Método Wolbachia para dengue. Disponível em: https://portal fiocruz.br. Acesso em: 3 jun. 2022 (adaptado)

Essa tecnologia utilizada no combate à dengue consiste na

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Microbiologia e Saúde Pública — interações biológicas no controle de vetores e relações ecológicas em escala intracelular
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretar a relação entre vírus e bactéria no interior do mosquito e classificá-la corretamente como competição
  • 🎯 Tema/Habilidade BNCC: Biotecnologia aplicada à saúde pública; relações ecológicas (competição) em microescala
  • 🏆 Gabarito: revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é o mecanismo biológico que explica por que o mosquito infectado por Wolbachia transmite menos dengue?"
  • Palavras-chave decisivas: Wolbachia, redução da carga viral, organismo intracelular, recursos comuns
  • Armadilha típica: marcar "predação do vírus pela bactéria" (A), porque parece intuitivo dizer que a bactéria "ataca" o vírus. Bactéria não predatoriamente come vírus; ela disputa os mesmos recursos celulares (nucleotídeos, aminoácidos, maquinaria de tradução). Outra armadilha é confundir o método Wolbachia com a técnica de mosquitos transgênicos esterilizados (B), que é uma estratégia diferente.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que vírus e bactéria, ambos intracelulares no mosquito, dependem dos mesmos recursos celulares e portanto competem; essa competição reduz a multiplicação viral, e o mosquito deixa de transmitir o vírus de forma eficiente.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Wolbachia: gênero de bactérias intracelulares obrigatórias que infectam naturalmente muitos artrópodes (cerca de 60% das espécies de insetos). Vive dentro das células do hospedeiro e é transmitida verticalmente, da mãe para os filhotes, via citoplasma do óvulo. A infecção do Aedes aegypti é induzida em laboratório.
  • Método Wolbachia (Fiocruz / World Mosquito Program): mosquitos infectados com Wolbachia são liberados na natureza; ao se reproduzirem, transmitem a bactéria à descendência. A bactéria, ao competir com vírus como dengue, zika e chikungunya por recursos intracelulares, reduz drasticamente a capacidade do mosquito de carregar e transmitir esses vírus.
  • Competição interespecífica: relação ecológica desarmônica em que duas espécies disputam um mesmo recurso (alimento, espaço, abrigo). Vence quem usa o recurso de forma mais eficiente; o perdedor diminui em densidade. No interior da célula do mosquito, vírus e bactéria competem por nucleotídeos, aminoácidos, ATP e maquinaria de síntese — recursos finitos.
  • Diferença entre competição e predação: na predação, um organismo (predador) consome o outro (presa). Bactéria não fagocita partículas virais; ela apenas consome os mesmos recursos. Logo, a relação correta é competição, não predação.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "redução de 77% dos casos de dengue nas áreas que receberam o mosquito Aedes aegypti infectado com a bactéria Wolbachia" → o efeito é interferir na transmissão; a bactéria não mata o mosquito nem o esteriliza.
  • Evidência 2: "Essa bactéria induz a redução da carga viral no mosquito" → o vírus continua entrando no mosquito, mas se multiplica menos. Logo, há um mecanismo intracelular que limita o vírus.
  • Evidência 3: "Como essa bactéria é um organismo intracelular e o vírus também precisa entrar nas células para se reproduzir, ambos necessitarão de recursos comuns" → trecho-chave. O enunciado entrega o conceito: ambos disputam os mesmos recursos celulares — definição clássica de competição.
  • Síntese: vírus e bactéria coabitam o interior das células do mosquito e disputam recursos limitados. Esta competição interespecífica é o mecanismo que reduz a carga viral e, por consequência, a transmissão da dengue.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar onde ocorre a interação

A interação entre Wolbachia e o vírus da dengue ocorre dentro das células do mosquito Aedes aegypti. Ambos são parasitas intracelulares: o vírus precisa da maquinaria de tradução da célula para replicar suas proteínas; a bactéria, embora tenha maquinaria própria, ainda depende de aminoácidos, nucleotídeos, lipídios e ATP fornecidos pelo hospedeiro.

Subpasso 4.2 — Classificar a interação ecológica

Quando duas espécies dependem dos mesmos recursos finitos no mesmo nicho, configura-se competição interespecífica. No caso, vírus e bactéria competem por recursos celulares dentro do mosquito. A presença de Wolbachia, mais bem adaptada e estabelecida no citoplasma, "ganha" essa disputa, reduzindo a quantidade de recursos disponíveis para a replicação viral.

Subpasso 4.3 — Eliminar mecanismos alternativos

  • Predação (A): exigiria que a bactéria capturasse e digerisse partículas virais. Não é o que ocorre — bactérias não fagocitam vírus. O enunciado em momento algum descreve esse mecanismo.
  • Esterilização (B): seria uma estratégia diferente (Técnica do Inseto Estéril, baseada em radiação ou modificação genética para gerar machos estéreis). O método Wolbachia não esteriliza; permite reprodução normal e transmissão vertical da bactéria.
  • Alteração genotípica (C): Wolbachia não modifica o genoma do mosquito. Ela vive no citoplasma e é transmitida pela fêmea, mas o DNA do mosquito permanece intacto.
  • Inserção de material genético do vírus na bactéria (E): seria recombinação ou transferência horizontal de genes, fenômeno raro e não relacionado ao mecanismo descrito. O enunciado é claro sobre disputa por recursos.

Subpasso 4.4 — Confirmar com a evidência do enunciado

A frase "ambos necessitarão de recursos comuns" é a assinatura textual da competição. Logo, o mecanismo é a competição entre vírus e bactéria no hospedeiro — alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) predação do vírus pela bactéria.

Incorreta: predação implica um predador capturando e consumindo uma presa. Bactérias não fagocitam vírus — vírus são partículas acelulares que invadem células, e bactérias não têm o aparato de captura/digestão típico de predadores. O enunciado descreve disputa por recursos comuns, não consumo direto.

B) esterilização de mosquitos infectados.

Incorreta: a Técnica do Inseto Estéril (TIE) e variações com mosquitos transgênicos (como o OX513A) sim usam esterilização, mas são estratégias distintas do método Wolbachia. No método Wolbachia, mosquitos continuam férteis — aliás, é justamente a fertilidade que garante a transmissão vertical da bactéria à próxima geração e o estabelecimento da bactéria na população.

C) alteração no genótipo do mosquito pela bactéria.

Incorreta: Wolbachia não insere genes no genoma do Aedes nem altera sua expressão genética hereditária. Ela vive no citoplasma das células e é repassada via óvulo, mas o DNA do mosquito segue o mesmo. O fenótipo "redução da carga viral" decorre da competição intracelular, não de mutação no inseto.

D) competição do vírus e da bactéria no hospedeiro.

Correta: o enunciado afirma explicitamente que ambos são intracelulares e disputam os mesmos recursos celulares. Isso é a definição de competição interespecífica. A bactéria, mais estabelecida no citoplasma, consome os recursos antes que o vírus consiga replicar em quantidade suficiente para tornar o mosquito um vetor eficaz.

E) inserção de material genético do vírus na bactéria.

Incorreta: transferência de material genético entre vírus e bactéria existe (transdução) em outros contextos, mas não é o mecanismo do método Wolbachia. O enunciado não menciona qualquer recombinação genética; menciona competição por recursos.

🏆 Gabarito: D — vírus da dengue e Wolbachia coabitam o interior das células do mosquito e disputam os mesmos recursos celulares, configurando competição interespecífica que reduz a carga viral e a transmissão da doença.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: "ambos necessitarão de recursos comuns" é a chave textual. Recursos comuns disputados = competição. Não há predação (a bactéria não come o vírus), não há esterilização (mosquito segue fértil), não há transgenia do hospedeiro.
  • Padrão de cobrança: o ENEM tem cobrado relações ecológicas em escala microbiológica (microbiota intestinal, fagos, simbiontes intracelulares). A competição não precisa ser entre antílope e zebra na savana — pode ocorrer entre vírus e bactéria dentro de uma célula.
  • Generalização: sempre que uma questão descreve dois organismos compartilhando um nicho/recurso e um deles diminui a presença do outro sem matá-lo diretamente, a relação é competição. Se um consome o outro fisicamente, é predação. Se um se beneficia e o outro é prejudicado sem disputa de recurso, é parasitismo.
  • Dica de eliminação rápida: procure o termo "recursos comuns" no enunciado — se aparecer, a resposta é quase sempre competição. Eliminar B (esterilização) e C (alteração genética) é fácil porque o texto não menciona nada disso.
  • Conexões com outros temas: relações ecológicas (Ecologia); biotecnologia e controle biológico de vetores (Saúde Pública); ciclo replicativo dos vírus (Microbiologia/Virologia); endossimbiose e origem das mitocôndrias e cloroplastos (Citologia/Evolução).

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