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Questão 3ENEM 2022Caderno azul · 1º Dia

Hoje sou um ser inanimado, mas já tive vida pulsante em seivas vegetais, fui um ser vivo; é bem verdade que o reino vegetal, mas isso não me tirou a percepção de vida vivida como tamborete. Guardo apreço pelos meus

criadores, as mãos que me fizeram, me venderam, e pelas mulheres que me usaram para suas vendas e de. tantas outras maneiras. Essas pessoas, sim, tiveram. suas subjetividades, singularidades e pluralidades, que estão incorporadas a mim. É preciso considerar que a nossa história, de móveis de museus, está para além da mera vinculação aos estilos e à patrimonialização que recebemos como bem material vinculado ao patrimônio imaterial. A nossa história está ligada aos dons individuais das pessoas e suas práticas sociais. Alguns individuos consagravam-se por terem determinados requisitos, tais como o conhecimento de modelos clássicos ou destreza nos desenhos.

FREITAS, J. M.; OLIVEIRA, L. R. Memórias de um tamborete de baiana: as muitas vozes . em um objelo de museu. Revista Brasilsira de Pesquisa (Auto)Blográfica n. 14, meio-ago. 2020 (adaptado).

Ao descrever-se como patrimônio museológico, o objeto abordado no texto associa a sua história às

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • Matérias Necessárias: Leitura e interpretação; conceito de patrimônio; cultura material e imaterial
  • Nível: Médio — exige compreender como o objeto museológico articula sua história às pessoas que o fizeram e usaram
  • Tema/Habilidade: Patrimônio cultural; subjetividade e memória; leitura de texto com narrador não-convencional
  • Gabarito: A — revelado ao final

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Com o quê o objeto (tamborete) associa sua história enquanto patrimônio museológico?"
  • Palavras-chave decisivas: ao descrever-se como patrimônio museológico, associa a sua história às
  • Armadilha típica: Marcar C (naturezas antropológica e etnográfica dos expositores) ou D (preservações arquitetônica e visual) interpretando "patrimônio" de forma genérica, sem notar que o texto especificamente valoriza as pessoas e seus dons individuais.
  • O que a resposta precisa demonstrar: Identificar a qual dimensão humana o objeto associa sua história — não ao estilo arquitetônico ou à disciplina acadêmica, mas às capacidades das pessoas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Narrador inusual: O tamborete fala em primeira pessoa — estratégia literária para dar voz ao objeto e humanizar a análise do patrimônio. Isso direciona a leitura para os sujeitos (pessoas) por trás do objeto.
  • Patrimônio material vs. imaterial: O texto distingue o objeto como "bem material vinculado ao patrimônio imaterial". O valor do tamborete está não apenas na sua materialidade, mas nas práticas, conhecimentos e subjetividades das pessoas que o criaram.
  • "Dons individuais": O texto explicitamente diz que a história do tamborete está ligada "aos dons individuais das pessoas e suas práticas sociais" — habilidades artesanais e culturais específicas dos criadores.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Guardo apreço pelos meus criadores, as mãos que me fizeram... pelas mulheres que me usaram" → O tamborete valoriza explicitamente as pessoas — seus criadores (artesãos) e usuárias (baianas).
  • Evidência 2: "A nossa história está ligada aos dons individuais das pessoas e suas práticas sociais" → A chave interpretativa: história = dons individuais + práticas sociais.
  • Evidência 3: "alguns indivíduos consagravam-se por terem determinados requisitos, tais como o conhecimento de modelos clássicos ou destreza nos desenhos" → Habilidades artísticas e culturais específicas são o que distinguia os criadores.
  • Síntese: O objeto associa sua história às habilidades artísticas e culturais (dons) das pessoas que o fizeram e usaram — não a categorias acadêmicas ou arquitetônicas.

Passo 4 — Resolução Completa

Subpasso 4.1 — Identificar o argumento central do texto

O tamborete narra: "minha história vai além do estilo e da patrimonialização material — ela está nos dons e práticas das pessoas". O foco é nos sujeitos humanos e suas capacidades.

Subpasso 4.2 — Mapear a alternativa correspondente

"Habilidades artísticas e culturais dos sujeitos" (A) = "dons individuais das pessoas" + "destreza nos desenhos" + "conhecimento de modelos clássicos". A correspondência é direta.

Subpasso 4.3 — Descartar as demais

As outras alternativas introduzem conceitos ausentes no texto (etnografia, arquitetura, finanças, pedagogia), ou invertem o argumento (D fala em "preservações", quando o texto fala em "práticas e dons").

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) habilidades artísticas e culturais dos sujeitos.

Correta: O texto afirma explicitamente que a história do tamborete está nos "dons individuais das pessoas e suas práticas sociais", exemplificados por "destreza nos desenhos" e "conhecimento de modelos clássicos" — habilidades artísticas e culturais precisas.

B) vocações religiosas e pedagógicas dos mestres.

Incorreta: Vocações religiosas são completamente ausentes do texto. O "conhecimento de modelos clássicos" não é pedagógico no sentido escolar — é artesanal/artístico.

C) naturezas antropológica e etnográfica dos expositores.

Incorreta: O texto menciona que a história vai "além da mera vinculação aos estilos" e não discute etnografia ou perspectivas dos expositores do museu. Esse vocabulário é importado de fora do texto.

D) preservações arquitetônica e visual dos conservatórios.

Incorreta: "Conservatórios" e preservação arquitetônica não são mencionados. O texto é sobre as pessoas e suas práticas, não sobre a conservação física ou espacial do patrimônio.

E) competências econômica e financeira dos comerciantes.

Incorreta: Embora o tamborete mencione ser vendido ("as mãos que... me venderam"), o texto não valoriza nem discute competências comerciais. O foco é cultural/artístico, não econômico.

Gabarito: A — O tamborete associa sua história às habilidades artísticas e culturais dos sujeitos (artesãos e usuárias) — seus "dons individuais" de destreza artística e conhecimento de tradições são o que constitui verdadeiramente o patrimônio.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação: A é a única alternativa que captura o argumento central explicitamente enunciado no texto: "dons individuais" = habilidades artísticas e culturais.
  • Padrão de cobrança: O ENEM usa textos sobre patrimônio para distinguir dimensão material vs. imaterial. A questão testa se o aluno percebe que o valor cultural está nas pessoas, não nos objetos em si.
  • Generalização: Quando um texto enfatiza as pessoas por trás de um objeto/obra, a resposta estará nas capacidades/práticas humanas, não nas características físicas do objeto.
  • Dica de eliminação: Elimine alternativas com vocabulário acadêmico não presente no texto (B: pedagógico/vocações; C: etnográfico; D: arquitetônico). O texto usa linguagem de dons e práticas artesanais.
  • Conexões: Patrimônio cultural; identidade; cultura popular; artesanato.

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