Questão 46 — ENEM 2018Caderno azul · 1º Dia
No Segundo Congresso Internacional de Ciências Geográficas, em 1875, a que compareceram o presidente da República, o governador de Paris e o presidente da Assembleia, o discurso inaugural do almirante La Roucière-Le Noury expôs a atitude predominante no encontro: “Cavalheiros, a Providência nos ditou a obrigação de conhecer e conquistar a terra. Essa ordem suprema é um dos deveres imperiosos inscritos em nossas inteligências e nossas atividades. A geografia, essa ciência que inspira tão bela devoção e em cujo nome foram sacrificadas tantas vítimas, tornou-se a filosofia da terra”.
SAID, E. Cultura e política. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.
No contexto histórico apresentado, a exaltação da ciência geográfica decorre do seu uso para o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- Matérias Necessárias: Geografia/História → século XIX; colonialismo e ciência
- Nível: Médio — ligar discurso à prática imperialista
- Tema/Habilidade: Análise crítica do papel instrumental da ciência no colonialismo
- Gabarito: C
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Por que a geografia é exaltada no Congresso de 1875?"
- Palavras-chave decisivas: conhecer e conquistar a terra, filosofia da terra, presença do presidente da República/governador de Paris
- Armadilha típica: marcar "preservação cultural" (A) ou "formação humanitária" (B) — contradizem o espírito do texto.
- O que a resposta precisa demonstrar: a geografia era usada para catalogar dados úteis ao colonialismo.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Neocolonialismo (séc. XIX): expansão imperial europeia na África e Ásia.
- Congresso Internacional de Ciências Geográficas: instituição que reunia cartógrafos, exploradores, militares.
- Ciência a serviço do império: mapas, recursos naturais, rotas — ferramentas da conquista.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a obrigação de conhecer e conquistar a terra" → conquistar é tese central.
- Evidência 2: presença de governantes → vínculo entre ciência e Estado colonial.
- Evidência 3: "sacrificadas tantas vítimas" → memorialização de expedicionários imperiais.
- Síntese: a geografia é ciência colonial = catalogação de dados.
Passo 4 — Resolução Completa
Subpasso 4.1 — Relacionar discurso e propósito
A geografia servia ao império; catalogar a terra = preparar a conquista.
Subpasso 4.2 — Casar com alternativa
"Catalogação de dados úteis aos propósitos colonialistas" descreve exatamente esse uso.
Subpasso 4.3 — Verificação
As outras opções suavizam (cultura, humanitarismo) ou reduzem (técnicas, academia).
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) preservação cultural dos territórios ocupados.
❌ Incorreta: o colonialismo destruía, não preservava.
B) formação humanitária da sociedade europeia.
❌ Incorreta: o foco era dominação, não humanismo.
C) catalogação de dados úteis aos propósitos colonialistas.
✅ Correta: propósito central da ciência geográfica do período.
D) desenvolvimento de técnicas matemáticas de construção de cartas.
❌ Incorreta: é meio técnico, não finalidade exaltada.
E) consolidação do conhecimento topográfico como campo acadêmico.
❌ Incorreta: o congresso não é ato puramente acadêmico; é político-militar.
Gabarito: C
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: geografia séc. XIX = instrumento do império.
- Padrão de cobrança: ENEM cobra ciência como ferramenta política.
- Generalização: quando um discurso une "conhecer + conquistar", espere uso colonialista do saber.
- Dica de eliminação rápida: descarte opções humanitárias/acadêmicas em contexto abertamente imperialista.